Publicado em 19 de maio de 2022 às 17:12
"Doutor, o senhor quer fazer uma sessão de terapia?" A pergunta foi feita pela juíza Mariana Lisboa Cruz, do 2º Juizado Especial Criminal de Vitória, ao advogado Sergio Murilo França de Souza Filho, durante uma audiência ocorrida nesta terça-feira (17). Os dois discutiam quando a magistrada sugeriu que ele precisava de tratamento psicológico. >
Após o episódio, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Espírito Santo (OAB-ES) entrou com representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por abuso de autoridade, pedindo que seja instaurado um processo administrativo disciplinar contra a juíza.>
A audiência tratava de uma briga de vizinhas, moradoras de um mesmo condomínio, que haviam trocado acusações de agressão física e ofensas. Na audiência estavam presentes os advogados das duas mulheres e a juíza. O embate começou a ficar acalorado quando Mariana perguntou se uma das partes tinha antecedentes criminais. Ouça o áudio da discussão:>
Quando a defesa argumentou em favor da mulher, iniciou-se um debate entre os dois advogados. Nesse momento, a juíza interrompeu a discussão e interveio. Depois, falou em tom alto com Sergio: "Aqui nessa sala de audiência o senhor não vai tratar o colega do senhor assim não”, declarou.>
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O advogado começou a se justificar, mas foi rebatido pela magistrada: “Espere eu falar, depois o senhor fale! O senhor é cliente ou advogado? O senhor está achando que eu tenho cara de palhaça?”, questionou Mariana. >
Na sequência, a juíza fez a sugestão de tratamento psicológico: "Doutor, o senhor quer fazer uma sessão de terapia?" O advogado, então, reagiu: “Excelência, aí nós já estamos fugindo da alçada, fugindo do objeto”.>
Pelo áudio da audiência é possível ouvir que a magistrada continuou a falar com Sergio, afirmando que ele estaria "agindo como uma criança" e finalizou com um “conselho” para a cliente dele: “Se eu fosse ela, eu contrataria alguém que entrasse aqui como... entendeu?”, declarou.>
Após obter conhecimento do caso, a OAB-ES entrou com uma representação contra a juíza no CNJ, por abuso de autoridade. O documento, assinado pelo presidente da seccional da Ordem no Espírito Santo, José Carlos Rizk Filho, afirma que tal comportamento "deve ser repreendido de forma dura".>
"A juíza dra. Mariana Lisboa Cruz agiu em completa desconformidade com tal garantia de igualdade hierárquica, elevando o tom de voz com o advogado, intimidando-o com uma postura agressiva e intimidadora, atingindo níveis absurdos em sua conduta desabonadora, recomendando que o advogado buscasse tratamento psicológico e finalizando com uma orientação de que a parte contratasse outro profissional", defende o OAB no ofício.>
A OAB-ES também pediu para que seja instaurado um processo administrativo disciplinar contra a juíza, com as devidas penalidades previstas em lei. O relator da CNJ ainda precisa aprovar o pedido.>
A reportagem de A Gazeta procurou o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) e a Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages) para comentar sobre o episódio e quanto a representação da OAB-ES no CNJ. Assim que houver posicionamento a reportagem será atualizada.>
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