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11 de setembro: após 20 anos, ataque terrorista ainda afeta o mundo e até o ES

Do endurecimento da segurança às guerras no Oriente Médio e novas relações globais; saiba o que mudou após o atentado que resultou na morte de quase três mil pessoas

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 11/09/2021 às 14h02
Momento em que avião bate numa das torres gêmeas, em Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001
Momento em que avião bate numa das torres gêmeas, em Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001. Crédito: Reprodução/YouTube

O dia 11 de setembro entrou para a história mundial após terroristas vinculados à Al-Qaeda atacarem importantes edifícios dos Estados Unidos, deixando quase três mil mortos. O episódio, que completa 20 anos neste sábado (11), desencadeou uma "Guerra ao Terror" e mudou a conjuntura geopolítica mundial, além de ter levado à revisão de protocolos de segurança, que repercutiram em diversos locais do globo, até mesmo, em algum nível, no Espírito Santo.

Naquele fatídico dia de 2001, quatro voos comerciais que rumavam em direção ao país norte-americano foram sequestrados por membros do grupo terrorista, que propositalmente fizeram com que duas das aeronaves colidissem contra as chamadas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. O impacto matou os passageiros a bordo e muitos dos trabalhadores dos edifícios, que desmoronaram horas depois, destruindo parte da vizinhança e fazendo novas vítimas.

O terceiro avião foi lançado contra o Pentágono, sede da defesa dos Estados Unidos. Já a última aeronave caiu em um campo aberto em Shanksville, na Pensilvânia, depois que alguns de seus passageiros e tripulantes tentaram tomar o controle do avião. Embora não tenha havido sobreviventes, conseguiram evitar uma tragédia ainda maior.

Os ataques tiveram como um dos grandes responsáveis Osama bin Laden e geraram grandes consequências não apenas nos Estados Unidos, que eram o alvo direto do grupo, como em escala global.

Poucas semanas após os atentatos, por exemplo, o governo norte-americano deu início à Guerra do Afeganistão, a fim de tentar capturar o líder da Al-Qaeda. Em 2003, realizou também a invasão do Iraque. Ambos os países eram acusados de apoiar a organização terrorista chefiada por bin Laden.

No Afeganistão, o objetivo era derrubar o Talibã, acusado de ajudar a esconder líderes da Al-Qaeda. No Iraque, o objetivo era depor o governo do ditador Saddam Hussein, que estava no poder desde 1979. Ele foi condenado em 2006 pelo assassinato de xiitas, grupo rival muçulmano, e executado por enforcamento no mesmo ano.

Bin Laden, contudo, continuou fora do radar por vários anos, e só foi capturado - e morto - em maio de 2011, quase uma década após a tragédia. Ele estava em um esconderijo no Paquistão.

O cientista político Francisco Albernaz aponta que, dentre as consequências dos atentados de 11 de setembro, está o surgimento de uma forte cautela, ou, em alguns casos, verdadeira aversão a pessoas árabes, uma vez que muitos passaram a generalizar os grupos associando-os diretamente à figura de terroristas.

Além disso, o especialista observa que o mundo vivenciou uma série de outros atentados desde então e que houve um fortalecimento de alguns grupos extremistas nesse período, como é o caso do Talibã e do Estado Islâmico.

“As repercussões do 11 de setembro foram imensas, afetaram as políticas comportamentais, sociais, migratórias, entre tantas outras questões. O quadro político do Oriente Médio, por exemplo, mudou muito com a exacerbação dos conflitos internos e entre os países. Também houve o fortalecimento de alguns grupos extremistas. Coisas que já existiam embrionariamente foram potencializadas pela retaliação americana aos atentados e a visibilidade que ganharam a partir daí.”

Daniel Carvalho, professor de Relações Internacionais da Universidade Vila Velha (UVV), observa que os conflitos envolvendo países do Oriente Médio não foram as únicas consequências dos ataques.

“Os impactos podem ser medidos regionalmente. Na África, por exemplo, o que a Guerra ao Terror fez foi fortalecer governos que já não flertavam com a democracia e justificavam suas ações como sendo medidas de combate ao terrorismo. Muitos países criaram leis antiterrorismo, que, basicamente, punia a oposição.”

IMPACTOS LOCAIS

Já no continente americano, do qual faz parte o Brasil, Carvalho explica que houve uma “securitização de crimes que já aconteciam”. Problemas que antes eram tratados como questões de segurança pública tornaram-se problemas de segurança internacional, como corrupção, lavagem de dinheiro e o próprio tráfico de drogas, por exemplo.

“Algumas parcerias da Colômbia com os Estados Unidos, por exemplo, começaram a identificar as Farc na época, entendendo que o tráfico de drogas e armas poderia financiar grupos terroristas. Também se tornou maior a preocupação com as fronteiras e com a entrada de imigrantes muçulmanos, por exemplo, mas muito vem de um estigma em torno desses grupos. O mesmo aconteceu no continente europeu.”

Já os norte-americanos reforçaram o combate contra a atuação do terrorismo por meio de uma lei conhecida como Ato Patriota, que esteve em vigor até alguns anos atrás e permitia ao governo dos Estados Unidos interceptar ligações e mensagens telefônicas sem que fosse necessário obter autorização da Justiça, por exemplo. Em 2015, a legislação sofreu modificações e passou a ser chamada USA Freedom Act (Ato de Liberdade dos EUA, em tradução livre).

Além disso, foram aprovadas novas normas de seguranças nos voos, deixando o embarque de passageiros extremamente rígido. Essas mudanças também foram verificadas em outros países, após determinações de organizações com atuação global.

Já no Brasil, incluindo o Espírito Santo, mudanças desse tipo também foram sentidas, segundo Daniel Carvalho. Tudo para reforçar a segurança no transporte internacional.

“Em algum nível, até aqui no Estado foram sentidas mudanças, embora, não tenha sido algo exclusivo daqui, como novos protocolos de segurança portuários e aeroportuários, por exemplo. Era muito mais fácil entrar em qualquer avião antes dos ataques. Além disso, a organização marítima internacional lançou um protocolo de segurança novo, que teve que ser aplicado em todo o globo, e tornou as operações um pouco mais lentas, mais burocráticas, mas sempre em nome da segurança”, pontuou Carvalho.

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