Sergio Moro versus Bolsonaro: de casamento do século a duelo do século
Cordel Político
Sergio Moro versus Bolsonaro: de casamento do século a duelo do século
Agora o Supremo abriu inquérito / Quer apurar direito isso daí / Sergio Moro, o juiz pretérito / Agora é a “acusação” contra o Jair / Tem pedidos de impeachment, CPI... / Certeza: o casamento já acabou / Agora é ver se a casa vai cair
Sergio Moro em duelo com BolsonaroCrédito: Amarildo
Começou de um jeito meio estranho Este grande casamento arranjado Jair tivera indiscutível ganho Com certa decisão do magistrado Sendo ou não sendo imparcial, O fato é que o processo eleitoral Foi por Moro influenciado
Em vez de manter equidistância O então juiz, mesmo assim, Aceitou, sem nenhuma relutância, A proposta do Jair, lhe disse “sim” Para mudar de Poder e de instância Ser ministro da Justiça e Segurança À carreira de juiz colocou fim
“Tacada de mestre do bilhar!”, Comentou-se sobre o Jair, então, Fez o olho do seu eleitor brilhar Transferindo para a própria gestão O prestígio e o selo da Lava Jato Indicando ter compromisso, de fato, Com o enfrentamento à corrupção
E Moro, o que ganhou com o matrimônio Além de pôr em risco seu legado Ou seja, ameaçar seu patrimônio E lançar suspeitas sobre seus julgados? Talvez, ver aprovado seu pacote E depois retomar, ainda mais forte, No Supremo, a carreira de togado
O cupido nesta história, o Santo Antônio Foi o Paulo Guedes, Posto Ipiranga No altar, ao celebrarem o matrimônio, Jair prometeu a Moro “carta branca” O insólito casal selou as bodas E Moro, com essas garantias todas, Decidiu, então, arregaçar as mangas
Mas logo se viu que algo ia mal A alegria deu lugar a tretas E o acordo pré-nupcial Jamais foi seguido ao pé da letra Durou bem pouco a lua de mel Logo se transformou num mar de fel E a aliança, posta na gaveta
Nesse casamento de fachada Algo entre os dois não estava certo A tal “carta branca” foi rasgada Chegou, aliás, com “poder de veto” Nomeação de Moro revogada: Sua escolhida foi “desnomeada” E ele teve que engolir, quieto
Moro encaminhou, sem perder tempo, Para o Congresso o seu pacote Com o chefe foi ver o Flamengo E vestiram o mesmo uniforme Mas não estavam bem no mesmo time Jair só bocejou pro anticrime E a verba de Moro sofreu cortes
E o que dizer, então, do Coaf? Também tá lá no pré-nupcial: Moro, para reforçar o combate, Queria o órgão ali no seu quintal Mas uma vez mais houve um problema: Ele não leu as letras pequenas O órgão foi para o Banco Central
Em agosto, a seu contragosto, O conje quis trocar, de repente, O chefe da Federal, posto no posto Por Moro, e alguns superintendentes Sem nenhum motivo aparente Além, é claro, de blindar parentes O ministro externou desgosto…
O conje, então, lhe esclareceu: “A BIC mais forte é a minha Quem manda nesta casa aqui sou eu! Da Inglaterra não serei rainha” Dessa vez não usou a caneta A PF, então, ficou ilesa Mas e quanto ao poder que Moro tinha?
Em janeiro Jair ameaçou Separar em dois seu ministério Já havia acabado o amor O que seguia sendo um mistério: O silêncio que gritava alto Do paladino da Lava Jato Sobre o Queiroz e rolos mais sérios…
Até que chegou o mês de abril E, em plena crise da pandemia, Jair por sua conta decidiu Trocar o chefe da PF, à revelia De Moro, que, após ser tão minado, Pelo conje (e por si mesmo) apequenado, Decidiu que esse sapo não engolia!
Aquela foi, pra ele, a gota d’água O ministro se demitiu do cargo E, após engolir tanto sapo e mágoa, Abriu o jogo: “Bombas aqui trago!” Não foi nada amigável o divórcio Fez acusações sobre o ex-sócio Que lhe causaram um imenso estrago
“Por que trocar o comando da PF?” O próprio Moro respondeu à questão O seu ex-conje e também ex-chefe Quer controlar a instituição Leia-se: obstruir inquéritos Que possam atingir no coração A ele, a seus filhos e a seu séquito
Jair deseja ter pleno controle Botando ali “gente de confiança” Que possa proteger a sua prole Afastar o perigo das “crianças” Passar-lhe informações diretas Sobre as investigações abertas Dançar conforme ele ditar a dança
Quer ter relatórios pessoais E olha que os inquéritos são vários! Tem rolo ali que não acaba mais: No Rio, a rachadinha do Flávio No Supremo, fakes do Edu e do Carlos O estímulo a atos antidemocráticos Vai ser longo o resumo diário...
No pronunciamento em sua defesa (Piscina, Adélio, Marielle, Inmetro…) Jair fez fala sem pé nem cabeça Mas quase confirmou que o ex tá certo: Pretende controlar a PF, sim! Quer mesmo interferir, mas e daí? E acha bem normal que seja assim…
Também acusou o seu ex: “Negociou vaga no STF!” O carbonário Moro, por sua vez, Mostrou algo que desmente o ex-chefe Deputada lhe fazendo uma “oferenda” E ele dizendo “não estou à venda” (Isso porque é padrinho da Zambelli...)
Agora o Supremo abriu inquérito Quer apurar direito isso daí Sergio Moro, o juiz pretérito Agora é a “acusação” contra o Jair Tem pedidos de impeachment, CPI... Certeza: o casamento já acabou Agora é ver se a casa vai cair
Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo