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Polícia fecha cerco contra quadrilha que matou inocente, na Serra

A quadrilha também é envolvida em outro assassinato e chegou até a gravar um vídeo comemorando a morte de um rival. Ao todo, oito pessoas foram presas acusadas dos crimes

Publicado em 21/10/2020 às 20h06
Wilson foi brutalmente assassinado por ser apontado, equivocadamente, como informante do tráfico
Wilson foi brutalmente assassinado por ser apontado, equivocadamente, como informante do tráfico. Crédito: Divulgação/Polícia Civil

O medo de ter a boca de fumo tomada por rivais levou uma quadrilha de traficantes a tirar a vida de um trabalhador inocente, em Jardim Tropical, na Serra, em janeiro deste ano. O pedreiro  Wilson Couto do Nascimento, 51 anos, foi executado na frente da filha  porque foi confundido com um informante, segundo investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Serra

O oitavo envolvido no crime foi detido nessa terça-feira (20), durante uma operação policial no bairro Jardim Tropical. Segundo a polícia, ele tem 29 anos de idade, mas a identidade dele não foi divulgada. Ele estava na área verde, ponto de intenso tráfico de drogas do bairro.  O detido é apontado como um dos autores do assassinato do pedreiro de 51 anos.

De acordo com o titular da DHPP Serra, Rodrigo Sandi Mori, outros suspeitos foram presos anteriormente nesta investigação. “Além dele, outros sete  indivíduos que participaram desse crime já foram presos em operações realizadas pela unidade, não restando nenhum foragido. A vítima foi acusada pelos assassinos de passar informações para traficantes rivais, mas na verdade não tinha qualquer envolvimento com o tráfico de drogas”,  explicou.

O assassinato aconteceu no dia 22 de janeiro, quando oito indivíduos invadiram a casa da vítima e a executaram, com 13 disparos, na frente de uma criança de dois anos, filha dele.

“Um vídeo, que circulou pelas redes sociais, mostrou os envolvidos comemorando o assassinato, logo após o cometimento do crime. Os levantamentos da DHPP Serra concluíram que a vítima não tinha qualquer ligação com o tráfico”, afirmou Sandi Mori.

 Além de Wilson, a outra vítima da quadrilha foi identificada como Renan Cleiton Gonçalves da Silva, de 21 anos. O jovem, segundo o delegado, foi morto em um confronto ocorrido também no dia 22 de janeiro.

PRISÕES

Este é o oitavo suspeito preso nesta investigação. Quatro homens, de 21, 27, 28 e 31 anos; e duas mulheres, de 18 e 25 anos, foram presos em cumprimento de mandados de prisão temporária, todos por suspeita de envolvimento neste crime. Dentre as prisões, cinco delas foram divulgadas em entrevista coletiva, no dia 10 de junho deste ano. 

"No dia 20 de janeiro teve um homicídio em Jardim Tropical, mataram o chefe do tráfico da Área Verde, conhecido como Romário. Esse grupo que foi lá, do qual o Renan fazia parte, tentava retomar o controle do tráfico no bairro. Os dois eram da mesma região, mas houve um racha desse grupo. Dois dias depois, esse grupo voltou para tentar pegar o controle e tentaram um novo ataque, mas o pessoal da Área Verde já estava armada esperando por eles. Houve uma troca de tiros e o Renan foi morto nesse confronto entre traficantes. Ele acabou alvejado e até foi arrastado pelos comparsas para um beco, mas um dos que prendemos foi até ele e efetuou um disparo fatal de calibre 12. Depois disso arrastaram o corpo dele e jogaram lá no lixão", explicou o delegado.

Delegado Rodrigo Sandi Mori
Delegado Rodrigo Sandi Mori. Crédito: Divulgação/ Polícia Civil

O sexto suspeito de 21 anos foi detido no dia 18 de junho, e com ele foi apreendido uma pistola 9 mm, de fabricação austríaca, adaptada com seletor de rajada, munições e carregadores. O sétimo integrante da quadrilha foi preso depois desta data, mas a Polícia Civil não especificou o dia.

PESSOA ERRADA

Após conseguirem eliminar o traficante rival, o grupo que detém o controle na Área Verde se reuniu para eliminar a pessoa que passava informações privilegiadas ao grupo rival. Essa pessoa seria o auxiliar de serviços gerais Wilson Couto do Nascimento, mas as investigações apontaram que ele nunca foi informante e foi brutalmente assassinado.

"Depois desse homicídio (Renan), esse grupo formado por oito pessoas, incluindo duas mulheres, se reuniu em um beco porque desconfiavam que o Wilson (morador) passava informações privilegiadas para o grupo que tentava retomar controle do tráfico. Eles então decidiram matá-lo. De madrugada, foram até a casa da vítima, quebraram a porta e efetuaram 13 disparos de arma de fogo nele, na frente de uma criança de dois anos, que era filha do Wilson. Tudo isso ocorreu no mesmo dia 22, em questão de poucas horas", detalhou Sandi Mori.

Nesse grupo de oito pessoas estava uma jovem de 18 anos, com quem Wilson teve a filha. As investigações da DHPP concluíram que ela foi quem apontou onde o ex-parceiro morava. Segundo o delegado, ela se uniu ao grupo porque não tinha boa relação com o auxiliar de serviços gerais. Além disso, ela também traficava drogas no bairro.

A outra mulher detida nas operações realizadas nos dias 8, 11 e 24 de maio, tinha 25 anos e era ex-namorada de Romário. Ela se uniu ao grupo para vingar a morte do parceiro que comandava o tráfico na Área Verde em Jardim Tropical.

COMEMORAÇÃO

Após executarem Renan e Wilson, o grupo tomou conta de uma rua no bairro e dispararam para o alto em comemoração aos crimes cometidos e a "Vitória no confronto. No vídeo, o gerente do tráfico (de camisa branca e cumprimentado pelos demais) e o chefe do tráfico lideraram a ação. Os dois, assim como as duas mulheres e ainda um outro homem de 31 anos, também com envolvimento nas mortes, foram presos em três operações da DHPP em maio.

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