Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Entrevista

Redução da escala 6x1 será votada neste semestre, afirma Guilherme Boulos

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República ainda disse que o governo lançará aplicativo para população definir o orçamento e declarou que não pretende deixar o ministério para disputar as eleições de 2026

Publicado em 21 de Janeiro de 2026 às 14:27

Vinicius Zagoto

Publicado em 

21 jan 2026 às 14:27
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol), afirmou, nesta quarta-feira (21), que a discussão sobre o fim da escala 6x1 está avançando no Congresso e deve ser votada em plenário ainda neste semestre. A declaração foi feita durante o programa "Bom dia, ministro", do CanalGOV, que contou com a participação de A Gazeta.
"Direito do trabalhador é um tema inegociável para o presidente Lula. O empresário vai resistir? Lógico, ele está querendo aumentar o seu lucro, quer que o trabalhador, se possível, até fosse 7x0, nem 6x1. Então, nós vamos levar esse tema até o final, e vou te dar uma boa notícia: está avançando muito bem o diálogo com setores do Congresso", declarou Boulos.
O fim da escala de seis dias de trabalho com somente um de descanso foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em dezembro. A ideia ganhou força ao longo de 2025 e se tornou um dos principais temas defendidos por partidos de esquerda, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A proposta é que a jornada de trabalho passe das 44 horas semanais vigentes para 36 horas semanais sem redução do salário do trabalhador. Os dias trabalhados seriam reduzidos a cinco por semana, com dois de descanso remunerado, preferencialmente aos sábados e domingos. Para entrar em vigor, haveria uma regra de transição. No primeiro ano posterior à eventual promulgação da emenda constitucional, a jornada passaria para até 40 horas em cinco dias por semana. Depois, haveria redução de uma hora de trabalho semanal a cada ano, até chegar a 36 horas.
No Espírito Santo, entidades como a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-ES) se manifestaram contra a proposta.

Direitos a motoristas de aplicativos

Durante a entrevista, Boulos disse que se reuniu na semana passada com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para discutir não só a redução na jornada, mas também direitos para motoristas de aplicativos de transporte e entrega.
Boulos afirmou que se reunirá novamente com Motta e com o relator da proposta que envolve os motociclistas, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), na primeira semana de fevereiro, para voltar a conversar sobre o tema. Em dezembro, foi montado um grupo de trabalho, com previsão de duração de 60 dias, para debater as propostas dos entregadores.
"A gente juntou ministérios, que de algum modo têm relação com o tema, para apresentar uma proposta a partir da visão dos trabalhadores. Porque essa foi uma coisa que o Lula me pediu: 'Olha, o empresário, principalmente o grande empresário, sempre teve trânsito livre nos palácios de Brasília. Trabalhador, quando precisar, tem que ser recebido dentro do Palácio do Planalto'. E o que nós estamos fazendo é garantir que os entregadores de aplicativo, os motoristas de Uber, tenham acesso aberto ao Palácio para levar as suas realidades e as suas reivindicações", afirmou Boulos.
Segundo Boulos, uma das propostas é construir pontos de apoio nas cidades para os entregadores, com espaço para o trabalhador descansar, se alimentar e conseguir recarregar o celular.

Orçamento do povo

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência ainda afirmou que vai lançar em fevereiro o "Orçamento do Povo", ferramenta digital pela qual a população poderá opinar sobre a destinação das emendas parlamentares. A expectativa é disponibilizar a ferramenta para todas as Capitais e atingir os moradores de até 400 municípios no primeiro ano de funcionamento.
A votação será por meio de um aplicativo do governo federal, mas há uma discussão em andamento para que a população possa escolher a destinação do orçamento pelo WhatsApp.
"O Brasil todo está acompanhando o escândalo do Orçamento Secreto, que é pegar uma fatia gigante do orçamento — este ano ficou em R$ 61 bilhões — em emenda parlamentar. E, muitas vezes, isso não tem transparência, não se sabe para onde o dinheiro está indo. Queremos mostrar que é possível o povo se apropriar do orçamento, criar a cultura do povo decidir o que precisa para o município", contextualizou.

Eleições 2026

Boulos foi o deputado federal mais votado em São Paulo nas eleições de 2022. No pleito municipal de 2024, ficou em segundo lugar na disputa pela prefeitura da capital paulista. Ao aceitar o convite de Lula para ser ministro, em outubro de 2025, surgiu a dúvida se ele ficaria até o fim do mandato ou se sairia em abril de 2026, uma vez que, para disputar cargos nas eleições deste ano, é necessário se descompatibilizar. 
Questionado se pretende deixar o governo, Boulos afirmou que seguirá até o fim do mandato de Lula e que deve atuar somente no fortalecimento do palanque do presidente em São Paulo.
"Eu tenho o compromisso de ajudar o presidente a garantir um bom palanque em São Paulo. Eu tenho participado de conversas, feito conversas com colegas, para que a gente consiga um palanque forte e competitivo no Estado de São Paulo, com o maior número de eleitores do Brasil, para que saia bem na eleição de outubro", afirmou o ministro.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Como suas roupas velhas podem ir parar neste deserto no Chile
Imagem de destaque
Os homens que estão criticando as tendências de 'masculinidade' nas redes sociais
Câmara de Vereadores de Vitória
Vereadores de Vitória aprovam aumento de 20% no próprio tíquete-alimentação

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados