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Duelo entre Bolsonaro e Mandetta reforça coalizão contra o presidente, dizem especialistas

Possibilidade de demissão do ministro da Saúde no meio da crise provocou uma operação, com agentes internos e externos do governo, para a permanência de Mandetta

Publicado em 07/04/2020 às 16h53
Presidente Jair Bolsonaro limpa as mãos com álcool em gel oferecido pelo ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta
Presidente Jair Bolsonaro limpa as mãos com álcool em gel oferecido pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Crédito: Carolina Antunes/PR

As discordâncias e alfinetadas entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os outros Poderes – Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) – não são mais novidades. Contudo, o duelo do chefe do Executivo com o seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobretudo no meio da crise econômica e sanitária provocada pelo novo coronavírus, tem aumentado a coalizão de instituições que discordam das posturas do presidente. Cientistas políticos já avaliam que a manutenção de Mandetta no cargo, feita a partir de uma união de agentes internos e externos do governo, pode significar uma nova fase na gestão de Bolsonaro.

Nesta segunda-feira (6), durante todo o dia, o presidente foi desmotivado a demitir o ministro, que chegou a ter suas gavetas esvaziadas. Entre os coordenadores da operação "Fica, Mandetta" estão, principalmente, a ala dos militares no governo, composta pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Neto; o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva; e o próprio vice-presidente, Hamilton Mourão. Especialistas já apontam os integrantes do grupo como os verdadeiros comandantes do governo durante a crise.

"Bolsonaro, neste momento, não manda no Brasil. Ele derreteu absurdamente. No combate ao coronavírus, é o ministro Mandetta que vem tocando o que precisa ser feito, com o apoio de outros integrantes do governo", analisa o cientista político João Gualberto Vasconcellos.

OS MOTIVOS DA DIVERGÊNCIA

Bolsonaro tem defendido o isolamento vertical (em que apenas as pessoas em grupo de risco fiquem em casa) e o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina (medicamentos para o combate da malária) para tratar pacientes com coronavírus. As duas medidas, contudo, não têm pesquisas que comprovem suficientemente seus efeitos positivos e não estão entre as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que Mandetta tem seguido.

Pesquisas de opinião feitas em todo o país têm mostrado que a maioria da população é a favor do isolamento social total. Entre os entrevistados pelo Datafolha, 76% é a favor de manter o isolamento social e 82% acha que o Ministério da Saúde faz um bom trabalho. A posição do presidente, indo de encontro ao que diz a comunidade científica, tem desgastado seu capital político.

Bolsonaro e o coronavírus

Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos
Em discurso no dia 9/3, em Miami, Bolsonaro avaliou a reação à epidemia de coronavírus como "superdimensionada". Folhapress
Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos
Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos. Folhapress
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Michele Bolsonaro acompanha o presidente no evento. Folhapress
Bolsonaro faz discurso, no dia 09 de Março, em Miami, nos Estados Unidos
O presidente faz fotos com o público durante evento em Miami. Folhapress
Washington, DC - EUA 19/03/2019 - Presidente da República Jair Bolsonaro assina o livro de visitas da White House.  Foto: Alan Santos/PR
O presidente Jair Bolsonaro, assinou um acordo de cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos, participou de jantar com Donald Trump e aproveitou a viagem para se reunir com empresários norte-americanos na Flórida. Alan Santos/Flickr
Flórida, 07/03/2020 - Presidente da República Jair Bolsonaro durante Jantar oferecido pelo Presidente dos Estados Unidos da América.
Presidente da República Jair Bolsonaro durante Jantar oferecido pelo Presidente dos Estados Unidos da América. . Alan Santos/Flickr
Flórida, 07/03/2020) Presidente da República Jair Bolsonaro acompanhado do Senhor Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, e do Vice-Presidente dos Estados Unidos Mike Pence.  Foto: Alan Santos/PR
Presidente da República Jair Bolsonaro acompanhado do Senhor Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, e do Vice-Presidente dos Estados Unidos Mike Pence. Alan Santos/Flickr
Brasilia, Distrito Federal, 12/03/2020 - O presidente da Republica, Jair Bolsonaro, fez exame para o novo coronavirus apos o secretario de Comunicacao, Fabio Wajngarten testar positivo para a Covid-19.
O presidente fez o primeiro teste para detectar coronavírus no dia 12/03/2020, por um laboratório particular. Claudio Reis/Folhapress
Fabio Wajngarten, secretário especial de Comunicação Social (Secom) da Secretaria de Governo da Presidência
Ao voltar dos EUA, o primeiro integrante da comitiva a testar positivo para coronavírus foi o secretário Fabio Wajngarten. Marcelo Camargo/Agência Brasil
 13.03.2020 - CORONAV͍RUS-GOVERNO - O presidente Jair Bolsonaro usa máscara nas dependências do Palácio da Alvorada, em Brasí­lia, após teste dar negativo para o novo coronaví­rus.
 O presidente Jair Bolsonaro usa máscara nas dependências do Palácio da Alvorada, em Brasí­lia, após teste dar negativo para o novo coronaví­rus. . Mateus Bonomi/Agif/Folhapress
Presidente Bolsonaro anuncia em sua rede social que o teste de coronavírus teve resultado negativo
Na sexta (13/03), Bolsonaro anunciou em rede social que o teste tinha dado resultado negativo. Reprodução Twitter
Brazil's President Jair Bolsonaro gestures as he leave the Alvorada Palace aftercoronavirus reports in Brasilia, Brazil, March 13, 2020.
O Ministério da Saúde passou a recomendação para o exame ser refeito na próxima semana. Enquanto isso, a recomendação era para que Bolsonaro ficasse em "monitoramento". Adriano Machado/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto, ao final da manifestação em favor do seu governo feita na manhã de hoje.
No dia 17 /3, Bolsonaro quebra a recomendação e participa de ato a favor do governo. Ele chegou a apertar a mão de apoiadores em frente ao Palácio do Planalto. Pedro Ladeira/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto, ao final da manifestação em favor do seu governo feita na manhã de hoje.
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto. Pedro Ladeira/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto, ao final da manifestação em favor do seu governo feita na manhã de hoje.
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na frente do Palácio do Planalto. Pedro Ladeira/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro e ministros do governo, todos usando máscara de proteção no rosto, durante coletiva de imprensa para falar sobre a crise do Novo coronavÍrus, em Brasília, nesta quarta-feira (18). (Foto:)
Durante entrevista coletiva, o presidente Jair Bolsonaro e os Ministros aparecem de máscaras. Pedro Ladeira/Folhapress
Coletiva à Imprensa do Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministros de Estado
Bolsonaro usou álcool em gel em alguns momentos da entrevista. Carolina Antunes
 O presidente Jair Bolsonaro acompanhado dos ministros de seu governo, durante coletiva de imprensa para falar a respeito dos novos dados sobre a crise gerada pelo novo coronaví­rus (Covid-19), em Brasí­lia (DF), nesta quarta-feira (18)
 O presidente começou falando com proteção. Em seguida, decidiu tirar a máscara para falar. Mateus Bonomi/Agif/Folhapress
Entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro e os Ministros apareceram de máscaras.
Questionado pelos jornalistas, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, explicou que o uso das máscaras era por conta das pessoas que tiveram contato com o General Heleno, que testou positivo. . Carolina Antunes/Flickr
Flórida - EUA, 08/03/2020 -  Presidente Jair Bolsonaro durante visita ao U.S. Southern Command.  Foto:
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus. Alan Santos/PR/Flickr
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.
 Até o dia 18/03, quinze pessoas que participaram da viagem do
presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos estão com coronavírus.

PREJUÍZO E TEMPO PERDIDO

Na opinião do cientista político e médico sanitarista Fernando Pignaton, Bolsonaro fez um cálculo errado ao ficar ao lado da ala olavista do governo e deixado um de seus filhos, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), liderar a crise pandêmica.

"Ele está sendo mal aconselhado politicamente. Posição semelhante a que ele vem tomando só o México, com a esquerda populista de Lopez Obrador, vinha tomando e lá ele já mudou de direção. A única ala que o presidente está escutando é a da oligarquia familiar que Bolsonaro instituiu em torno de si, que me parece agir vendo inimigos em todo o lugar", avalia.

A onda de apoio a Mandetta, interna e externa, já fez até ter início a discussão sobre a possibilidade de o STF impedir a saída de um ministro. Pignaton explica que, apesar de estar subordinado ao presidente, um ministro da Saúde, constitucionalmente, precisa seguir uma série de regramentos e convenções internacionais para basear suas medidas.

"O papel do ministro, como médico e gestor da Saúde, é aconselhar cientificamente o presidente. E é o que ele tem feito. Ir de encontro a essa orientação é atrasar a emergência de medidas que o país precisa neste momento e gastar energia desnecessária para conter esse desentendimento", complementa.

João Gualberto Vasconcellos aponta que a massa que ainda sustenta o presidente são os "bolsonaristas de raiz", cerca de 17% do eleitorado que o apoiavam desde o início da campanha de 2018. O apoio dos liberais e moderados anti-petistas, para o cientista político, se foi. Ele diz que, ainda que o presidente queira manter seu eleitorado fiel, é preciso se cercar, principalmente em período de crises, dos mais moderados.

"É como se costuma dizer na política, precisa-se dos revoltosos para se chegar ao poder, mas não se governa junto com eles", pontua.

ENTENDA A CRISE

  1. 01

    Discordâncias

    As discordâncias entre o ministro da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro começaram desde o início da crise do coronavírus. Bolsonaro deu sinais de que apoiava manifestações de rua a seu favor, quando as orientações já eram de isolamento social. Nos últimos dias, com o aumento do número de mortes no país, o presidente ainda permanece defendendo o isolamento vertical. Outro ponto de embate entre os dois é o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, defendido por Bolsonaro.  Mandetta diz não ter comprovação científica suficiente para permitir o uso em casos de Covid-19.

  2. 02

    Pressão institucional

    Durante a manhã da última segunda-feira (6), quando começou a circular a informação de que Mandetta seria demitido, o Congresso, ministros do STF, governadores e instituições como a OAB pediram a permanência do ministro da Saúde. Internacionalmente, Bolsonaro já vinha sendo criticado pela postura na condução da crise e o ministro sendo elogiado. Internamente, ministros do governo também têm concordado com Mandetta, que recebe o aval da ala militar – crucial para sustentá-lo no cargo.

  3. 03

    Dia do fico

    O sucesso das negociações com Bolsonaro para que mantenha Mandetta no cargo é creditado a ala militar do governo, composta pelos generais Braga Neto, Augusto Heleno, Azevedo e Silva e Mourão. Mais moderados, eles têm recebido apoio externo e conseguido demover o presidente de ideias mais radicais.

  4. 04

    Posição do presidente

    Desgastado na crise, com ameaças de impeachment e com perda de capital político, Bolsonaro decidiu manter o ministro, mas exigiu acompanhar mais de perto o trabalho das pastas. Na avaliação de cientistas políticos, o presidente perdeu força e é a ala mais moderada do governo que vem, de fato, administrando o país.

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