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Preso suspeito de matar a ex e a mãe dela a tiros em Vila Velha

Crime ocorreu no último dia 25, nos bairros Zumbi dos Palmares e Jardim Marilândia. Ex-companheiro da jovem de 20 anos foi preso em cumprimento de mandado de prisão temporária

Tempo de leitura: 5min
Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 29/11/2021 às 16h12
Karina, de 20 anos, foi morta pelo ex-companheiro em Jardim Marilândia, em Vila Velha
Karina Freitas, de 20 anos, foi morta pelo ex-companheiro em Jardim Marilândia, em Vila Velha. Crédito: Reprodução

Suspeito de matar mãe e filha a tiros em bairros diferentes de Vila Velha na manhã da última quinta-feira (25), o ex-companheiro da jovem, Adenilton de Jesus Nascimento dos Santos, de 27 anos, foi preso nesta segunda-feira (29) em cumprimento de mandado de prisão temporária. As vítimas são Karina Freitas, de 20 anos, e a mãe dela, Silvanete dos Santos Freitas, de 38. As execuções foram registradas nos bairros Zumbi dos Palmares e Jardim Marilândia. Os crimes aconteceram no Dia Mundial de Combate à Violência contra a Mulher.

Crimes em Vila Velha
Adenilton de Jesus Nascimento dos Santos, de 27 anos, foi preso nesta segunda-feira (29). Crédito: Reprodução | TV Gazeta

Em coletiva de imprensa, a titular da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), Raffaella Aguiar, informou que, desde que o crime foi cometido, começaram as diligências policiais para prender o suspeito em flagrante. Segundo a delegada, apesar de ter negado ser o autor dos assassinatos em oitiva na delegacia, Adenilton teria premeditado os crimes.

Raffaella Aguiar

Delegada titular da DHPM

"Apesar de, na delegacia, onde se apresentou no início da tarde, ter negado, ele narrou o passo a passo. Ele pensou em vários trechos e não tem como, por impulso, ter tido tanto cuidado. Saiu do trabalho com o carro dele, deixou em casa, pegou uma moto de um conhecido dele e colocou uma mochila de entregas delivery, dizendo que era um disfarce. A arma, calibre 38, comprada na feira do Aribiri meses antes, ele disse que dispensou e jogou o celular fora para dificultar a prisão. Foi para a zona rural para evitar ser encontrado. No dia anterior, já tinha ido na casa da vítima para pegar a filha deles "

Adenilton, segundo a autoridade policial, teria primeiro ido à casa das vítimas, onde encontrou apenas a sogra. Após uma discussão entre os dois, em que ele alega ter sido ameaçado, ele disparou contra Silvanete e a atingiu na cabeça. Depois, prosseguiu ao trabalho da ex-companheira, onde, calmamente, teria chegado a conversar com colegas de trabalho dela. "Chegou lá, como se nada tivesse acontecido, cumprimentou as pessoas e perguntou por ela. Conversou com Karina e tranquilamente pediu para que ela o acompanhasse até a porta para dar informações sobre a certidão de nascimento e carteira de vacinação da filha deles. A vítima o seguiu. Ele subiu na moto, ligou. Perguntou sobre as ameaças que, segundo ele, o atual namorado dela teria feito. Ela negou, ele perdeu a cabeça, disparou na cabeça dela e fugiu", relatou.

Para Raffaella Aguiar, o homem se entregou porque sabia que a polícia estava prestes a encontrá-lo. Além disso, não tinha conhecimento sobre o mandado de prisão temporária. "Primeiro fomos até um sítio da família dele, em Viana, mas, como é um terreno que ele conhecia bem, teve todo o dificultador, então ele fugiu antes. Continuamos as diligências por meio de informações que recebemos e tecnologia. Hoje novamente fomos atrás dele para ver se chegávamos à localização onde ele estava. Chegou o advogado dele para nos dizer que ele tinha interesse em se apresentar, sem perguntar se havia mandado de prisão — e eu também não falei. Então ele veio aqui prestar informações sobre o porquê de ter feito o que fez", disse.

A delegada explicou que o suspeito disse que matou as vítimas porque estava recebendo ameaças do atual namorado da ex-companheira. "Ele disse que os dois tinham terminado há apenas um mês, mas as testemunhas dizem que fazia seis meses. A vítima que teria rompido o relacionamento, não queria mais e não deu mais explicações, o que o deixou insatisfeito. Ele continuou a ir à casa dela para tentar reatar e ela foi firme ao dizer que não. A mãe começou a ameaçar procurar a polícia por conta da insistência dele, o que o deixou incomodado. No dia dos fatos, ele falou que tinha recebido uma ameaça, que não foi comprovada, e que agiu então sob forte emoção", acrescentou.

O suspeito, que trabalhava em uma fábrica de bonecas, já tinha passagem na polícia por infração à Lei Maria da Penha, relacionada a ameaças em um relacionamento anterior. Segundo a Polícia Civil, quando o inquérito for concluído, será solicitada a prisão preventiva e o homem ficará à disposição da Justiça. O investigado deverá responder por duplo homicídio.

"Em depoimento, o suspeito pareceu muito frio. Tentou esboçar crise de choro e falou em arrependimento, mas na maior parte do tempo esteve muito calmo. Nada levou a crer que de fato estivesse arrependido", finalizou a delegada.

Segundo a delegada, a filha de Adenilton e Karina, de apenas um ano, está sob os cuidados da avó paterna. Já o homem que estaria atualmente namorando a vítima não foi localizado até o momento.

RELEMBRE O CASO

Testemunhas relataram à reportagem que mãe e filha foram assassinadas porque o suspeito não aceitava o término da relação com a jovem. As vítimas moravam a cerca de três quilômetros de distância uma da outra. Primeiro, o executor tirou a vida de Silvanete, em Zumbi dos Palmares e, na sequência, em questão de minutos, foi até Jardim Marilândia e também executou Karina a tiros.

Karina Freitas, de 20 anos, foi morta pelo ex-companheiro em Jardim Marilândia
Karina Freitas, de 20 anos, foi morta pelo ex-companheiro em Jardim Marilândia. Crédito: Fernando Madeira

Karina, com quem o suspeito tem uma filha de apenas um ano, foi morta em seu local de trabalho, uma empresa de reciclagem — onde sua mãe também trabalhava. O dono do local, que preferiu não ser identificado, afirmou à reportagem, no dia do crime, que o homem chegou de motocicleta ao estabelecimento.

"Elas eram selecionadoras de plástico, a 'Net' foi quem trouxe a Karina para trabalhar aqui. O rapaz entrou, porque ele já teve um filho com ela e já veio aqui outras vezes, nunca havia causado problema, briga ou tumulto. Desta vez também não teve. Ele entrou, foi educado, tirou o capacete e pediu para falar com ela", disse, na ocasião.

Dono da empresa de reciclagem, em Jardim Marilândia, local onde Karina Freitas, 20, foi morta
Dono de empresa de materiais recicláveis, onde as vítimas trabalhavam, disse que suspeito estava calmo quanto cometeu crime . Crédito: Fernando Madeira

O assassinato de  Silvanete — ocorrido minutos antes da morte de sua filha — foi presenciado pela irmã dela, Elizangela dos Santos Freitas. Ela contou que o suspeito chegou à casa delas acusando a mulher de ter passado seu  número de celular para o novo namorado de Karina, pois ele havia recebido uma ligação dele o ameaçando. Silvanete teria dito que iria à delegacia, mas o homem afirmou que não daria tempo e matou a mãe de sua ex com um tiro na cabeça.

Elizangela disse ainda que, logo após o crime, tentou ir à empresa onde as vítimas trabalhavam para alertar a sobrinha, pois o suspeito lhe disse que iria até lá matar a ex-companheira. Entretanto, ela não chegou a tempo de impedir o assassinato da jovem.

"Entrei em estado de choque. Ele olhou para a minha cara e saiu correndo, só falou: 'Agora eu vou terminar'. Deu tempo de ir avisar a minha mãe, mas não deu tempo de avisar a Karina. Quando eu cheguei, já havia acontecido essa tragédia", disse.

Segundo a tia da jovem, Karina e o suspeito tiveram uma briga no dia 24, em que o homem teria dito para a vítima terminar o atual relacionamento ou ele a mataria. Ela disse que sua sobrinha respondeu ao suspeito que não terminaria, e que, mesmo que terminasse, não reataria o relacionamento com ele.

Atualização

29 de Novembro de 2021 às 18:24

A Polícia Civil realizou coletiva de imprensa informando detalhes sobre a prisão do suspeito. O texto foi atualizado.

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