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Publicado em 30 de julho de 2025 às 14:45
O senador Marcos Do Val (Podemos) estava com seus passaportes — comum e diplomático — suspensos, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), quando embarcou para os Estados Unidos na noite da última quarta-feira (23), ocasionando descumprimento da decisão judicial. >
As restrições impostas ao parlamentar estão relacionadas a inquérito que tramita no Supremo, com relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e trata sobre suposta obstrução de investigações a respeito de organização criminosa e milícias digitais.>
A reportagem de A Gazeta consultou especialistas em Direito para saber as consequências jurídicas que podem incidir contra o parlamentar capixaba, quando retornar ao Brasil, o que está previsto para acontecer na próxima segunda-feira (4), como o próprio senador anunciou em suas redes sociais.>
Henrique Zumak, advogado e mestre em Direito Processual, destaca que, diante do contexto em que o senador deixou o Brasil com destino ao país norte-americano, pode ser flagrante o descumprimento de determinações judiciais por parte dele. >
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"Conforme tem sido noticiado, o senador teria pedido autorização ao ministro Alexandre de Moraes para deixar o país e seu pedido foi indeferido pelo magistrado. Nesse caso, a questão se agrava ainda mais, uma vez que houve o descumprimento de uma determinação judicial", afirma Zumak.>
Ao falar especificamente sobre que sanções poderiam ser aplicadas a Do Val por ter ignorado as imposições do STF, Henrique Zumak pontuou que o Código de Processo Penal estabelece que, em caso de descumprimento de qualquer obrigação imposta pela medida cautelar, "o juiz pode, a pedido das partes ou do Ministério Público, substituir a medida, impor outra em cumulação ou, em último caso, decretar a prisão preventiva".>
Henrique Zumak Moreira
Advogado e mestre em Direito ProcessualEntretanto, o jurista frisa que uma possível troca das cautelares do senador pela prisão só pode acontecer mediante pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).>
"A informação é que o processo que trata sobre o inquérito envolvendo o senador tramita em segredo de Justiça. É até um pouco difícil cravar uma interpretação sobre os próximos passos. O que pode ser afirmado nesse momento é que, com base no CPP (Código de Processo Penal), o juiz (nesse caso, o ministro Alexandre de Moraes) não pode decidir de ofício, sem que tenha sido provocado pelo Ministério Público ou pela PGR, a substituição de uma cautelar pela prisão. Por ofício, cabe ao magistrado melhorar a situação do réu ou fazendo alguma substituição dentro das cautelares já existentes. Nesse caso, é necessária uma provocação por parte da PGR", aponta Zumak. >
O advogado constitucionalista Flávio Fabiano destaca que a legislação assegura a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão nos casos em que a Justiça entende que a decisão mais grave poderá ser substituída por uma mais branda. >
As medidas incluem monitoramento eletrônico, proibição de acesso a determinados lugares e de manter contato com certas pessoas, afastamento de funções laborais, pagamento de fiança, entre outros. O advogado ressalta ainda que o ordenamento jurídico prevê enrijecimento das medidas alternativas à prisão, caso sejam desobedecidas.>
Flávio Fabiano
Advogado constitucionalistaMarcos do Val foi procurado pela reportagem, mas não retornou os contatos até a publicação deste texto. Na última sexta-feira (25), o senador gravou um vídeo em um parque de Orlando, na Flórida, nos Estados Unidos, em que afirma não estar foragido e diz que sua ida aos Estados Unidos seria para aproveitar momentos com a família >
"Olá, pessoal! Aqui é o senador Marcos Do Val. Não estou aqui fugindo. Estou curtindo e dando atenção à minha filha, aqui no Parque Universal, em Orlando. E Alexandre de Moraes recebeu, com 15 dias de antecedência, informações de onde eu estaria, qual seria o meu voo, o hotel em que estou e até os ingressos que comprei. E olha que não respondo a nenhum processo, a absolutamente nenhum. É inconstitucional a apreensão do passaporte", afirma Do Val, no vídeo.>
Além dos passaportes, Do Val também está com as redes sociais suspensas por determinação de Moraes, desde junho do ano passado. Na ocasião, o senador passou a ser investigado por suspeita de participar da intimidação contra o delegado Fábio Shor, da PF, que atuou no inquérito da tentativa de golpe e outras investigações contra Bolsonaro e aliados.>
Também na sexta-feira (25) foi revelado que Do Val teve as contas, os cartões e a chave Pix bloqueados por determinação do de Moraes. O bloqueio das operações financeiras do parlamentar capixaba foi confirmado pelo advogado do político, em entrevista ao jornal O Globo. >
A medida ocorre no momento em que Marcos Do Val está nos Estados Unidos. Conforme revelado na quinta-feira (24), o parlamentar capixaba saiu do Brasil, mesmo com medidas cautelares impostas pelo STF contra ele ainda vigentes.>
Ao Globo, o advogado Iggor Dantas Ramos, que faz a defesa de Do Val no STF, afirmou que a decisão do ministro da Corte suprema também determina o bloqueio das contas e dos cartões da filha do senador. >
Por ordem de Alexandre de Moraes, Do Val estava com seus passaportes – comum e diplomático – suspensos, quando embarcou para os Estados Unidos. >
As restrições impostas ao parlamentar estão relacionadas a inquérito que tramita no Supremo e trata sobre suposta obstrução de investigações a respeito de organização criminosa e milícias digitais. O senador é investigado pelos crimes de divulgação de documento confidencial, associação criminosa, abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. >
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