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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Erick Musso consolida favoritismo na eleição à presidência da Assembleia

Disputa está afunilada entre Dary Pagung e Erick, com ampla vantagem no momento para o atual presidente. A dúvida é se haverá duas chapas, mas Casagrande indica querer consenso

Publicado em 21/01/2021 às 16h02
Atualizado em 21/01/2021 às 18h08
Sorridente, Casagrande sanciona projeto ao lado de um Erick Musso ainda mais sorridente
Sorridente, Casagrande sanciona projeto ao lado de um Erick Musso ainda mais sorridente. Crédito: Helio de Queiroz Filho

A 11 dias da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, no próximo dia 1º, o processo está afunilado entre o atual líder do governo Casagrande no Legislativo, Dary Pagung (PSB), e o atual presidente, Erick Musso (Republicanos), com amplo favoritismo para o segundo. A grande dúvida no momento, inclusive de alguns deputados, é se haverá ou não duas chapas. Colocada em outros termos: o governo Casagrande fará uma composição com Erick para ajudá-lo a se reeleger ou bancará a candidatura de Dary contra o atual presidente?

Se o governo for pela segunda opção, significa que não houve acordo com Erick e que o “entendimento” deu lugar ao “enfrentamento”. Mas a tendência muito forte hoje, dizem alguns deputados e até aliados próximos a Casagrande, é de conciliação do governo com Erick. O quadro no momento está muito mais favorável ao deputado do Republicanos. O próprio Casagrande deixou isso nas entrelinhas, ao declarar, em entrevista à CBN nesta quarta-feira (20), que defende uma chapa de consenso, para evitar brigas e sequelas políticas.

Dary continua se movimentando muito cautelosamente, mantendo conversas individuais com os colegas, a fim de se viabilizar. Mas sabe que, para poder mesmo ser candidato, depende fundamentalmente do apoio total do governo: só inscreverá uma chapa encabeçada por ele se essa chapa tiver o carimbo do Palácio Anchieta, a partir de um sinal claro do governo aos deputados da base para que o apoiem em peso, garantindo a maioria dos votos. Em outras palavras, Dary só será candidato se o governo sinalizar aos deputados da base que ele é o candidato do governo à presidência da Assembleia. Mas esse sinal não veio até agora. E, pelo que a coluna apurou, dificilmente virá.

Ao que tudo indica, o governo vai mesmo engolir em seco, aceitar a realidade e seguir confiando em Erick com um pé atrás. Erick era o candidato do governo? Não. Era a solução ideal para Casagrande? Não era. No início de janeiro, gente muito próxima ao governador me garantiu que, se o governo pudesse obter garantias de governabilidade e ainda por cima emplacar um aliado leal na presidência pelo próximo biênio, iria por esse caminho. Uma terceira via efetivamente cogitada no Palácio Anchieta e trabalhada na primeira quinzena de janeiro foi eventual candidatura à presidência de Marcelo Santos (Podemos), como um nome de consenso.

Mas a “saída de cena” de Marcelo, com aquele movimento de postar story ao lado do atual presidente, jogou água no chope dos governistas que queriam a Casa sob nova direção.

O Republicanos de Erick cresceu bastante, é verdade, nas últimas eleições municipais, de maneira impressionante e, até certo ponto, ameaçadora para a atual hegemonia do PSB no Espírito Santo. Abocanhou, inclusive, a Prefeitura de Vitória, com Lorenzo Pazolini, impondo uma derrota embaraçosa, ainda que indireta, ao Palácio Anchieta.

Desse ponto de vista, seria importante para o governo emplacar o próximo presidente da Assembleia com a sua digital, para dar ao mercado político uma demonstração de força, uma prova de que não perdeu o controle do processo político no Estado. Mas como?

A “solução Marcelo Santos”, que poderia agradar às duas partes, subiu no telhado há uma semana, quando o deputado disse à coluna que não é candidato à presidência. Já bancar a candidatura de Dary seria ir para o enfrentamento contra Erick e o Republicanos. Não creio que o governo queira isso, e o próprio governador, repita-se, indica que não querer esse caminho.

Ir para o enfrentamento não é mesmo o perfil de Casagrande, político que tem no pragmatismo uma de suas principais características. Na verdade, ele em geral evita os confrontos. Sempre prefere a conciliação ao conflito, mesmo que tenha que fazer concessões. Um confronto nesse caso com Erick fugiria muito ao estilo dele.

Fiel a seu estilo, Casagrande deve mesmo abrir o caminho para a reeleição de Erick, priorizando a estabilidade na relação com o Republicanos e fiando-se nas juras de lealdade (política e eleitoral) feitas a ele pelo atual presidente da Assembleia.

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