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Retomada do Brasil deve se pautar no básico: educação e industrialização

Se o Brasil tivesse investido massivamente em educação e criado cenário favorável à indústria nacional, certamente não teríamos tamanha escassez de recursos e estaríamos muito mais preparados para o isolamento

Publicado em 19/04/2020 às 14h00
Atualizado em 19/04/2020 às 14h00
Trabalhador da indústria
Trabalhador da indústria. Crédito: Pixabay

A pandemia de coronavírus trouxe reflexões interessantes. Quem imaginou que em um mundo onde se tem como escopo coletivo a união dos povos, a construção de pontes e a globalização cultural, pudéssemos defender o isolamento social? Um mundo em que é mais perigoso ir ao supermercado que pedalar na praia? Um mundo dominado pelas regras de mercado, de máxima efetividade na produção e nos resultados, em que pudéssemos pedir socorro ao Estado?

Esta é a humanidade de 2020. Muitos economistas, políticos, investidores e empresários que sempre se intitularam clássicos ou neoclássicos, que abusaram da defesa de um Estado mínimo, admitem agora uma atuação keynesiana, em que o Estado adota medidas sociais de socorro aos pobres, aos trabalhadores e aos empresários.

Mas mais impressionante nesta crise é a percepção sobre industrialização. Nas últimas décadas, sendo a China a fábrica do mundo, poucos defendiam o estabelecimento de indústrias nacionais como política de desenvolvimento econômico. “Designed in California, made in China” era o lema.

Países desenvolvidos investiam em educação e tecnologia, absorvendo as ocupações mais bem remuneradas do mundo, desenvolvendo e desenhando novos produtos. A fabricação, agora com baixo valor agregado, ficava a cargo da China. O Brasil, com baixos investimentos em educação, não só ficava para trás no desenvolvimento tecnológico, como perdia indústria para o colega do BRICS, aumentando a classe de desempregados e trabalhadores informais.

A pandemia se mostrou como uma intensa reviravolta daquelas da série de TV “Billions”. O mundo se vê num excesso de demanda por produtos médicos que são produzidos onde? Pois é. Se historicamente o Brasil tivesse investido massivamente em educação e criado um cenário favorável à indústria nacional, certamente não teríamos tamanha escassez de recursos e nosso mercado e nossa população estariam muito mais preparados para o isolamento, trazendo notável economia ao Estado e melhores condições aos cidadãos para suportar a crise. Em conclusão, a reestruturação do país deverá se pautar no básico, educação e industrialização.

O autor é juiz do Trabalho, professor, mestre em Processo Civil e especialista em Direito do Trabalho

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