Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Abuso de poder político

Prefeito e vice de Itapemirim têm mandatos cassados pela Justiça Eleitoral

Juiz considerou abuso de poder político nomeações feitas durante o ano eleitoral. O número de servidores comissionados na prefeitura é maior que a diferença de votos que definiu o resultado da eleição

Publicado em 05 de Fevereiro de 2021 às 19:11

Ana Clara Morais

Publicado em 

05 fev 2021 às 19:11
Prefeito de Itapemirim, Thiago Peçanha, e vice-prefeito Nilton Santos
Prefeito de Itapemirim, Thiago Peçanha, e vice-prefeito Nilton Santos Crédito: Facebook/Thiago Peçanha
A Justiça Eleitoral determinou, nesta sexta-feira (05), a cassação dos mandatos do prefeito de Itapemirim, Thiago Peçanha (Republicanos), e do vice, Nilton Santos (Republicanos), por abuso de poder político. Peçanha era prefeito interino do município e, no entendimento da Justiça, utilizou a máquina pública para vencer a eleição. O juiz Romilton Alves Vieira Junior, da 22ª Zona Eleitoral de Itapemirim, também determinou que o prefeito fique inelegível por oito anos. Peçanha e Santos ainda podem recorrer e permanecem nos cargos até que o Tribunal Regional Eleitoral  (TRE-ES) julgue o caso.
A ação foi proposta por Rodrigo de Almeira Bolelli, presidente da coligação que uniu PSB, DEM, PSD, Podemos, Avante e PP em 2020. O juiz eleitoral considerou abuso de poder político as nomeações de estagiários e comissionados feitas por Thiago Peçanha durante o ano eleitoral. O magistrado ressaltou, na decisão, que durante o ano passado o número de servidores comissionados cresceu 60%, passando de 401 em 2019 para 610 em 2020. No quadro de estagiários, o aumento foi ainda mais expressivo: 510%, passando de 171 estagiários em 2019 para 946.
Ao todo, a prefeitura conta com 1.665 servidores comissionados nomeados por Peçanha. "É inadmissível e gera desequilíbrio eleitoral, até porque a diferença de votos foi de 1.541 , quando os requeridos (prefeito e vice) tiveram 13.934 votos (51,74%) e o segundo colocado 12.393 votos (46,02%)", apontou o magistrado. A conduta, concluiu Vieira Junior, caracteriza abuso de poder político.
"Ora candidato, utilizou-se da estrutura da administração pública das mais variadas formas para obter vantagem na campanha eleitoral do ano de 2020, o que se mostrou bastante eficaz, inclusive com a sua reeleição para o cargo. Assim, o abuso de poder político ficou configurado através do uso da máquina administrativa em prol do atual prefeito, que obteve a reeleição na eleição majoritária de 2020", assinalou o juiz.
Além disso, a Justiça também viu como conduta semelhante uma licitação para compra de novilhas que seriam distribuídas gratuitamente para produtores rurais do município. É proibido dar início a projetos sociais em ano eleitoral.
"Portanto, verifico que foi realizada licitação nas vésperas do início do ano eleitoral para aquisição de 800 novilhas embrionárias, pelo preço estimado de R$ 7.606.669,00, quando, ainda, após formalização do contrato administrativo, no ano de 2019, para a compra de apenas 50 novilhas (6,7% do total da compra), foi formalizado outro contrato em janeiro de 2020 para a aquisição de 650 novilhas embrionárias licitadas (97,3% do total da compra), ou seja, realmente o programa social iniciou-se efetivamente no ano eleitoral de 2020", registrou, na decisão.
Diante do que foi exposto, o magistrado determinou a anulação dos votos recebidos pela chapa do Republicanos, a cassação do mandato de prefeito e vice e a inelegibilidade de Thiago Peçanha. Nilton Santos não teve a inelegibilidade declarada porque não ocupava a vice-prefeitura na época dos fatos.
Os dois ainda podem recorrer ao TRE-ES e permanecem nos cargos até que a Corte examine a decisão da Justiça Eleitoral de Itapemirim. Caso o entendimento seja confirmado nas instâncias superiores e os dois saiam dos cargos, assume como prefeito interino o presidente da Câmara de Itapemirim, José de Oliveira Lima (PDT). Lima é do grupo político de Peçanha.

O OUTRO LADO

A defesa do prefeito e do vice-prefeito respondeu, por nota, que recebeu a informação da sentença pelas redes sociais e que vai aguardar a decisão ser publicada para estudar os "recursos cabíveis".

NOMEAÇÃO DE FAMILIARES

Como apontou levantamento feito pelo colunista Vitor Vogas, pelo menos 17 das nomeações para cargos comissionados feitas após a reeleição de Peçanha no dia 15 de novembro, são de familiares do prefeito. Entre primos, irmãos e esposas de familiares, a família Peçanha ocupa cinco secretarias, subsecretarias e outros cargos na estrutura da administração municipal.
Em nota, a prefeitura só reconheceu o parentesco entre o prefeito e dois servidores nomeados, a secretária de Assistência Social e Cidadania, Adriana Peçanha Lopes Barbosa (irmã do prefeito), e do assessor de gabinete Edvaldo de Andrade Peçanha (primo do prefeito). A prefeitura defende a qualificação técnica de ambos e "rechaça qualquer eventual alegação de prática de nepotismo".

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Mislene de Jesus (destaque) colidiu com um carro em Vila Velha
Vídeo mostra acidente de moto que matou mulher em cruzamento de Vila Velha
Imagem de destaque
Dia Mundial da Asma: conheça os riscos da falta de tratamento
Sesc Domingos Martins vai reforçar quadro de pessoal para alta temporada
Mutirão de emprego em hotel tem vagas com salários de até R$ 4 mil no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados