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Futebol capixaba

Rio Branco venceu a Portuguesa na primeira edição do Brasileirão, em 1937

Jogo do antigo Torneio dos Campeões foi o primeiro entre os tradicionais times, que hoje estão na Série D

Publicado em 07 de Maio de 2025 às 16:31

Sidney Magno Novo

Publicado em 

07 mai 2025 às 16:31
Time do Rio Branco, no Brasileirão de 1937
Time do Rio Branco, no Brasileirão de 1937 Crédito: Arquivo/Rio Branco AC
Na quarta rodada do Campeonato Brasileiro Série D, acontece o encontro dos dois clubes mais tradicionais do Grupo 6: Portuguesa e Rio Branco. Em 2025, completou 88 anos do primeiro jogo oficial entre os times, que terminou com a vitória do Capa-Preta sobre a Lusa, por 3 a 2, pelo antigo Torneio dos Campeões, em 1937. Recentemente, a competição foi reconhecida pela CBF como a primeira edição do Brasileirão.
Tricampeão capixaba (34/35/36) e bicampeã paulista (35/36), Rio Branco-ES e Portuguesa, respectivamente, foram os representantes dos seus Estados no Torneio dos Campeões. O Brasileirão de 1937 ainda contava com as participações de Aliança e Liga da Marinha (ambos do Rio de Janeiro) e de Atlético-MG e Fluminense, que posteriormente seriam campeão e vice da competição.
O Capa-Preta teve que passar pela fase preliminar, antes de entrar no quadrangular final. Na eliminatória, o time do Espírito Santo derrotou a Liga da Marinha, por 2 a 0, no estádio Governador Bley, em Vitória, e avançou. O atacante Caxambu marcou os dois gols do Brancão.
No quadrangular final, o Rio Branco se juntou à Portuguesa, Atlético-MG e Fluminense para a disputa do título. O formato era simples e de pontos corridos. Os times jogavam entre si, em turno e returno, e ao final das seis rodadas, o melhor classificado seria declarado campeão. O caminho do Capa-Preta começou em casa, diante da Lusa.

Como foi o jogo?

Time do Rio Branco, no Brasileirão de 1937
Time do Rio Branco, no Brasileirão de 1937 Crédito: Arquivo/Rio Branco AC
De acordo com relatos do jornal A Gazeta, na noite de 14 de janeiro de 1937, na região do bairro Jucutuquara, onde fica localizado o estádio Governador Bley, caiu uma chuva torrencial. O temporal fez com que a organização adiasse o início da partida por pelo menos 10 minutos. Como a tempestade não cessou, foi decidido que o jogo seria disputado mesmo em condições adversas. Visitante, a Portuguesa foi saudada com aplausos pelos torcedores que lotaram a arquibancada e o entorno do estádio. Na entrada do Rio Branco, uma queima de fogos de artifícios e muita festa. No entanto, o clima amistoso ficou apenas no pré-jogo.
Com a bola rolando, Capa-Preta e Lusa travaram uma batalha sob muita chuva e com o campo lamacento. O time capixaba logo abriu o placar, aos três minutos, com Caxambu, completando um passe de Renato. Aos nove, a Lusa empatou em um chute de fora da área de Joãozinho.
O primeiro tempo foi movimentado e quase Caxambu marcou o segundo do Brancão, em uma cabeçada que a bola acertou a trave do goleiro Rodrigues. No lance seguinte, o time paulistano chegou a balançar as redes, com Pasqualino, no rebote do goleiro Dias III. No entanto, o árbitro Theobaldo Santos anulou o gol e marcou posição irregular. A decisão do juiz causou uma revolta nos jogadores da Lusa, que ameaçaram deixar o campo.
Antes do intervalo, aos 40 minutos, o Rio Branco voltou a ficar na frente. Após um cruzamento da esquerda, o goleiro Rodrigues não conseguiu segurar a bola e Lacínio aproveitou para fazer o segundo do Capa-Preta.
Na etapa final, aos 10 minutos, mais um lance controverso. Segundo os relatos do jornal A Gazeta, em uma jogada pela esquerda, Renato se livrou da marcação e saiu com a bola pela linha de fundo. O árbitro não viu a irregularidade, deixou o lance prosseguir e o atacante acabou sendo derrubado na área por Serafini. O juiz marcou a penalidade, em favor do time capixaba, o que gerou um novo protesto do time paulistano. O jogo ficou paralisado por mais seis minutos até a cobrança de Pereira, que marcou o terceiro gol do Capa-Preta.
Atrás do marcador, a Portuguesa pressionou o Rio Branco e conseguiu fazer o segundo gol apenas fim da partida. Aos 48 minutos, Aurélio recebeu na área e finalizou sem chances para o goleiro Dias III. Assim terminou o primeiro confronto oficial da história entre Capa-Preta e Lusa.
Em 1937, na primeira edição do Brasileirão, Rio Branco venceu a Portuguesa
Em 1937, na primeira edição do Brasileirão, Rio Branco venceu a Portuguesa Crédito: Arquivo/Cedoc/A Gazeta

Rio Branco 3 X 2 Portuguesa

Torneio dos Campeões (Campeonato Brasileiro 1937)
  • Data: 14 de janeiro de 1937
  • Horário: 22h
  • Local: Governador Bley (Vitória, ES)
  • Árbitro: Theobaldo Santos
  • Gols: Caxambu (RBC) aos 03min, Joãozinho (POR) aos 09min e Lacínio (RBC) aos 40min do 1º tempo. Pereira (RBC) aos 16min e Aurélio (POR) aos 48min do 2º tempo.
Rio Branco: Dias III, Humberto, Vicente, Allemão, Pereira, Zemar, Marcionílio, Alcy, Caxambu, Lacínio e Renato.
Portuguesa: Rodrigues, Serafini, Oswaldo, Fioroti, Silva, Barros, Joãosinho, Aurélio, Duílio, Laércio e Pasqualino.

Sorteios de perfumes, tecidos e doce de figo para o melhor jogador

Jornal A Gazeta do dia 14 de janeiro de 1937, traz o pré-jogo de Rio Branco x Portugues
Jornal A Gazeta do dia 14 de janeiro de 1937, traz o pré-jogo de Rio Branco x Portugues Crédito: Arquivo/Cedoc/A Gazeta
O lateral-direito Cayo Tenório foi eleito o melhor jogador do Rio Branco-ES, nas duas últimas partidas da Série D do Brasileirão 2025. O prêmio que o ala recebeu foi o reconhecimento do clube, em uma ação conjunta com o patrocinador, ao fazer uma postagem nas redes sociais. Em 1937 era diferente.
Os diversos comerciantes da época, que apoiavam o Capa-Preta, presenteavam os destaques com prêmios que iam de uma gravata até um doce. Isso mesmo, uma sobremesa. Eleito o melhor jogador da vitória sobre a Portuguesa, o goleiro Dias III foi ganhou uma camisa de tricoline. O arqueiro do também havia recebido um doce de figo com mel pela atuação na partida anterior, diante da Liga da Marinha. Os atacantes Caxambu e Renato também receberam presentes pelo desempenho contra a Lusa. Autor do primeiro gol, Caxambu ganhou uma camisa de seda e uma gravata. Já Renato, autor da assistência, recebeu um chapéu de feltro e um perfume.
Os brindes não se restringiam somente aos jogadores. Nos jogos do Rio Branco, no Governador Bley, pelo Torneio dos Campeões, sempre tinham sorteios para os torcedores. Para a partida contra a Lusa, foram sorteados: um corte de seda para vestido, um estojo de perfume, um estojo de unhas, um vidro de perfume, um vidro de água de colônia, uma caixa de sabonetes e dois engradados de cerveja.

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