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"Não estava com nada"

Rapper Mano Feijó denuncia abordagem violenta de guardas em Cariacica

Ernauro Santos Feijó, de 38 anos, é produtor cultural e denunciou uma abordagem ríspida de agentes da Guarda Municipal de Cariacica na última terça-feira (1)

Publicado em 04 de Fevereiro de 2022 às 13:35

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 fev 2022 às 13:35
MC e produtor cultural Feijó denunciou abordagem violenta da Guarda Municipal de Cariacica
MC e produtor cultural Feijó denunciou abordagem violenta da Guarda Municipal de Cariacica Crédito: Arquivo Pessoal
O rapper e produtor cultural Ernauro Santos Feijó, conhecido como Mano Feijó, de 38 anos, nome conhecido da cena de rap capixaba, denunciou uma abordagem violenta de agentes da Guarda Municipal de Cariacica, na Grande Vitória, ocorrida na terça-feira (1º).
Morador do bairro Vale Esperança, Feijó também é educador social e apresentador de duas das maiores batalhas de MCs do país, a "Mar de Monstros", no Espírito Santo, e a "Batalha da Aldeia", em São Paulo.
Ele contou que foi colocado no chão, algemado e detido pelos agentes porque resistiu a uma abordagem, que considerou desnecessária e injusta.
MC e produtor cultural Feijó denunciou abordagem violenta da Guarda Municipal de Cariacica
MC e produtor cultural Feijó denunciou abordagem violenta da Guarda Municipal de Cariacica Crédito: Reprodução
Em uma live na sua rede social, o MC contou que a abordagem aconteceu no momento em que voltava de um banco, onde tinha ido sacar o dinheiro do cachê de um trabalho.
"Eu tenho costumo de andar a pé e gosto. É um costume meu. Fui ao banco por volta de 12h. Fui sacar o dinheiro e vim andando. Passei no restaurante, almocei e estava vindo para casa", disse.
De acordo com Feijó, no momento em que caminhava para casa, o carro com os agentes passou por ele. O músico seguiu normalmente, porém, mais à frente, na altura da entrada do bairro Vasco da Gama, os mesmos guardas o abordaram. Feijó disse ainda que resistiu à abordagem porque ficou com medo.
"Quando eles vieram para mim, eu parei e conversei com eles, e perguntei qual seria o motivo da abordagem. Eles vieram pra cima de mim de uma forma mais ríspida e quando fizeram movimento mais brusco corri, por cerca de 100 metros, em direção a uma rua mais movimentada e busquei ajuda no restaurante de um amigo"
Mano Feijó - Produtor cultural
"Já aconteceram várias coisas, do policial pisar na minha cabeça, ficar passando a mão na minha cintura. Isso lá no passado. Já aconteceu comigo. Não estava com nada, nada ilícito. Não ando armado. A gente não precisa andar armado. Nossa arma é a nossa palavra e o nosso microfone. Só fiquei com medo de ir para algum lugar e ser acusado de algo que não fiz", disse.
Nas imagens feitas por testemunhas e que circulam nas redes sociais, Feijó aparece algemado e no chão enquanto é questionado pelos agentes. "Estava roubando você?", perguntou um dos agentes. "Claro que não. Só fui sacar meu cachê ali", respondeu o artista.
Algemado, Feijó ainda reclamou com os guardas municipais que as algemas estavam machucando os punhos. Sobre os motivos de ter sido abordado, ele acredita que foi por causa da sua aparência.
"Está apertado aqui. Está doendo mano. Eu tenho medo de vocês. Medo de ser assassinado mano, vocês são autoridade que mata pobre, mata preto, por isso"
Mano Feijó - Produtor cultural
"Acredito que seja mesmo pelo estereótipo. Não foi pela pochete que eu carregava, foi porque eles estavam querendo trabalhar em cima de mim", contou.

QUASE 10 HORAS DE ESPERA

Após ser detido, no início da tarde, por volta das 13h30, o produtor cultural foi levado para a Delegacia Regional de Cariacica, conduzido pelos crimes de resistência e desobediência. Depois de passar por exames no Pronto Atendimento de Alto Lage, ele foi levado de volta à delegacia, onde foi ouvido e liberado já por volta das 23h.
"O conduzido foi ouvido e liberado após a autoridade policial entender que não haviam elementos suficientes para lavrar auto de prisão em flagrante", diz a nota enviada pela Polícia Civil.

NA JUSTIÇA

Nesta sexta-feira (4), o produtor cultural criticou a atuação da Guarda de Cariacica e disse que vai procurar seus direitos sob orientação de seus advogados e também passará por um exame de corpo de delito.
"Estou indo fazer exame de corpo de delito. Nosso objetivo maior é, além de apurar o fato, buscar essa questão de como está acontecendo essa capacitação e esse treinamento das autoridades. A Guarda Municipal tem pouco mais de um mês e a gente precisa saber se isso vai ser tratado de uma forma onde a população por completo, seja morador de periferia ou não, se sinta segura e não insegura com ela", afirmou.

O QUE DIZ A PREFEITURA

Em nota, a Prefeitura de Cariacica disse que Feijó foi abordado porque demonstrou nervosismo ao ver os agentes.
"A Guarda Municipal estava realizando um ponto-base na rotatória do bairro Vasco da Gama, num local conhecido pelo intenso tráfico de drogas, e observou que um indivíduo portando uma pochete presa a cintura. Ao ver a presença dos agentes, demonstrou nervosismo. Suspeitando que ele estivesse armado, os agentes optaram pela abordagem ao cidadão, que demonstrou resistência passiva e não obedeceu às ordens dos agentes", diz a nota.
A nota diz ainda que, após sair do local da abordagem, o produtor cultural foi acompanhado, detido e encaminhado até à 4º Regional em Cariacica pelos crimes de resistência e desobediência.
"A Guarda Municipal de Cariacica preza pelos direitos e garantias fundamentais das pessoas e não concorda com práticas discriminatórias. Toda ação foi filmada e gravada pelo videomonitoramento da Prefeitura Municipal de Cariacica e poderá ser enviada a autoridade policial quando solicitada", diz parte da nota.
Com informações de Fabiana Oliveira, do g1 ES

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