ASSINE

"Sentimento de tristeza, indignação", diz filha de advogada morta no ES

Família diz que Marinelva Venturim de Paula e o marido Dali Atashi levavam uma vida tranquila no sítio onde foram mortos em Santa Leopoldina. Suspeita é de que crime tenha sido motivado por disputa de terra

Publicado em 19/04/2021 às 14h14
A advogada Marinelva e o marido foram assassinados em Santa Leopoldina
A advogada Marinelva Venturim de Paula e o marido Dali Atashi, de 67 anos. . Crédito: Reprodução/Facebook

A família da advogada Marinelva Venturim de Paula, de 62 anos, ainda tenta entender o que aconteceu na tarde deste domingo (18). Ela e o marido, o iraniano Dali Atashi, de 67 anos, foram mortos a tiros, no sítio onde viviam, na localidade de Colina Verde, em Santa Leopoldina, na Região Serrana do Espírito Santo. O autor do crime fugiu sem levar nada, o que descarta a hipótese de latrocínio e faz os familiares acreditarem em algum tipo de vingança. 

O casal de aposentados vivia no sítio há cerca de 20 anos. A professora Camilla Carmen Venturim de Paula, de 39 anos, filha da advogada, diz que o casal estava feliz nos últimos dias e que a mãe não tinha relato qualquer problema. A morte do casal de forma tão violenta pegou a família de surpresa.

"A gente pensa várias coisas, mas como não levaram nada, deixa um mistério no ar. Latrocínio não foi. Por que uma pessoa tira a vida da outra? Se não é por bem material, é por algum desafeto. Nos últimos dias minha mãe não me falou nada que eu possa levantar qualquer suspeita sobre alguém. Não me falaram nada sobre nenhum problema, estavam realmente tranquilos. Foi uma surpresa", diz a filha, que acredita que a morte pode ter sido motivada por uma disputa de terras.

"Isso (disputa de terras) é muito comum na área rural, é uma hipótese. Só pode ser algo assim. Eles moravam lá há muitos anos, tinham rotina tranquila, eram aposentados e viviam da aposentadoria mesmo. Viviam ali tão isolados, que não teria nenhum outro motivo se não uma desavença ali nas redondezas", opina.

CÂMERAS DE SEGURANÇA

O crime aconteceu por volta de meio-dia deste domingo (18). Camilla conta que a mãe costumava descansar depois do almoço e que elas se falavam sempre após as 13 horas. Foi no começo da tarde, que moradores da localidade de Colina Verde conseguiram fazer contato com Camila através de uma rede social e informaram o que havia acontecido. 

O sítio contava com câmeras de segurança, que podem ter gravado todo o crime. O equipamento já está com a polícia para análise das imagens. 

"Eles foram abordados na porta de casa, não levaram nada de valor e pelo que a cena demonstrou a pessoa era conhecida deles. A pessoa não entrou na casa, ficou só no portão. Com certeza câmeras de segurança filmaram a ação. Esse material está sendo resgatado pela polícia", revelou Camila.

Camilla Carmen Venturim de Paula

Filha de  Marinelva

"Fica o sentimento de tristeza, indignação e pedido de justiça. Além da Covid-19, a pandemia que a gente enfrenta é a da violência devastadora no nosso país"

INVESTIGAÇÃO

Marinelva Venturim de Paula deixa duas filhas e cinco netos, e o marido Dali Atashi deixa também outras duas filhas, que vivem nos EUA, e um neto. Muito emociona, Camilla disse que agora espera por Justiça. Para ela, fica a saudade e o desejo de que os criminosos sejam identificados e punidos.

"A nossa família foi destruída, fica a dor. Lá era o nosso refúgio, era o nosso cantinho sagrado. Isso foi corrompido. Destruíram uma família. Pai e mãe são referências, acolhimento, segurança. São tudo", lamentou.

Camilla Carmen Venturim de Paula

Filha de Marinelva

"A gente tem que se refazer, ser forte, pedir justiça. A vítima tem que parar de ter medo nesse país. A gente não pode ficar a mercê do crime"

INVESTIGAÇÃO

O caso segue sob investigação da Delegacia de Polícia de Santa Leopoldina. "Até o momento nenhum suspeito foi detido e outras informações não serão repassadas para que a apuração dos fatos seja preservada", diz a nota enviada pela Polícia Civil.

A polícia não descarta nenhuma hipótese, mas diz que a de latrocínio é pouco provável porque nada foi roubado. Os policias recolheram celulares das vítimas, um computador, imagens das câmeras de segurança e duas armas, que estavam registradas em nome de Dali.

SEPULTAMENTO

Ainda sem horário definido, o corpo de Marinelva deve ser sepultado no Parque da Paz, em  Ponta da Fruta, Vila Velha. No começo da tarde desta segunda-feira (19), o corpo da advogada já havia sido liberado. No entanto, a família ainda aguarda orientação da família de Dali Atashi, que era muçulmano, para saber que destinação dar ao corpo dele.

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.