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Publicado em 12 de março de 2026 às 19:57
A condenação do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira – último réu envolvido no assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido há 23 anos em Vila Velha – foi recebida com um misto de alívio e inquietação pelo juiz criminal e professor Carlos Eduardo Ribeiro Lemos. >
Colega de Alexandre Martins na Vara de Execuções Penais à época do assassinato, Lemos afirmou que a condenação representa o fechamento de um ciclo, mas deixou críticas à morosidade do sistema judiciário brasileiro.>
Acusado de ser um dos mandantes da morte de Alexandre Martins, o juiz aposentado Antônio Leopoldo foi condenado pelo Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) nesta quinta-feira (12) a 24 anos de prisão em regime fechado e também à perda do cargo e vencimentos. O Tribunal ainda determinou que a pena de prisão seja cumprida de forma imediata.>
Junto com Alexandre Martins, Carlos Eduardo foi integrante da missão especial de combate ao crime organizado, designada pelo Ministério da Justiça em 2002. E dividiu a autoria com Alexandre Martins de Castro Filho de uma denúncia de corrupção e venda de sentenças no sistema prisional capixaba, envolvendo autoridades e presos, com desvio de verbas e favorecimentos, e que culminaram no assassinato de Alexandre, em 2003.>
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Para Lemos, a decisão judicial é uma prova de resistência da verdade. “A condenação significa que a verdade não morreu. Significa que a memória da vítima não foi apagada pelo tempo”, declarou o magistrado em entrevista à reportagem de A Gazeta.>
O magistrado ressaltou que a sociedade capixaba desempenhou um papel fundamental ao não desistir de exigir responsabilidade pela vida que foi tirada. Apesar da sensação de que a justiça finalmente "falou", o magistrado pondera que o tempo decorrido entre o crime e a última condenação deixa marcas.>
"É impossível não sentir indignação. A Justiça que demora décadas para chegar já chega marcada por uma ferida institucional. Acho que isso é uma demonstração para todos os políticos do Brasil que o processo penal existe para afirmar a força da lei, proteger a sociedade e dar resposta às vítimas", afirmou.>
Carlos Eduardo Ribeiro Lemos
JuizPara Lemos, o caso é uma demonstração clara de que a legislação penal brasileira precisa ser reformada com urgência. O objetivo do processo penal, segundo ele, deve ser afirmar a força da lei e proteger a sociedade e as vítimas de forma eficaz.>
“Já passou da hora de a gente mudar toda a nossa legislação penal para dar um sentimento de justiça para a sociedade”, concluiu Lemos, reforçando que o sistema precisa enfrentar com coragem as falhas que permitem que crimes graves demorem tanto tempo para ter um desfecho definitivo.>
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