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Bom Jesus do Norte

Polícia investiga se suspeita realizou outros abortos clandestinos no ES

Uma mulher de 48 anos, suspeita de ter feito o procedimento ilegal que levou uma gestante à morte em Bom Jesus do Norte, foi presa

Publicado em 09 de Junho de 2020 às 18:24

Redação de A Gazeta

Publicado em 

09 jun 2020 às 18:24
Data: 26/11/2019 - ES - Vitória - Viaturas da Polícia Civil
Data: 26/11/2019 - ES - Vitória - Viaturas da Polícia Civil Crédito: Carlos Alberto Silva
A Polícia Civil de Bom Jesus do Norte, no Sul do Espírito Santo, continua investigando o caso de uma mulher de 31 anos que morreu ao tentar fazer um aborto clandestino, na última terça-feira (02). A suspeita de ter feito o procedimento ilegal, uma mulher de 48 anos, foi presa após o crime e confessou que ajudou no procedimento abortivo. A polícia investiga se ela já teria cometido outros procedimentos abortivos na região.
Segundo a polícia, o caso começou uma semana antes da morte da gestante. A mulher estava grávida de dois meses e, segundo o relato do namorado da vítima à Polícia Militar, ela pagaria R$ 800 a uma mulher, moradora do município, para fazer o procedimento. Ela tentou, porém não conseguiu, então na última terça (02), teria retornado para continuar o procedimento abortivo. O processo foi através do uso de uma seringa, sonda e permanganato de potássio. Durante o processo, a gestante não resistiu e faleceu por conta de um infarto.
Titular da delegacia de Bom Jesus do Norte, o delegado Sandro Zanon conta que, após passar por audiência de custódia, a  mulher responsável por fazer o procedimento abortivo permanece presa. Ela confessou que ajudou no aborto. "Ela acabou confessando que injetou o permanganato de potássio na vítima e alega que receberia R$ 800. O que não faz muito sentido, pois diz que a vítima iria comprar um medicamento que é mais comum em casos de aborto, por R$ 800, e deixou de comprar o remédio para dar esse valor à ela para fazer esse procedimento", comenta o delegado.
As investigações ainda apontam que vítima trabalhava com serviços de faxina e morava com um filho adolescente, de 13 anos. O namorado da vítima, ouvido pela polícia, disse que ela não queria a criança. "Ele contou que ela revelou que estava grávida dele, mas não queria o filho, e ele, em sua versão, tentou dissuadi-la a ter a criança. Ela achava que a criança iria trazer um empecilho para sua vida, que estava estabilizada", revela Zanon.
A vítima, segundo apuração da PC, era conhecida da mulher que fez o procedimento abortivo. As duas eram faxineiras e, por conta da profissão, trocaram telefone, para passarem informações de serviços na cidade. "A linha investigativa agora é descobrir se a mulher presa praticou a mesma conduta anteriormente ou se está associada a outras pessoas para praticar abortos. O inquérito, quanto ao crime do aborto, deve ser encaminhado nesta semana ao Ministério Público". 
A mulher responsável pelo procedimento abortivo não teve o nome revelado pela Polícia Civil, foi autuada em flagrante pelo crime de aborto e encaminhada ao Centro Prisional Feminino de Cachoeiro de Itapemirim. A pena para o crime, que resultou em morte, pode chegar a oito anos de prisão. Denúncias que ajudem na investigação podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181. Não é necessário se identificar. 

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