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Processo na Câmara

Relator marca data para entregar parecer sobre cassação de vereador de Vitória

Baiano do Salão foi condenado a 31 anos e seis meses de prisão por estupro e lesão corporal contra uma criança; relatório indicará se o processo seguirá ou será arquivado pelo Legislativo

Publicado em 05 de Agosto de 2026 às 15:37

Julia Camim

Publicado em 

05 ago 2026 às 15:37
Vereador de Vitória Baiano do Salão
Baiano do Salão disse que condenação é resultado de perseguição política. Instagram/@baianodosalao.vereador

O relatório preliminar que indicará se o processo de cassação contra o vereador de Vitória Orlando Rodrigues de Souza, o Baiano do Salão (Podemos), vai prosseguir ou ser arquivado na Câmara ficará pronto na próxima segunda-feira (10). A informação é do relator do caso em comissão processante, o também vereador Armandinho Fontoura (PL).


Baiano do Salão foi condenado a 31 anos e seis meses de prisão pelos crimes de estupro e lesão corporal contra uma criança de 5 anos. Conforme a colunista Vilmara Fernandes, os abusos e agressões ocorreram ao longo de quatro meses, em 2020.


Tanto o vereador quanto a defesa dele foram procurados, nesta quarta (5), para comentar o andamento do processo na Câmara. Porém, não houve retorno aos contatos da reportagem. No último mês, Baiano do Salão manifestou-se pela primeira vez sobre a condenação. Em carta pública, o parlamentar afirmou ser inocente e disse que a condenação é resultado de perseguição política.


"Estou sendo vítima de uma grande injustiça, marcada por elementos que evidenciam uma perseguição pessoal e política, cujo objetivo é atingir minha honra, minha imagem e a trajetória que construí ao longo dos anos de vida pública", afirma o vereador no comunicado (leia o texto na íntegra ao fim desta matéria).


Protocolada pelo presidente da Câmara, Anderson Goggi (Republicanos), a comissão processante para analisar a denúncia foi instalada por unanimidade. Caso o relatório defenda o arquivamento do caso, a decisão será votada em plenário. Se a decisão for pelo prosseguimento do processo, será iniciada a fase de instrução, com as oitivas das testemunhas, o depoimento do denunciado e as demais diligências. 

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Próximos passos

Segundo Armandinho Fontoura, que afirmou ter recebido nesta quarta-feira (5) a defesa de Baiano do Salão, tudo será feito “com muita tranquilidade”, garantindo amplo direito à defesa ao denunciado. 


Baiano do Salão deverá ser intimado de todos os atos com pelo menos 24 horas de antecedência. 


Em nota, o presidente da comissão, vereador João Flávio (MDB), informa que o processo de cassação “segue em tramitação regular, com observância do rito e dos prazos previstos no decreto-lei nº 201”. Também faz parte do grupo que analisa o caso a vereadora Ana Paula Rocha (Psol).


Ainda em nota, a Câmara informa que, a fim de garantir imparcialidade, os integrantes da comissão e os demais vereadores não se manifestarão publicamente sobre o mérito do caso. O Legislativo lembra que se trata de um processo complexo, que tramita em segredo de Justiça na esfera judicial, por envolver informações sensíveis, inclusive de menores de idade.


Se o processo de cassação avançar, quando for encerrada a fase de coleta de provas e oitivas, haverá um prazo de cinco dias para que o vereador denunciado apresente defesa consolidada, com base nas provas produzidas. Depois disso, será elaborado um parecer conclusivo e convocada uma sessão de julgamento.


Para que o mandato de Baiano do Salão seja cassado, é necessário que dois terços dos vereadores, ou seja, 14 parlamentares, votem nesse sentido.


Todo o processo deverá ser concluído dentro do prazo máximo legal de 90 dias, contado a partir da notificação do vereador, ocorrida, segundo a Câmara, em 27 de julho.

Carta sobre condenação

'Perseguição política', diz vereador

"Venho a público, com serenidade e profundo respeito à população, afirmar de maneira clara e categórica a minha inocência em relação às acusações que têm sido divulgadas. Estou sendo vítima de uma grande injustiça, marcada por elementos que evidenciam uma perseguição pessoal e política, cujo objetivo é atingir minha honra, minha imagem e a trajetória que construí ao longo dos anos de vida pública. 
As provas técnicas produzidas à época dos fatos, especialmente o laudo pericial, o relatório psicossocial realizado com a criança e o inquérito policial corroboram as afirmações que sempre apresentei e demonstram a inconsistência das acusações que me foram atribuídas. Confio na justiça, confio que o reexame desses elementos será determinante para o pleno esclarecimento da verdade. 
Minha história sempre foi pautada pelo trabalho em favor da comunidade, pela defesa das pessoas mais simples e pela busca constante de melhorias para a população. Ao longo da minha vida pública, dediquei meus esforços à ajuda ao próximo, a defesa dos mais vulneráveis, ao desenvolvimento social e ao fortalecimento das ações comunitárias em benefício daqueles que mais precisam. Reafirmo minha confiança na Justiça e no Estado Democrático de Direito. 
Tenho convicção de que, ao final do devido processo legal, a verdade prevalecerá e minha inocência será plenamente reconhecida. Agradeço o apoio, as orações e as manifestações de confiança recebidas de familiares, amigos e cidadãos que conhecem minha conduta e minha dedicação ao serviço público. 
Seguirei colaborando com as autoridades competentes, mantendo a confiança na imparcialidade dos julgadores, com a tranquilidade de quem sabe da própria inocência e com a certeza de que a justiça será feita."

Atualização

05/08/2026

O texto foi atualizado com a inclusão de comunicado divulgado por Baiano do Salão no mês passado, após a condenação.

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