ASSINE

OMS recomenda 3ª dose da Coronavac para pessoas acima de 60 anos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a decisão foi tomada após análise de estudos da América Latina que indicam a redução de eficácia ao longo do tempo

Publicado em 11/10/2021 às 18h14
Quem tiver com o prazo da segunda dose vencendo, precisa aguardar até que uma nova remessa da vacina chegue ao município
Antes dos estudos divulgados,  a entidade de saúde recomendava apenas a aplicação de uma dose de reforço em imunodeprimidos. Crédito: Matheus Martins/TV Gazeta Sul

OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a aplicação de uma dose de reforço das vacinas contra Covid-19 em pessoas com mais de 60 anos que receberam duas doses da Coronavac ou Sinopharm e em imunossuprimidos que receberam qualquer imunizante contra a doença causada pelo coronavírus.

Segundo especialistas, essas pessoas apresentam resposta imune mais baixa às vacinas e estão em maior risco diante da Covid. Daí a indicação de uma dose adicional.

A recomendação consta de nota técnica do Sage (Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas, na sigla em inglês) publicada nesta segunda-feira (11) e é condicionada à disponibilidade de doses.

"Ao implementar esta recomendação, os países devem primeiro buscar maximizar a cobertura vacinal de duas doses nessa população e, posteriormente, aplicar a terceira dose, iniciando pelos grupos de idade mais avançada", afirma o texto.

Até então, a entidade recomendava apenas a aplicação de uma dose de reforço em imunodeprimidos.

A nota trata especificamente dos idosos que receberam as vacinas de vírus inativado, como das fabricantes Sinovac (que produz a Coronavac) e Sinopharm. A recomendação não vale, portanto, para imunizantes de outras empresas.

Para o reforço, a OMS afirma que uma terceira dose da mesma fabricante pode ser preferencial, considerando disponibilidade de doses.

Isso significaria, no caso do Brasil, uma terceira dose de Coronavac para todos com mais de 60 anos já vacinados com duas doses desse imunizante, mas não para os que receberam a vacina Oxford/AstraZeneca ou Pfizer.

Caso não haja uma terceira dose da mesma marca, um esquema heterólogo (isto é, uma dose de reforço diferente daquela usada nas primeiras injeções) pode ser utilizado.

De acordo com o painel de especialistas da entidade, se ficar demonstrado que a eficácia de um esquema heterólogo é maior do que o reforço de um mesmo imunizante, a recomendação poderá ser atualizada.

Apesar de ser uma mudança de posição, a OMS reforça que as evidências disponíveis indicam que uma dose adicional de imunizantes em idosos que receberam vacinas inativadas pode potencializar a proteção conferida por essas vacinas.

Um estudo conduzido na China pela Sinovac apontou que uma terceira dose do imunizante oito meses depois da segunda dose em pessoas com 60 anos ou mais aumentou em até sete vezes o nível de anticorpos no sangue.

Isso não significa que esses imunizantes não confiram proteção contra o coronavírus ou que as vacinas não funcionam com duas doses, mas sim que, em populações com o sistema imune mais debilitado, como nos idosos, a queda de anticorpos pode indicar uma redução da proteção a longo prazo e necessidade de reforço.

Estudos feitos no Brasil para avaliar a efetividade das vacinas contra a Covid apontaram para uma diminuição da proteção justamente no grupo acima de 80 anos, o mesmo que foi vacinado primeiro no país.

Nas pessoas com 60 anos ou mais, também houve redução, embora em menor proporção. Não há dados ainda para as faixas etárias abaixo de 60 anos, que foram vacinadas posteriormente.

Para o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda, a nota da OMS deixa claro que a recomendação de uma terceira dose deve ser para aqueles que receberam vacinas de vírus inativado, mas não é exclusiva para o esquema homólogo.

"Eles recomendaram [uma dose de reforço] para quem fez uso específico das duas vacinas, o que no Brasil se aplica somente para a Coronavac. A questão se é uma 3ª dose também da Coronavac parece ser a preferencial, mas depende também de logística e disponibilidade", diz.

Croda é o pesquisador principal de um estudo que avaliou a efetividade das vacinas Coronavac e AstraZeneca em pessoas com 60 anos ou mais. Ele defende o uso de esquema heterólogo como reforço, dadas as evidências científicas de aumento de eficácia e de imunogenicidade ao combinar vacinas de diferentes fabricantes.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.