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Chanceler argentino diz que "não está fácil relação com Brasil"

Segundo o chanceler argentino, Felipe Solá, a relação não está fácil para um aguardado encontro entre os dois presidentes

Publicado em 17/07/2020 às 08h04
 O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Felipe Solá
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Felipe Solá. Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Em entrevista a jornalistas estrangeiros nesta quinta-feira (16), o chanceler argentino, Felipe Solá, disse que "não está fácil a relação com o Brasil" para possibilitar um aguardado encontro entre os dois presidentes.

Jair Bolsonaro e Alberto Fernández estiveram na mesma reunião pela primeira vez desde a posse do argentino em um evento virtual da Cúpula do Mercosul, no início do mês. Mas ainda não tiveram um encontro bilateral.

Os mandatários haviam trocado farpas durante a campanha eleitoral do país vizinho, no ano passado, quando Bolsonaro apoiou o então presidente Mauricio Macri. Após a vitória, o líder brasileiro não foi à posse de Fernández.

Segundo o chanceler, um dos entraves, embora "não o único", é o fato de os dois líderes "estarem em pólos opostos" no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. "Enquanto a Argentina está privilegiando a saúde, o Brasil está preocupado com a economia."

Solá também disse que não há previsão para que os turistas brasileiros possam viajar novamente à Argentina - a liberação depende de decisões sobre a flexibilização da quarentena no país, que devem ser tomadas até sexta-feira (17).

Embora as fronteiras aéreas estejam fechadas até 1º de setembro, o país anunciou nesta quinta a autorização para duas linhas internacionais comerciais (para Miami e para Madri) começarem a operar em agosto, por meio das Aerolíneas Argentinas.

Solá afirmou que o trânsito entre países do Mercosul é prioridade, mas que uma liberação está ligada à possibilidade de realizar testes e estabelecer formas de controle, "o que é muito difícil, principalmente com relação às nossas fronteiras terrestres".

Sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, ao qual o presidente Alberto Fernández havia feito ressalvas durante a campanha eleitoral, o chanceler disse que não haverá retrocessos no que já está acordado.

Segundo ele, contudo, a tragédia ambiental na região amazônica influenciou alguns recuos do lado europeu.

"O Brasil foi o centro das discussões com os incêndios na Amazônia e fez com que europeus olhassem para o assunto. Os europeus olham a Amazônia como se fosse o pulmão do mundo, enquanto a posição do Brasil é de dizer que é um pulmão brasileiro", disse.

Para o chanceler, há uma discussão importante sobre se os incêndios foram voluntários ou acidentais. "Não tenho autoridade para dizer que houve uma política de avanço sobre a floresta de forma deliberada por conta do presidente Bolsonaro."

As instabilidades na Bolívia e Venezuela também foram tema de críticas de Solá.

Ele reafirmou que a Argentina não reconhece o governo interino boliviano, por sua "gênese golpista", e disse que ele é fruto de um movimento violento que causou mortes de camponeses.

"Isso é próprio de um governo militar. Isso está ocorrendo na Bolívia nos últimos meses, e não temos relação com esse governo", afirmou.

A Bolívia vive instabilidade política desde as contestadas eleições presidenciais de 2019, que concederam uma controversa vitória em primeiro turno a Evo Morales.

Aquele seria seu quarto mandato, mas em meio a acusações de fraude na contagem de votos, enfrentamentos em várias cidades e pressão das Forças Armadas, Evo renunciou.

Partiu para o México e depois passou a viver na Argentina com status de refugiado.

Desde então, quem governa de modo interino é a direitista Añez, cuja legitimidade no cargo também é contestada, pelo fato de ter usado brechas constitucionais para se declarar como a seguinte na linha de sucessão.

Sobre a Venezuela, o chanceler condenou as sanções dos Estados Unidos contra o país. Para ele, a pressão econômica dificulta a resolução da crise e a solução deve ser tratada "entre os venezuelanos".

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