Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 16:59
A produção de veículos no Brasil alcançou 2,64 milhões de unidades em 2025, um crescimento de 3,5% em relação a 2024, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Os números, divulgados nesta quinta (15), ficaram abaixo da projeção da entidade, que esperava um crescimento de 7,8% no acumulado do ano para automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.>
Os veículos leves tiveram um acréscimo de 4,48% comparado ao ano anterior, indo de 2,38 milhões de unidades produzidas para 2,49 milhões. No entanto, o segmento de caminhões e ônibus registrou uma queda de 10,05%, com somente 152 mil unidades fabricadas. >
Mesmo abaixo da expectativa, o ano passado foi o segundo consecutivo em que houve uma alta na produção de veículos, após 2023 registrar a primeira redução (de 1,9%) na fabricação nacional desde 2016. Em 2024, o aumento em relação ao ano anterior foi de 10%.>
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a tendência é que o cenário de crescimento se repita em 2026, ainda que de forma moderada. A projeção da Anfavea para este ano é de uma alta de 3,7% com 2,74 milhões de unidades produzidas.>
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“O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas, que limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025, seguem presentes neste início de ano. Esse cenário nos leva a projetar um comportamento de mercado em 2026 bastante semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado”, afirma.>
O desempenho da produção nacional em 2025 foi impulsionado pelo crescimento nas exportações, que avançaram 32,1% comparado a 2024 e alcançaram 528,8 mil unidades, melhor marca desde 2019. Entre os principais importadores de carros produzidos no Brasil, o maior destaque foi a Argentina, que foi responsável por 85% dessas unidades. >
No entanto, dezembro foi o pior mês desde abril de 2020 para exportações, com um decréscimo de 47,7% no volume em relação a novembro de 2025 e de 38,1% comparado a dezembro de 2024. >
Para 2026, a expectativa da Anfavea é que as exportações cresçam 1,3% e cheguem a 536 mil unidades.>
As importações também tiveram um papel importante no mercado brasileiro em 2025, com 497,7 mil unidades. Destas, 37,6% vieram da China, que foi a nação que mais exportou veículos para o Brasil de janeiro a dezembro. Ao todo, 50,2% dos importados no ano passado vieram de países que não fazem parte do Mercosul e excluindo, também, o México.>
A ascensão da China na lista de países de origem dos carros que chegam ao Brasil é um cenário que ganha força desde 2020. Em 2025, este movimento ganhou força com a estreia de seis novas marcas do país oriental, incluindo nomes como Omoda & Jaecoo, GAC, Geely e Leapmotor. >
Por outro lado, algumas marcas chinesas que já estavam no país buscaram expandir a atuação ao produzir veículos nacionalmente, como foi o caso da BYD, o que pode contribuir para números menos expressivos em 2026.>
“Nossa expectativa é que o fluxo de entrada de modelos eletrificados importados se reduza ao longo de 2026, com o início da produção nacional de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no país, o fim dos incentivos à importação de kits para SKD e CKD e a recomposição da alíquota do Imposto de Importação, prevista para julho”, pontua Igor Calvet.>
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