A 11 dias da eleição da Mesa Diretora da
Assembleia Legislativa, no próximo dia 1º, o processo está afunilado entre o atual líder do governo
Casagrande no Legislativo,
Dary Pagung (PSB), e o atual presidente,
Erick Musso (Republicanos), com amplo favoritismo para o segundo. A grande dúvida no momento, inclusive de alguns deputados, é se haverá ou não duas chapas. Colocada em outros termos: o governo Casagrande fará uma composição com Erick para ajudá-lo a se reeleger ou bancará a candidatura de Dary contra o atual presidente?
Dary continua se movimentando muito cautelosamente, mantendo conversas individuais com os colegas, a fim de se viabilizar. Mas sabe que, para poder mesmo ser candidato, depende fundamentalmente do apoio total do governo: só inscreverá uma chapa encabeçada por ele se essa chapa tiver o carimbo do Palácio Anchieta, a partir de um sinal claro do governo aos deputados da base para que o apoiem em peso, garantindo a maioria dos votos. Em outras palavras, Dary só será candidato se o governo sinalizar aos deputados da base que ele é o candidato do governo à presidência da Assembleia. Mas esse sinal não veio até agora. E, pelo que a coluna apurou, dificilmente virá.
O Republicanos de Erick cresceu bastante, é verdade, nas últimas eleições municipais, de maneira impressionante e, até certo ponto, ameaçadora para a atual hegemonia do PSB no Espírito Santo. Abocanhou, inclusive, a Prefeitura de Vitória, com Lorenzo Pazolini, impondo uma derrota embaraçosa, ainda que indireta, ao Palácio Anchieta.
Desse ponto de vista, seria importante para o governo emplacar o próximo presidente da Assembleia com a sua digital, para dar ao mercado político uma demonstração de força, uma prova de que não perdeu o controle do processo político no Estado. Mas como?
A “solução Marcelo Santos”, que poderia agradar às duas partes, subiu no telhado há uma semana,
quando o deputado disse à coluna que não é candidato à presidência. Já bancar a candidatura de Dary seria ir para o enfrentamento contra Erick e o Republicanos. Não creio que o governo queira isso, e o próprio governador, repita-se, indica que não querer esse caminho.
Ir para o enfrentamento não é mesmo o perfil de Casagrande, político que tem no pragmatismo uma de suas principais características. Na verdade, ele em geral evita os confrontos. Sempre prefere a conciliação ao conflito, mesmo que tenha que fazer concessões. Um confronto nesse caso com Erick fugiria muito ao estilo dele.
Fiel a seu estilo, Casagrande deve mesmo abrir o caminho para a reeleição de Erick, priorizando a estabilidade na relação com o Republicanos e fiando-se nas juras de lealdade (política e eleitoral) feitas a ele pelo atual presidente da Assembleia.