ASSINE

Leitores criticam plano para volta às aulas: "um perigo"

Federação Nacional das Escolas Particulares vai apresentar ao MEC proposta com 17 medidas sanitárias a serem adotadas nos colégios, como uso obrigatório de máscara, sapato extra para entrar nas salas e distância de um metro entre alunos

Publicado em 05/05/2020 às 12h03
Atualizado em 05/05/2020 às 12h03
O Censo Escolar é o principal instrumento de coleta de informações da educação básica e o mais importante levantamento estatístico educacional brasileiro
Plano para retorno às aulas será apresentado ao MEC. Crédito: Marcello Casal Jr/Agencia Brasil

Em meio à pandemia do coronavírus, um dos temas mais debatidos pela sociedade é a retomada do ano letivo para milhares de alunos brasileiros. É preciso achar o equilíbrio exato entre a garantia da qualidade da educação e a segurança no retorno das atividades. A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), que representa cerca de 42 mil colégios no país, montou um plano que será apresentado às secretarias de educação municipais, estaduais e ao Ministério da Educação (MEC).

A proposta prevê 17 medidas sanitárias a serem adotadas, entre elas que os alunos levem sapato extra para entrar nas salas, troquem de máscara a cada 3 horas e guardem ao menos um metro de distância um dos outros. O protocolo também estabelece, por exemplo, que todas as salas tenham álcool em gel e que todos tenham a temperatura medida antes de entrar na escola.

O plano não foi bem recebido pelos leitores de A Gazeta. Nas redes sociais, muitos internautas apontaram a dificuldade para aplicar as medidas sanitárias, especialmente na rede pública de ensino. Também indicaram os riscos com os pacientes assintomáticos. Confira alguns comentários:

Prefiro meus filhos com o ano escolar perdido, mas com saúde, do que na escola dessa forma. Enquanto isso não acabar, é não à escola. Com a abertura do comércio, estão surgindo casos atrás de casos, aí vamos por nossos filhos sob esse risco? (Simone Moreira) 

Faculdades lotadas, sem contar que a maioria usa vans e ônibus… literalmente não dá. (Jociela De Angeli Pelissari)

Como vão manter um metro de distância entre os alunos, em faculdades com salas pequenas para acomodar alunos em períodos normais? Totalmente irresponsável a retomada das aulas. Tem alunos de todas as idades, do grupos de risco. No comércio tem que ter 10 metros quadrados por pessoa, sendo que as pessoas não ficam por muito tempo dentro das lojas. Agora em sala de aula, a distância diminui para um metro e os alunos ficam por horas no mesmo lugar. (Fernanda Comarella Saad Campagnaro)

Pois os meus filhos não vão, se para adultos já é difícil ficar de máscara, imagina uma criança. Não concordo com essa decisão. (Lais Santos)

Só pode ser piada isso. Quem participou da elaboração dessas normas com certeza nunca entrou em uma escola pública. Par de sapatos extras (muitas vezes alunos não têm nem o que calçar), manter mais de um metro de distância (as salas mal comportam os alunos, mesmo espremidos) e por aí vai... Normas feitas por pessoas detrás de uma mesa, de terno e gravata, com ar-condicionado ligado no máximo. (Viana Boreli)

A ideia é boa, mas infelizmente nas escolas públicas não vai sair como planejado. Escolas com salas cheias. E outra, em lugares mais humildes, será que as crianças vão ter outro par de sapato para trocar?? E a troca das máscaras, quem vai observar? As professoras?! Muitas vezes nem sabão tem no banheiro... será que vai ter álcool em gel? (Solane Borchardt)

E não é só esse o problema... quando a criança apresentar a febre, já passou o vírus para um monte de gente. (Simone del Vecchio)

Por acaso os filhos de vocês estudam em escola particular? Nas escolas públicas há diretores, pedagogas e professores tão competentes quanto nas particulares. O CMEI em que meu filho estuda é ótimo, tem papel higiênico, tem sabonete. Só levo de casa o copinho dele, que tem ser individual. Uma equipe de trabalho maravilhosa, salinha dele tem banheiro e até ar-condicionado, e é da prefeitura… (Penha Barbosa)

Não tem nem papel higiênico no banheiro dos alunos na escola que eu trabalho, quem dirá sabão. Álcool em gel? Sonho. (Fernanda Lopes Gonoring)

É verdade. Na escola em que minha filha estuda nunca nem tem papel higiênico, imagina tudo isso. Se eles retornarem com as aulas, a minha filha não vai. (Marciana Souza)

A criança vai tocar a máscara com as mãos sujas o tempo todo. Quem vai vigiar? (Nita Traba)

Eu estudo em rede estadual e minha escola vive limpa, banheiro impecável, coordenadoras passando a cada minuto, todos os profissionais fazem de tudo para a escola evoluir. Não é porque é público que é mais complicado. Nem escola particular fica observando aluno a cada minuto, não. (Danielle Lodi)

Essas salas de aula não têm professor, não? Parece que as crianças ficam sozinhas em uma sala de aula. Tudo é uma questão de adaptação, de ensinar e ter paciência e muito amor, elas aprendem rápido. (Leila Costa)

Não adianta ter diretores e professores qualificados se não tem verba para fazer acontecer as coisas, aliás verba tem, mas nunca chega às escolas públicas. (Graziele Porto)

É a pior decisão que poderão tomar. E a higienização dos ambientes, a aglomeração na hora de recreio? Coisa de louco fazerem isso. Suicídio coletivo. (Keila Douro Klein)

Um metro de distância um do outro? Sapato extra? Esqueceram que aqui é Brasil. Escolas com turmas onde o professor tem 40 alunos, crianças que nem um chinelo tem, quem dirá um para reserva. Quanto a trocar de máscaras três vezes ao dia, nem vou comentar. Me pergunto se quem está fazendo esses planos conhece realmente a realidade das escolas públicas no Brasil. (Lorena Paula)

Será que esse povo tem filhos em escola? Acho que não, com tudo isso qual pai, mãe vai deixar seus filhos irem para escola? Principalmente os pequenos que não tem ideia da higiene que tem que ter. (Marcileia Penha Guinsberg)

Sou professora de adolescentes e sei como eles são, não vão fazer distanciamento. Adoram ficar grudados. Sou totalmente contra essa ideia. Colocaria meus meninos e meninas em perigo, suas famílias, as pessoas que trabalham na escola e seus familiares também. Meus pais são grupo de risco. Sem falar que somos escola pública, com todas as suas dificuldades dentro e fora. (Neide Maria de Faria)

As escolas particulares estão é com medo de perder dinheiro. Absurdo uma proposta dessa. Crianças jamais vão conseguir respeitar isso… (Samiramis Baldotto Silva Lessa)

Eu não mando minha filha. Já conversei com ela. Melhor perder o ano que a vida. A sala de aula não é ventilada e são muitos alunos. E imagina expor os professores a esse perigo, muitos estão no grupo de risco. Um absurdo! Estamos falando de vidas! (Yara Cristo)

Sem contar que o uso da máscara é de 2 horas... Como vai ficar? Tem que mandar duas máscaras para nosso filho? A carga horária vai reduzir? Os cuidados que estou tendo com meu filho em casa serão os mesmos dados na escola? Será que os pais do coleguinha estão seguindo à risca com a higienização, distanciamento etc., igual eu estou fazendo? Complicado demais! (Nandah Dionízio)

Suicídio coletivo dos alunos e de toda comunidade escolar, essa é a pura e cruel verdade. Que loucura dos nossos governantes permitirem a volta às aulas antes de agosto deste ano! Se eu tivesse filho ou filha, jamais deixaria ir à escola nesta pandemia descontrolada do coronavírus. (Rosiane Sangali)

São 13 anos como professora. São 13 anos em que vejo alunos que não têm sequer um tênis para frequentar as aulas. Vemos nestes dias muitas pessoas não cumprindo as orientações dadas, não acredito que crianças e adolescentes vão cumprir (digo 100%) as orientações de uso adequados de máscaras e materiais de uso coletivo. Então, sinceramente, eu não tenho coragem de enviar meus filhos para a escola e como professora irei atormentada. (Alcineia Costa)

Contaminação geral nas escolas. Turmas com 35 a 40 alunos. Não tem funcionário com paninho e álcool para desinfetar os 3 turnos, mal tem para limpar o grosso da poeira. Máscara sumindo e rasgando entre os colegas e pais na escola pra tirar satisfação. Fora tosse e espirro, ninguém por perto. (Andréa Schaeffer)

Acredito que as medidas não se restringem apenas em medição de temperatura e uso de máscaras. Antes da retomada do ano letivo, precisamos sobretudo ter segurança para alunos e para os profissionais que compõem uma unidade de ensino. É necessário expandir o pensamento, porque muitos não apresentarão sintomas para a Covid-19. Amo a minha profissão, mas para continuar fazendo educação preciso estar viva. (Jacqueline Dias Silva)

Vai ser uma tarefa bem difícil. Na educação infantil as crianças tem mais febre, resfriados, viroses e outras doenças relacionadas à idade. Será difícil protegê-los, nos proteger e consequentemente suas famílias, pois as orientações de proteção são complicadas para adulto, quanto mais para crianças. (Adriana Lomba)

E os pacientes assintomáticos? Muitos não têm nenhum sintoma, mas infelizmente transmitem! E os transportes? Muitas perguntas, poucas soluções! (Elenice Falqueto Zardo)

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.