ASSINE

Na reta final, vereadores da Grande Vitória trocam de partido

Prazo para vereadores mudarem de sigla sem serem punidos termina nesta sexta (03), e articulações continuam até o último minuto

Publicado em 02/04/2020 às 16h00
Vereadores das Câmaras da Grande Vitória estão negociando trocas de partido
Vereadores das Câmaras da Grande Vitória estão negociando trocas de partido. Crédito: Divulgação

O troca-troca de partidos entre os vereadores dos municípios da Grande Vitória que desejam disputar as eleições de 2020 vai durar até o último dia de prazo para as novas filiações, nesta sexta-feira, 3 de abril. A maioria dos parlamentares das Câmaras dos municípios da Grande Vitória, que estão se articulando para mudar de sigla, vai deixar para definir o novo partido só no último dia permitido pela legislação eleitoral. (Veja abaixo a tabela com as trocas realizadas pelos vereadores)

Por enquanto, pelo menos 10 vereadores de Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica já trocaram de partido desde a abertura da janela, no dia 5 de março. Mas o número de interessados em aproveitar a este período para fazer a mudança sem serem punidos com a perda do mandato era muito maior. No mês passado, 30 dos 74 vereadores afirmaram para A Gazeta que estavam inclinados a mudar de sigla durante a janela.

O número de parlamentares foi sofrendo variações ao longo do mês e com o desenrolar das articulações, por conta da dificuldade relatada por alguns deles de conseguir montar uma chapa competitiva para disputar a reeleição, ou de ser aceito em alguma. Isso porque, com o fim das coligações, cada partido vai terá o desafio de conseguir, sozinho, alcançar o número votos para atingir o quociente eleitoral.

MOTIVOS

No início da janela, alguns vereadores já estavam sem partido. Foi o caso de Adriano Galinhão e Miguel da Policlínica, da Serra, que eram do PTC. Eles foram desfiliados pelo próprio partido, que ao mudar o diretório, passou a defender a oposição ao prefeito. Os vereadores, insatisfeitos, pediram para haver um acordo sobre sua saída.

Miguel da Policlínica, que vai para o Patriota, explicou que o critério adotado para escolher o novo partido foi principalmente a estrutura para as eleições de 2020. "Levei em conta a possibilidade de montar uma chapa atraente, que me dê chances reais de ajudar na minha reeleição", conta.

Entre os ainda indefinidos, está a vereadora Tia Nilma, de Vila Velha. Eleita pelo PRP, a parlamentar se encontra há meses sem partido, devido à incorporação de sua sigla pelo Patriota.

Tia Nilma está entre o PDT e o Podemos e, por ser mulher, revela já ter recebido convites de todos os partidos, e que a decisão ainda é mais complexa. Pela lei, todas as chapas devem ter, obrigatoriamente, 30% de mulheres, fazendo com que alguns partidos considerem a presença dela um item vantajoso. Outros, contudo, a veem como ameaça para a eleição dos componentes masculinos.

"O tabuleiro ainda está mexendo muito. Recebi muitos convites, mas a gente tem que ter cuidado, porque alguns partidos nos usam apenas como isca. No fundo, a maioria deles não tem vontade de nos ver ocupando suas vagas, a oportunidade é pouca. Quem está na disputa tem que se impor. Por isso, quero um partido que me dê uma chapa com oportunidade de ser competitiva", disse a vereadora.

As mudanças de funcionamento nos órgãos e as restrições de circulação devido ao coronavírus também interferiram nas articulações da janela partidária, afirmaram os parlamentares. As inúmeras reuniões que seriam realizadas, tradicionalmente, deram lugar a outras formas de costuras, mais nos bastidores e à distância.

IDEOLOGIA

Em alguns casos, a troca também levou em conta o posicionamento político-ideológico do partido. O vereador Davi Esmael, de Vitória, deixou o PSB e migrou para o PSD. A mudança veio após ele ter tido vários episódios de desconforto na Câmara, por defender bandeiras totalmente contrárias ao campo da centro-esquerda, ao qual pertence a sigla, e por discordâncias internas com a direção municipal.

"Para mim, hoje o mais importante é fazer parte de um projeto partidário de centro-direita", declarou.

ENTENDA A JANELA PARTIDÁRIA

A reforma eleitoral de 2015 permitiu que parlamentares possam trocar de partido nos 30 dias anteriores ao último dia de prazo para filiação partidária de quem pretender disputar a eleição.

Em regra, como o mandato pertence ao partido que o elegeu, o parlamentar não pode sair da legenda sem uma justa causa. No entanto, no período da janela, a lei os autoriza a fazer as trocas sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade partidária.

A janela partidária vale somente para vereadores em ano de eleição municipal. Deputados estaduais e federais não são contemplados neste momento, somente quando há eleições gerais.

Já quem ocupa cargos majoritários, como prefeito, senador e governador, não se submetem a essas regras e podem trocar de partido em qualquer época que desejarem.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.