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Publicado em 24 de janeiro de 2021 às 09:08
- Atualizado Data inválida
Lançada em novembro de 2019 com a promessa de ser a legenda de Jair Bolsonaro (sem partido), a Aliança pelo Brasil ainda não saiu do papel. E é improvável que isso aconteça a tempo de abrigar o presidente da República para as eleições de 2022. >
Para ter o registro reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Aliança pelo Brasil precisa de cerca de 492 mil assinaturas validadas. Hoje, o site do TSE mostra que apenas 57.034 estão aptas, sendo 1.809 no Espírito Santo. Ou seja, o partido tem 11,5% da quantidade de assinaturas necessárias para ser reconhecido. >
Caso o presidente queira concorrer em 2022 pela Aliança pelo Brasil, o registro tem que ser aprovado até seis meses antes do pleito. Em condições normais, com a disputa acontecendo em outubro, tudo teria que estar pronto até abril de 2022. >
Bolsonaro está há 14 meses sem partido, mas não pode disputar uma eleição sem filiação. Diante da dificuldade de formalização da Aliança pelo Brasil, ele mesmo falou sobre a possibilidade de procurar outra sigla já em março deste ano. >
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Apoiadores da Aliança pelo Brasil no Espírito Santo admitem que o processo para validação de assinaturas está lento, o que pode, de fato, inviabilizar a filiação de Bolsonaro. O ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido), por exemplo, que tem auxiliado no processo, não demonstra muito otimismo.>
"Esta fase de recolher assinaturas é difícil, estamos correndo atrás. Mas o presidente não pode ficar dependendo disso, ele precisa de um partido para se filiar", avaliou.>
Contudo, Manato garante que o partido vai ser criado, com ou sem a liderança de Bolsonaro, para ser uma sigla auxiliar. Para especialistas, a chance de isso acontecer é remota.>
"Acho improvável que a aliança saia sem ele. É inexpressiva a quantidade de assinaturas até hoje. E, sem Bolsonaro, que é o garoto propaganda, fica ainda mais difícil, o partido perde força e sua própria cara", afirma o cientista político Humberto Dantas. >
A Aliança pelo Brasil foi lançada em novembro de 2019, com a presença de Jair Bolsonaro, após o rompimento do presidente com com o PSL, partido pelo qual foi eleito em 2018 e o oitavo de sua carreira política. >
A sigla trazia um forte apelo ao discurso de cunho religioso e à defesa do porte de armas e foi criado para ser a casa de Bolsonaro. O nome dele, inclusive, está cadastrado na Justiça Eleitoral como presidente do partido. >
Em janeiro do ano passado, as articulações para a criação da legenda estavam a todo vapor. No Espírito Santo, alguns parlamentares manifestaram interesse em mudar para sigla, entre eles os deputados estaduais Capitão Assumção (Patriota), Torino Marques (PSL) e Danilo Bahiense (sem partido).>
A promessa era que o partido já estivesse consolidado para disputar as eleições municipais de 2020, mas a quantidade de assinaturas validadas para criação da Aliança pelo Brasil não foi suficiente. Em março de 2020, por exemplo, o TSE identificou a assinatura de sete eleitores mortos na lista assinada e apresentada pelo Aliança pelo Brasil.>
“Daria para ter feito? Sim, gente com menos força e poder já conseguiu. Mas a coalizão é frágil e a forma de agir de Bolsonaro não permitiu que o partido existisse”, destacou Dantas.>
Cientistas políticos apontam que o problema na viabilização do partido tem nome: Jair Bolsonaro. Para eles, o próprio presidente não se preocupou em articular apoiadores para que a sigla que ele mesmo encampou em 2019 saísse do papel. >
“Um fato inegável é a falta de vontade do próprio presidente, da ausência de liderança dele nesse processo. Bolsonaro, que no início se mostrou animado com a criação do partido, não se preocupou em usar o capital político que tinha para transformar a Aliança pelo Brasil em um partido viável”, analisa o professor da Faculdade Mackenzie e cientista político Rodrigo Prando. >
Prando também aponta a pandemia de Covid-19 como um complicador, apesar de não ter sido o fator crucial que interferiu no recolhimento de assinaturas. "Já seria difícil criar um partido em condições normais e a pandemia dificultou bastante. Os cartórios ficaram fechados, existe muita burocracia”, lembrou.>
Os apoiadores da Aliança pelo Brasil têm culpado a pandemia pelo fato do partido não ter sido criado. De acordo com Dárcio Bracarense, um dos operadores da sigla no Estado, a validação das assinaturas parou durante a maior parte do ano passado. Isso acabou atrasando o processo.>
"A pandemia acabou nos prejudicando, mas vamos continuar trabalhando para recolher assinaturas e até o fim do primeiro semestre vai estar tudo pronto. Não tem motivo para o presidente procurar outro partido, não precisa de plano B", garantiu.>
Apesar da afirmação, não é isso que tem sinalizado Bolsonaro. Em novembro de 2020, ele afirmou a possibilidade de recorrer a uma “nova opção” de partido. Há flerte com algumas siglas, entre elas o PP, o PTB de Roberto Jefferson e o Patriota. >
Este último chegou a se preparar para receber Bolsonaro em 2018. Na época, o capitão era deputado federal e chegou a assinar uma ficha fictícia de filiação, mas a aliança não foi para frente. >
Outro partido que pode acabar abrigando o presidente é o Republicanos, em que dois dos três filhos dele se encontram. Tanto o senador Flávio Bolsonaro quanto o vereador Carlos Bolsonaro foram abrigados pela sigla após saírem do PSL e PSC, respectivamente. >
Na análise de Prando, as movimentações que Bolsonaro tem feito enterram o partido. De acordo com ele, tem se mostrado cada vez mais inviável a criação do Aliança pelo Brasil. >
"A origem do Aliança pelo Brasil é do núcleo bolsonarista, que sugeriu criar o próprio partido de Bolsonaro quando ele rompeu com o PSL. Sem a inspiração desse núcleo e com a pouca adesão que a gente tem visto, vejo muita dificuldade de tirar isso do papel", declarou. >
O Brasil tem 33 partidos registrados. Outros 77 tentam ganhar vida, de acordo com a lista de partidos em formação no site do TSE.>
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