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Racha na Terceira Ponte: um ano após acidente, acusados seguem soltos

"Me sinto como se eu fosse ninguém. Eles não têm sentimento pela dor que venho sentindo e vou carregar pela vida toda, vou chorar até o último dia da minha vida", diz mãe de uma das vítimas

Publicado em 21/05/2020 às 17h32
Atualizado em 21/05/2020 às 18h43
O estudante de Engenharia Oswaldo Venturini Neto (à esquerda) e o advogado Ivomar Rodrigues Gomes Júnior
O estudante de Engenharia Oswaldo Venturini Neto (à esquerda) e o advogado Ivomar Rodrigues Gomes Júnior . Crédito: Reprodução

Nesta sexta-feira (22) completa um ano desde o acidente na Terceira Ponte que ocasionou a morte do jovem casal Kelvin Gonçalves dos Santos, de 23 anos, e Brunielli Oliveira, de 17 anos. O advogado Ivomar Rodrigues Gomes Junior, de 35 anos, e o estudante de engenharia Oswaldo Venturini Neto, de 23 anos, réus no processo judicial, que dirigiam os veículos Audi A1 e Toyota Etios, em alta velocidade, provocando colisão com a moto das vítimas, permanecem em liberdade.

Brunielly Oliveira e Kelvin Gonçalves morreram depois que tiveram a moto atingida na Terceira Ponte
Brunielli Oliveira e Kelvin Gonçalves morreram depois que tiveram a moto atingida na Terceira Ponte. Crédito: Reprodução | Facebook

Para Jucélia Carolina Alves de Oliveira, auxiliar de serviços gerais e mãe de Brunielli, ficam a tristeza e a sensação de impunidade. "Sinto que nesse tempo não fizeram nada. Os acusados ficaram meses presos e já foram soltos, a Justiça não foi feita. Estamos aguardando uma audiência para que sejam punidos. Isso tudo foi muito grave e não pode passar batido, não pode ser mais um caso no esquecimento. Já existem provas, eles devem pagar pelo que fizeram", desabafou.

"Me sinto como se eu fosse ninguém. Eles não têm sentimento pela dor que venho sentindo e vou carregar pela vida toda, vou chorar até o último dia da minha vida, porque minha filha não volta mais. Ela tinha 17 anos e não aproveitou nada".

Procurada pela reportagem, a mãe de Kelvin não foi encontrada até o momento desta publicação.

TESTEMUNHAS

De acordo com o advogado das famílias das vítimas, e assistente à acusação no processo judicial, Siderson Vitorino, o momento é de grande expectativa pelas audiências de instrução. "O processo aguarda a marcação das audiências de instrução, para oitiva das testemunhas de acusação e de defesa. Nesse sentido, a expectativa é muito grande. Nós fizemos uma requisição de serem ouvidos os atendentes do Samu e os da Rodosol, que bloquearam a pista no dia do acidente e viram o que realmente aconteceu, isso já foi autorizado pelo juiz", iniciou.

Segundo ele, o testemunho de equipes que trabalharam no atendimento à ocorrência, que tiveram o primeiro contato com os acusados, é fundamental para indicar o estado de embriaguez e o estado emocional dos réus.

"À DISPOSIÇÃO DA JUSTIÇA"

De acordo com o advogado Ludgero Liberato, que faz a defesa do estudante de engenharia, Oswaldo continua à disposição da Justiça, para esclarecimentos que serão feitos em momento oportuno. "A última decisão importante no processo foi a de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou a possibilidade deste caso ser tratado como homicídio qualificado, determinando que será julgado como homicídio simples. Nós estamos aguardando a realização da audiência de instrução, que ocorrerá após o Judiciário retornar aos trabalhos, então as testemunhas serão ouvidas e as provas periciais serão produzidas", afirmou.

As penas, no caso de homicídio simples, podem variar entre 6 e 20 anos de reclusão, enquanto para o homicídio qualificado, poderia variar entre 12 e 30 anos.

No mesmo sentido, Jorge de Britto, advogado de Ivomar, afirmou aguardar decisão do juiz e marcação de uma audiência. De acordo com ele, com a revogação da prisão do Réu, o juiz da 1ª Vara Criminal de Vitória suspendeu a realização de uma audiência, para a qual ainda não há nova data. "Ivomar é advogado e tinha tido carteira da OAB suspensa por 6 meses, mas já voltou a trabalhar desde a revogação da prisão, que ocorreu em novembro", disse.

Segundo consta do processo judicial, em decisão do dia 03 de outubro de 2019, do magistrado Marcos Pereira Sanches, a audiência de instrução que já havia sido marcada para os dias 6 e 7 de novembro daquele ano, foi suspensa, uma vez que não haveria mais a urgência que se impõe à existência de réus presos.

Nas palavras do juiz: "Considerando que os acusados se encontram soltos, conforme decisão do C. STJ, suspendo a audiência de instrução e julgamento designada às fls. 750/753, tendo em vista a necessidade de ser designada audiência em processo de réu preso, que, por força de lei, ostenta prioridade de tramitação".

O ACIDENTE

Kelvin e Brunielli estavam em uma moto quando foram atingidos por um carro que, segundo a polícia, disputava um racha na Terceira Ponte, em maio de 2019. O laudo da perícia realizado no Audi — veículo que atingiu a moto — apontou que o excesso de velocidade do motorista do carro foi determinante para a morte do casal.

A polícia afirma que o racha era disputado pelo advogado Ivomar Rodrigues Gomesm, que dirigia o Audi, com o universitário Oswaldo Venturini Neto, que conduzia um Ethios. De acordo com a perícia, os dois motoristas estavam a 150 km/h na ponte e tinham ingerido bebidas alcoólicas.

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