O subsecretário de Estado de Inteligência, delegado Jordano Bruno Gasperazzo Leite, vai assumir o comando da Polícia Civil no Espírito Santo em um momento em que a corporação ganhou destaque nacional. Reportagens recentes revelaram que a Corregedoria levou nove anos para apurar o envolvimento de policiais do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) em um esquema de associação com criminosos e reintrodução de drogas no mercado ilegal.
Em entrevista concedida para A Gazeta, nesta terça-feira (7), o novo delegado-geral afirmou que uma das principais metas ao assumir o cargo é avaliar com atenção a atuação da Corregedoria nos processos relacionados a policiais civis.
"Em relação aos policiais civis, notadamente o caso que ocorreu agora no Denarc, operações como essas nos entristecem muito. Meu objetivo em relação à Corregedoria é analisar detalhadamente como esse setor está funcionando, quais são os fluxos, se há necessidade de alterar ou modernizar os procedimentos, se há necessidade de investir mais em tecnologia, em recursos humanos, em efetivo", afirmou.
O delegado foi convidado pelo governador Ricardo Ferraço (MDB) para ocupar o posto na segunda-feira (6) e deve assumir o cargo quinta-feira (9). Ele assumirá a vaga de José Darcy Arruda, que alegou problemas de saúde no pedido de demissão encaminhado ao chefe do Executivo estadual na última sexta-feira (3).
Arruda foi denunciado à Polícia Federal por suspeita de coação à testemunha. A notícia-crime foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres, que prestou depoimento numa investigação federal, conforme apurado pela colunista Vilmara Fernandes.
Além da denúncia, o então chefe da corporação também enfrentou outro embate interno recente, como o travado com o delegado Romualdo Gianordoli Neto, ex-subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, que o processou após uma troca de acusações por meio das redes sociais.
Quero olhar com muito cuidado e zelo para que a gente tenha uma Corregedoria que possa atender e dar respostas mais rápidas, céleres e eficientes
O novo delegado-geral afirmou que a Corregedoria precisa se empenhar em resolver as denúncias envolvendo policiais civis para que isso não precise ser feito por outras instituições. No caso envolvendo o Denarc, o caso veio à tona após ações do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e da Polícia Federal.
"O ideal é que, se há denúncia, se nós temos informações do envolvimento de policiais civis, a Corregedoria, de forma equilibrada e eficiente, possa dar resposta e agir, se for o caso, inclusive com a prisão ou até mesmo com a expulsão de um policial civil que estiver envolvido em atividades como essa que foram noticiadas nos últimos dias, envolvido supostamente com desvio e comercialização de drogas. Então, a gente precisa dar essas respostas pela Corregedoria da Polícia Civil. É muito importante isso, que a Corregedoria atue de forma proativa", declarou.
Delegado-geral quer Polícia Civil mais ágil e inteligente
Natural de Vitória, Jordano Bruno Gasperazzo Leite tem 45 anos e é bacharel em Direito pelo Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc). Sua formação acadêmica inclui especializações em Direito Público (Faculdade de Direito de Vila Velha), Direito Privado (Faculdade de Educação da Serra) e Políticas e Gestão em Segurança Pública (Universidade Estácio de Sá).
O novo delegado-geral foi aprovado no concurso de 2005 da Polícia Civil. Sua atuação começou como titular das delegacias de Fundão, João Neiva e Praia Grande. Depois, passou para unidades especializadas de alta complexidade, como a Delegacia de Segurança Patrimonial, Crimes Contra o Transporte de Pessoas e Cargas e Roubo a Bancos.
Também esteve à frente do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) e da Divisão Patrimonial. Sua experiência em inteligência foi consolidada como gerente de Operações Técnicas da Subsecretaria de Estado de Inteligência, na qual virou subsecretário em outubro de 2025.
Jordano Bruno tem uma trajetória marcada pela implementação de ferramentas tecnológicas em investigações conduzidas pela Polícia Civil. Ele teve participação decisiva em projetos como a Delegacia Online, o Portal Sisp, o Business Intelligence da Sesp e o Cerco Inteligente. Além disso, atuou diretamente na implantação do Inquérito Digital, do Teleflagrante, do programa Recupera e da integração da polícia com o Poder Judiciário por meio do Conetjud (PJe).
Jordano afirmou que pretende levar essa bagagem tecnológica para o comando da Polícia Civil e tornar a corporação mais inteligente e ágil nas investigações, com o uso de inteligência artificial.
"A Polícia Civil passou por diversos ciclos de atualização e modernização, especialmente em sua infraestrutura. Antigamente, a instituição era responsável pela custódia de presos, gerindo cadeias, celas e até presídios, o que prejudicava significativamente a atividade fim da Polícia Civil: a investigação. Todo o avanço ocorrido nos últimos anos em infraestrutura de internet e informática viabiliza, agora, a implementação de tecnologias de ponta, como sistemas de inteligência artificial, análise telemática e reconhecimento facial. Com base na minha experiência, pretendo acelerar a chegada dessas ferramentas aos policiais operacionais, garantindo resultados mais céleres e eficientes, com provas contundentes e irrefutáveis. Além de reduzir o tempo de apuração, isso permitirá investigações auditáveis, eliminando questionamentos", declarou.
Meu objetivo é consolidar uma polícia mais operacional, moderna e que responda prontamente às demandas da sociedade