Com Covid, presidente da OAB-ES pede adiamento de audiência, mas TRT nega

José Carlos Rizk Filho diz que vai ter que fazer sustentação oral virtualmente, "provavelmente em ambiente hospitalar". Desembargador entendeu que há outros advogados no caso, que poderiam participar da audiência

Vitória
Publicado em 26/01/2021 às 16h06
Atualizado em 26/01/2021 às 16h47
José Carlos Rizk Filho é o presidente da OAB-ES
José Carlos Rizk Filho é o presidente da OAB-ES. Crédito: OAB-ES

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Espírito Santo (OAB-ES), José Carlos Rizk Filho, está com Covid-19, mas, mesmo assim, vai ter que participar, virtualmente, de uma audiência na Justiça do Trabalho nesta quarta-feira (27).

Rizk Filho está em São Paulo e tem frequentado o hospital para exames e acompanhamento do quadro clínico. A participação na audiência será virtual, "provavelmente em ambiente hospitalar", como descreveu o advogado.

O presidente da OAB-ES tem atuação no Direito trabalhista. Ele pediu o adiamento da audiência, mas o pedido foi negado pelo desembargador Gerson Fernando da Sylveira Novais, do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), porque Rizk Filho não é o único advogado que atua no caso. Poderia ser substituído por um colega na sustentação oral, registrou o magistrado.

Gerson Fernando da Sylveira Novais

Desembargador do TRT da 17ª Região

"Havendo mais de um advogado constituído, existe a possibilidade de um dos defensores sustentar oralmente na ausência do outro, não havendo razão plausível para adiar o ato processual"

"Em razão do não adiamento de sustentação oral, e por questões contratuais que pedem a minha presença, serei obrigado a sustentar perante o TRT direto do hospital com oxímetro (aparelho que mede a quantidade de oxigênio no sangue) na mão. Convido a todos a assistir e ainda hoje pedirei dispensa do terno. Impressionante até aonde pode chegar o poder na cabeça de alguns homens", escreveu o presidente da OAB-ES em um post no Instagram, nesta terça (26).

"A questão contratual é que você vai no escritório com dez advogados, você contrata um, você pode colocar no contrato qual advogado vai fazer o processo, até porque tem um advogado que é mais expert naquele tipo de caso, é natural que um saiba mais que o outro", disse, à reportagem de A Gazeta, por telefone, nesta terça.

José Carlos Rizk Filho

Advogado trabalhista e presidente da OAB-ES

"Tecnicamente ele (o desembargador) não está errado, eu poderia ser substituído por outro, mas me choca a falta de humanidade. Estou doente. E a condição me impede de trabalhar"

"Estou com 10% do pulmão tomado, fazendo fisioterapia e vou para o hospital fazer outros exames. Não tem previsão de quando volto para Vitória. Dependendo dos exames, posso até ter que ficar no hospital. Essa doença não permite que eu trabalhe. Quis expor porque, embora seja uma situação pessoal, é vexatório para toda a classe", complementou.

O QUE DIZ O TRT

A reportagem entrou em contato com o TRT da 17ª Região, sediado em Vitória. A assessoria de imprensa respondeu que o processo está na pauta de julgamento do dia 2 de fevereiro e que cabe ao desembargador relator do processo analisar o pedido. "A presidência não tem ingerência na atuação dos magistrados". O TRT também ressaltou que há outros advogados, além de Rizk Filho, constituídos no processo.

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