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Publicado em 11 de setembro de 2021 às 14:02
O dia 11 de setembro entrou para a história mundial após terroristas vinculados à Al-Qaeda atacarem importantes edifícios dos Estados Unidos, deixando quase três mil mortos. O episódio, que completa 20 anos neste sábado (11), desencadeou uma "Guerra ao Terror" e mudou a conjuntura geopolítica mundial, além de ter levado à revisão de protocolos de segurança, que repercutiram em diversos locais do globo, até mesmo, em algum nível, no Espírito Santo.>
Naquele fatídico dia de 2001, quatro voos comerciais que rumavam em direção ao país norte-americano foram sequestrados por membros do grupo terrorista, que propositalmente fizeram com que duas das aeronaves colidissem contra as chamadas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. O impacto matou os passageiros a bordo e muitos dos trabalhadores dos edifícios, que desmoronaram horas depois, destruindo parte da vizinhança e fazendo novas vítimas.>
O terceiro avião foi lançado contra o Pentágono, sede da defesa dos Estados Unidos. Já a última aeronave caiu em um campo aberto em Shanksville, na Pensilvânia, depois que alguns de seus passageiros e tripulantes tentaram tomar o controle do avião. Embora não tenha havido sobreviventes, conseguiram evitar uma tragédia ainda maior.>
Os ataques tiveram como um dos grandes responsáveis Osama bin Laden e geraram grandes consequências não apenas nos Estados Unidos, que eram o alvo direto do grupo, como em escala global. >
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Poucas semanas após os atentatos, por exemplo, o governo norte-americano deu início à Guerra do Afeganistão, a fim de tentar capturar o líder da Al-Qaeda. Em 2003, realizou também a invasão do Iraque. Ambos os países eram acusados de apoiar a organização terrorista chefiada por bin Laden. >
No Afeganistão, o objetivo era derrubar o Talibã, acusado de ajudar a esconder líderes da Al-Qaeda. No Iraque, o objetivo era depor o governo do ditador Saddam Hussein, que estava no poder desde 1979. Ele foi condenado em 2006 pelo assassinato de xiitas, grupo rival muçulmano, e executado por enforcamento no mesmo ano.>
Bin Laden, contudo, continuou fora do radar por vários anos, e só foi capturado - e morto - em maio de 2011, quase uma década após a tragédia. Ele estava em um esconderijo no Paquistão.>
O cientista político Francisco Albernaz aponta que, dentre as consequências dos atentados de 11 de setembro, está o surgimento de uma forte cautela, ou, em alguns casos, verdadeira aversão a pessoas árabes, uma vez que muitos passaram a generalizar os grupos associando-os diretamente à figura de terroristas.>
Além disso, o especialista observa que o mundo vivenciou uma série de outros atentados desde então e que houve um fortalecimento de alguns grupos extremistas nesse período, como é o caso do Talibã e do Estado Islâmico.>
“As repercussões do 11 de setembro foram imensas, afetaram as políticas comportamentais, sociais, migratórias, entre tantas outras questões. O quadro político do Oriente Médio, por exemplo, mudou muito com a exacerbação dos conflitos internos e entre os países. Também houve o fortalecimento de alguns grupos extremistas. Coisas que já existiam embrionariamente foram potencializadas pela retaliação americana aos atentados e a visibilidade que ganharam a partir daí.”>
Daniel Carvalho, professor de Relações Internacionais da Universidade Vila Velha (UVV), observa que os conflitos envolvendo países do Oriente Médio não foram as únicas consequências dos ataques.>
“Os impactos podem ser medidos regionalmente. Na África, por exemplo, o que a Guerra ao Terror fez foi fortalecer governos que já não flertavam com a democracia e justificavam suas ações como sendo medidas de combate ao terrorismo. Muitos países criaram leis antiterrorismo, que, basicamente, punia a oposição.”>
Já no continente americano, do qual faz parte o Brasil, Carvalho explica que houve uma “securitização de crimes que já aconteciam”. Problemas que antes eram tratados como questões de segurança pública tornaram-se problemas de segurança internacional, como corrupção, lavagem de dinheiro e o próprio tráfico de drogas, por exemplo.>
“Algumas parcerias da Colômbia com os Estados Unidos, por exemplo, começaram a identificar as Farc na época, entendendo que o tráfico de drogas e armas poderia financiar grupos terroristas. Também se tornou maior a preocupação com as fronteiras e com a entrada de imigrantes muçulmanos, por exemplo, mas muito vem de um estigma em torno desses grupos. O mesmo aconteceu no continente europeu.”>
Já os norte-americanos reforçaram o combate contra a atuação do terrorismo por meio de uma lei conhecida como Ato Patriota, que esteve em vigor até alguns anos atrás e permitia ao governo dos Estados Unidos interceptar ligações e mensagens telefônicas sem que fosse necessário obter autorização da Justiça, por exemplo. Em 2015, a legislação sofreu modificações e passou a ser chamada USA Freedom Act (Ato de Liberdade dos EUA, em tradução livre).>
Além disso, foram aprovadas novas normas de seguranças nos voos, deixando o embarque de passageiros extremamente rígido. Essas mudanças também foram verificadas em outros países, após determinações de organizações com atuação global.>
Já no Brasil, incluindo o Espírito Santo, mudanças desse tipo também foram sentidas, segundo Daniel Carvalho. Tudo para reforçar a segurança no transporte internacional.>
“Em algum nível, até aqui no Estado foram sentidas mudanças, embora, não tenha sido algo exclusivo daqui, como novos protocolos de segurança portuários e aeroportuários, por exemplo. Era muito mais fácil entrar em qualquer avião antes dos ataques. Além disso, a organização marítima internacional lançou um protocolo de segurança novo, que teve que ser aplicado em todo o globo, e tornou as operações um pouco mais lentas, mais burocráticas, mas sempre em nome da segurança”, pontuou Carvalho.>
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