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Coronavírus: Casagrande diz que ataque de robôs nas redes atrapalha

Em seminário com outros governadores, Casagrande criticou posicionamento de Bolsonaro contra o isolamento social e disse que ataques em suas redes aumentam o desgaste ao gerir crise com a pandemia

Publicado em 18/05/2020 às 18h20
Atualizado em 18/05/2020 às 22h18
Live de Casagrande, com os governadores Rui Costa Pimenta (Bahia) e Flávio Dino (MA), mediada pelo ex-ministro Manoel Dias
Live de Casagrande, com os governadores Rui Costa Pimenta (Bahia) e Flávio Dino (MA), mediada pelo ex-ministro Manoel Dias. Crédito: Reprodução

O governador Renato Casagrande relatou em uma videoconferência, no último sábado (16), que os ataques de robôs e militantes bolsonaristas têm prejudicado o combate à pandemia do novo coronavírus. A afirmação foi feita em um seminário virtual com outros gestores estaduais que têm feito críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Além de Casagrande, participaram os governadores do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB); da Bahia, Rui Costa (PT); e do Pará, Helder Barbalho (MDB).

Para o capixaba, a falta de uma coordenação nacional de Bolsonaro com os Estados tem motivado uma articulação entre os próprios governadores. Ele pontua que além das dificuldades de receita e o sobrecarregamento da saúde pública com a Covid-19, o enfrentamento feito por Bolsonaro às medidas de isolamento social tem sido um entrave na administração.

"Bolsonaro tem uma prática de enfrentamento, em qualquer assunto ele busca isso, com os governadores em especial. Jamais achei que ele pudesse fazer um enfrentamento à vida. Imaginei que a pandemia seria uma coisa que pudesse nos unir, independentemente das nossas posições políticas, mas temos que ficar aqui lutando contra os robôs que nos atacam, contra a militância orgânica que nos ataca", disse Casagrande.

Para ele, o presidente tem deixado dúvidas nas pessoas sobre qual recomendação deve ser seguida.

“Além de cuidar da crise do coronavírus, temos que cuidar desses ataques que sofremos diariamente e desta dúvida que o cidadão tem (se fica em isolamento ou não) quando ouve o governador ou quando ouve o presidente. Isso nos deixa com uma tarefa mais desafiadora, por conta dessa ausência de coordenação nacional”, criticou Casagrande.

Barreira sanitária contra o coronavírus em Viana

Data: 23/04/2020 - ES - Viana - Barreira sanitária em Viana - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Barreira sanitária em Viana - Foto: Ricardo Medeiros . Ricardo Medeiros
Data: 23/04/2020 - ES - Viana - Barreira sanitária em Viana - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Barreira sanitária em Viana - Foto: Ricardo Medeiros . Ricardo Medeiros
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Barreira sanitária em Viana - Foto: Ricardo Medeiros . Ricardo Medeiros
Data: 23/04/2020 - ES - Viana - Barreira sanitária em Viana - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Barreira sanitária em Viana - Foto: Ricardo Medeiros . Ricardo Medeiros
Data: 23/04/2020 - ES - Viana - Barreira sanitária em Viana - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
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Barreira sanitária em Viana - Foto: Ricardo Medeiros 
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‘UNIÃO TEM MAIS MECANISMOS PARA SUPERAR CRISE’

Com o impacto financeiro que a pandemia tem deixado, principalmente entre os mais pobres, Casagrande destacou que é a União, que possui 70% da arrecadação de tributos, que tem os mecanismos para complementar a renda de pessoas com maior vulnerabilidade social. Além disso, ele pontua que cabe ao presidente, se preciso, minimizar os efeitos da crise, imprimindo mais dinheiro ou usando receitas futuras para amortecer cortes no orçamento público.

"Vivemos uma federação desequilibrada, precária em termos de poder para os Estados. Quem tem poder de enfrentar uma crise mundial é a União. Se acabar o dinheiro aqui no Estado, eu paro de pagar meus compromissos. Não tenho outro caminho. Não tenho como fazer dinheiro ou trazer dinheiro do futuro para o presente. A União precisava ter uma coordenação nacional e central para cuidar dos mais vulneráveis. Não sabemos o tamanho do caos social que vamos viver nos próximos anos. Não estou me eximindo do meu papel, mas não temos o poder que a União tem”, pontuou.

O governador disse não ter esperança de que o presidente mude de postura quanto à contribuição para promover uma coordenação junto aos Estados.

"O momento exige uma mudança completa de prática do governo central. Sinceramente, eu não vejo isso acontecer. Meu desespero é a incerteza de qual passo político o país dará. Não tenho nada pessoal, mas que se pudesse acontecer um estalo e ele (Bolsonaro) coordenar as ações, aí sim, juntos, poderíamos proteger os vulneráveis e deixar a disputa política para 2022", analisou.

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