Os deputados com os quais Erick Musso pode dividir poderes na Assembleia

Governo sinalizou nomes que apoia para compor chapa com o virtualmente reeleito presidente da Casa, Erick Musso. Ideia dos aliados de Casagrande é evitar surpresas e buscar equilíbrio no comando do Legislativo

Vitória
Publicado em 25/01/2021 às 20h42
Renato Casagrande e Erick Musso durante a prestação de contas do governador, em dezembro de 2020
Renato Casagrande e Erick Musso durante a prestação de contas do governador, em dezembro . Crédito: Assembleia Legislativa/Leonardo Duarte

Nos bastidores da Assembleia Legislativa, o atual presidente Erick Musso (Republicanos) já está "virtualmente" reeleito para o próximo mandato. A uma semana da eleição da nova Mesa Diretora, o que segue indefinido é quem sentará junto a ele no comando do Legislativo, já que, apesar do consenso alcançado, ele precisa lidar com as disputas por espaços dos grupos mais próximos e mais distantes do governador Renato Casagrande (PSB). 

Além disso, há uma discussão sobre como ele vai dividir a administração. Erick disse ao colunista Vitor Vogas que vai propor a revogação da resolução que dá a ele mesmo plenos poderes de decisão, sem precisar do aval dos outros membros da Mesa, o que ainda depende da aprovação dos parlamentares. Há um grupo na Casa que defende, contudo, a manutenção dos "superpoderes" do  presidente da Casa.

Nos próximos dias, ele deve conversar, individualmente, com diversos deputados para convidar os membros de sua chapa e montar um desenho, que será levado para uma análise de Casagrande. A ideia, segundo alguns deputados, não é esperar que o governador "autorize" a formação escolhida por Erick, mas, sim, evitar que o governador seja surpreendido novamente, como aconteceu na eleição antecipada, e depois anulada, da Mesa Diretora, em novembro de 2019.

O governo já sinalizou a Erick e parlamentares quem apoia na composição da chapa: o atual 1 º vice-presidente, Marcelo Santos (Podemos), para ocupar a mesma função; além de Coronel Quintino (PSL) e Janete de Sá (PMN) para compor como secretários ou vices. Os três já manifestaram interesse em fazer parte da Mesa. Também são sugeridos os deputados Fabrício Gandini (Cidadania), Freitas (PSB), Raquel Lessa (Pros) e o próprio líder de governo, Dary Pagung (PSB) – que era cotado para ser presidente.

Deputados da ala mais distante do Palácio Anchieta, que não poupam críticas a Casagrande, também terão lugar na chapa. O mais cotado entre eles para estar na próxima Mesa é o atual 2º vice-presidente, Torino Marques (PSL).

Também há certa tensão para definir quem vai assumir as presidências das principais comissões da Casa. O governo quer manter aliados ao menos nas comissões de Finanças – que era presidida por Euclério Sampaio (DEM), antes de ele se eleger prefeito de Cariacica – e de Justiça, que pode permanecer com Fabrício Gandini (Cidadania). A escolha também acontece na sessão do dia 1º de fevereiro.

DIVISÃO DOS "SUPERPODERES"

A revogação da resolução que dá superpoderes ao presidente da Assembleia também vai entrar em pauta no dia 1º de fevereiro.

Em vigor desde fevereiro de 2019, a normativa permite que Erick tome medidas sem depender do aval de outros membros da Mesa Diretora. Se Erick propuser a revogação da resolução e isso for aprovado pelo plenário, o modelo anterior vai ser restabelecido: ao menos o 1º ou o segundo secretário da Mesa precisam assinar os atos administrativos da Assembleia, junto com o presidente, para que eles tenham valor legal. 

Os deputados "mais distantes" do governo temem que, com Erick enfraquecido, eles também percam terreno para os aliados de Casagrande. A alteração depende da votação dos deputados. À coluna Vitor Vogas, Erick afirmou que "colocaria em apreciação" e, deixando escapar uma risada, lembrou que o projeto precisa da aprovação dos parlamentares. A previsão é que a mudança entre em pauta na mesma sessão que escolherá a nova Mesa.

Eleito presidente da Assembleia em 2017, Erick Musso vai permanecer no cargo até 31 de janeiro de 2023, se for confirmada sua terceira reeleição na Casa. Ele vai ter em mãos um orçamento de R$ 255 milhões por ano e a autoridade de nomear mais de 300 cargos comissionados na estrutura administrativa do Legislativo, além de pautar o que vai ser votado na Assembleia.

Correção

25 de Janeiro de 2021 às 21:51

Ao contrário do que informou, originalmente, o texto da reportagem, o governador Casagrande não esteve ao lado de Erick Musso na Findes para reunião com o deputado federal Arthur Lira (PP-AL). O encontro estava na agenda do governador, no entanto, como houve uma mudança de horários com a comitiva que acompanhava Lira, Casagrande não compareceu. O texto foi alterado às 21h56.

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