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Entenda por que o metro quadrado de Vitória valorizou tanto em 2020

Especialistas do mercado imobiliário analisam os fatores que contribuíram para a alta de 7,46% do valor dos imóveis prontos no ano passado

Publicado em 07/01/2021 às 14h21
Bairro Praia do Canto
Praia do Canto está entre os bairros de Vitória com o metro quadrado mais alto, atrás apenas de Santa Luíza. Crédito: Carlos Alberto Silva

Com uma valorização média de 7,46% no preço dos imóveis residenciais em Vitória, segundo o índice FipeZap, a capital capixaba ficou entre os cinco maiores aumentos entre 50 cidades pesquisadas pelo índice, divulgado na terça-feira (5). Foi a maior valorização do metro quadrado nos últimos cinco anos e pelo menos três fatores justificam esse alto índice, segundo especialistas do mercado imobiliário: escassez de terrenos, poucos lançamentos e alta procura durante o ano de 2020.

A pandemia do novo coronavírus exerceu um papel importante na alta de preços, segundo afirma o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Sandro Carlesso. Com o isolamento social, muitas pessoas começaram a trabalhar de casa - home office - e, com isso, começaram a ter necessidades que antes não tinham durante o trabalho presencial.

“O ano de 2020 teve uma demanda muito alta, impulsionada pelo isolamento social, pois muitas pessoas passaram a procurar um imóvel melhor para morar e atender às novas necessidades do home office. E muitas empresas seguraram os lançamentos que seriam feitos no início do ano passado, por conta da crise de 2017 a 2019 e da pandemia”, observa Carlesso.

R$ 7.109

É O VALOR MÉDIO DO METRO QUADRADO NA CIDADE DE VITÓRIA

Com isso, aumentou a procura por imóveis prontos e, com a menor quantidade de lançamentos, os estoques do mercado foram baixando, o que promoveu uma valorização nos imóveis de terceiros, afirma Carlesso. “Era esperado esse aumento (de 7,46%), pois não havia lançamentos, e quando aconteceram já chegaram com valores maiores”, afirma.

Soma-se a isso também a escassez de terrenos para construir novos empreendimentos em Vitória e outras restrições, segundo Carlesso, como o aeroporto dentro da Capital, que “restringe projetos; os terrenos de Marinha, que deixam algumas áreas impraticáveis para construção, e o Plano Diretor Urbano (PDU) que ficou bem restritivo, prejudicando mais lançamentos”.

SANTA LUÍZA

De todos os bairros da Capital, o que teve o aumento mais significativo foi Santa Luíza, que se consolida como o metro quadrado mais caro de Vitória: R$ 8.803, ficando à frente de bairros consolidados como Praia do Canto (R$ 8.295), Barro Vermelho (R$ 8.135), Mata da Praia (7.936) e Jardim da Penha (R$ 5.921).

Segundo o diretor da Ademi-ES Eduardo Terra da Silveira, a justificativa está na proximidade do bairro com áreas nobres e muito procuradas em Vitória, como Praia do Canto e Barro Vermelho. No entanto, por ser um bairro com construções mais antigas e poucos imóveis à venda, a alta de Santa Luíza deve-se em parte a essa escassez e também a poucos lançamentos recentes feitos dentro do bairro ou em suas adjacências, que contribuíram para elevar o valor do metro quadrado construído.

“O mercado de terceiros (imóveis prontos) era praticamente inexistente no bairro, pois não tinha como achar um imóvel pronto e em condições de venda. A proximidade com a Praia do Canto e Barro Vermelho aumentou a procura pela região e a subida de preços foi reflexo dessa demanda represada, aliada ao custo mais alto da construção civil, uma vez que material de construção teve alta no ano passado”, observa.

NOVOS AUMENTOS

Segundo Silveira, para 2021 não se deve esperar uma valorização tão alta quanto em 2020. “Estabilizando a economia, os lançamentos devem continuar, com valores mais altos por conta de custos, só que mais normalizados. Não devemos esperar um patamar na faixa dos 7% para este ano”, avalia.

Segundo Silveira, o número mais alto de lançamentos, como aconteceu no terceiro trimestre de 2020, deve continuar neste ano, mas as construtoras e incorporadoras devem seguir com cautela na hora de definir o valor do metro quadrado de suas unidades, por conta da inflação e também dos custos dos materiais de construção. “Os lançamentos devem chegar com valores mais altos, mas não proibitivos, pois o mercado se autoajusta”, disse.

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