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Deputados e senadores do ES querem apuração sobre afirmações de Bolsonaro

Ministro do STF autorizou exibição de vídeo de reunião ministerial em inquérito que apura se presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal em benefício próprio

Publicado em 12/05/2020 às 21h50
Atualizado em 12/05/2020 às 22h10
Felipe Rigoni, Ted Conti, Soraya Manato, Helder Salomão, Fabiano Contarato e Marcos do Val
Felipe Rigoni, Ted Conti, Soraya Manato, Helder Salomão, Fabiano Contarato e Marcos do Val: parlamentares do ES em Brasília querem que investigações em relação a Bolsonado prossigam. Crédito: Divulgação/Agência Câmara e Agência Senado

Senadores e deputados federais do Espírito Santo comentaram e defenderam uma apuração detalhada sobre a suposta afirmação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que a troca no comando da Polícia Federal no Rio de Janeiro seria necessária para proteger sua família de perseguição. A declaração estaria na gravação de uma reunião ministerial de 22 de abril, citada pelo ex-ministro Sergio Moro em depoimento e entregue à PF para apuração.

Após a exibição o advogado de Moro, Rodrigo Sánchez Rios, afirmou que o material "confirma integralmente" as declarações dadas pelo ex-juiz tanto no anúncio de sua demissão quanto no depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 2, e defendeu que a íntegra da gravação seja tornada pública.  

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello determinou que a perícia da PF transcreva integralmente as declarações do vídeo, para depois decidir sobre sua divulgação.  Bolsonaro afirmou que a gravação da reunião ministerial de 22 de abril deveria ter sido destruída. Além disso, disse que sua preocupação era com a segurança da família, não com investigações.

O deputado Felipe Rigoni (PSB) defendeu uma apuração de forma mais detalhada e rápida possível. "Foi por isso que pedi que o depoimento fosse adiantado. Não podemos tomar decisões precipitadas. Caso seja verdade a informação sobre interferência na Polícia Federal, sou totalmente contra. A Polícia Federal é um órgão que deve ter total autonomia para investigar quem quer que seja. Sobre a liberação dos vídeos, sou favorável a divulgação dos trechos que provam a veracidade ou não das denúncias".

O deputado Ted Conti (PSB) acrescentou um pedido de instauração de uma CPI para esclarecer o caso. "A denúncia é muito grave e deve ser apurada com rigor. Esta é uma situação que exige transparência. Nenhum cidadão brasileiro está acima da lei, então, se for confirmado que houve instrumentalização da Polícia Federal, quem estiver envolvido deve ser punido, independente do cargo que ocupa", disse.

Helder Salomão (PT) também defende a criação de uma CPI, e para ele, as informações demonstram que o vídeo tem indícios muito fortes de que o presidente cometeu crime de responsabilidade e precisa responder por esses atos. "Ele não faz outra coisa, a não ser criar embaraços para que os órgãos realizem investigações. O presidente age em legítima defesa, de interesses espúrios, já que as denúncias em relação à família dele são escandalosas e merecem apuração profunda. Aí ele cria condições para que elas não prossigam", frisou.

Já a deputada Soraya Manato (PSL) avalia que por enquanto, pelo que foi divulgado, não há motivos para alardes. "Não tive acesso a esse conteúdo. Mas, os fatos devem ser apurados pela Justiça. Penso que o Presidente Bolsonaro tem a prerrogativa para fazer essas trocas de cargos federais, quando acreditar ser pertinente", acredita.

SENADORES

Também em defesa de que se aprofundem as investigações, o senador Marcos do Val (Podemos) disse ser favorável à transparência dos atos através da divulgação do vídeo. "Acredito na índole e no histórico de combate à corrupção de Sérgio Moro, ex- ministro da Justiça e Segurança Pública. Seu trabalho de 22 anos como juiz o consolidam como um profissional sério, correto e justo. Defendo, porém, que devemos esperar o fim das investigações para tirar qualquer conclusão."

O senador Fabiano Contarato (Rede) também defendeu a publicidade do vídeo da reunião, mas já considera que há elementos presentes para um processo de impeachment contra o presidente.

"A sociedade brasileira tem direito ao acesso integral do conteúdo da reunião. É uma questão de interesse público. Ressalto que um dos princípios da Administração Pública é a publicidade dos atos dos seus agentes públicos ou políticos, conforme dispõe o art. 37 da Constituição Federal, bem como estabelece a Lei de Acesso à Informação. Tudo isso evidencia mais um motivo para a imediata abertura de processo de impeachment, uma vez que a digital desse governo é o obscurantismo, a falta de transparência, o ataque às instituições e as violações aos direitos e garantias fundamentais."

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