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Polícia descarta legítima defesa e indicia homem por morte de PM em Vila Velha

Polícia descarta legítima defesa e indicia homem por morte de PM em Vila Velha

Investigação apontou homicídio doloso duplamente qualificado após agressão com cano de PVC em posto de combustíveis, em Coqueiral de Itaparica

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 17:42

Cabo da PM Mariusom Marianelli Jacintho morreu após ser agredido por Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior
Cabo da PM Mariusom Marianelli Jacintho morreu após ser agredido por Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior Crédito: Acervo Pessoal

Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do cabo da Polícia Militar Mariusom Marianelli Jacintho, agredido na cabeça com um cano de PVC com base de concreto, em 26 de dezembro de 2025. O fato aconteceu em um posto de combustíveis, no bairro Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. O policial ficou internado por alguns dias, mas não resistiu e morreu em 3 de janeiro. A corporação descartou a alegação de legítima defesa do investigado, Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior, de 51 anos. Ele foi indiciado por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima.

Como aconteceu a agressão

Segundo o delegado adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, Cleudes Júnior, Kennedy possui uma loja anexa ao posto de combustíveis onde ocorreu a agressão. O cabo chegou ao local acompanhado do irmão e da esposa para lavar o para-brisa do veículo e utilizar o banheiro do estabelecimento.

Enquanto o irmão desceu do carro e se dirigiu à loja de conveniência para ir ao banheiro, Mariusom seguiu para o lado esquerdo do estabelecimento, indo até um canto próximo ao lava-jato, onde passou a urinar. “De acordo com depoimentos, em momento algum ele mostrou a genitália para qualquer pessoa. Ele estava de frente para o muro e urinou naquele local”, explicou o delegado.

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Caso aconteceu na sexta-feira (26); militar foi agredido com uma barra de ferro

Ao ver a cena, o gerente do posto de combustíveis chamou a atenção do policial, dando início a um princípio de discussão. Conforme o depoimento do próprio gerente, ao perceber que a vítima havia ingerido bebida alcoólica, ele optou por encerrar a briga. No entanto, pessoas que estavam em frente a uma loja de roupas começaram a repreender Mariusom, inclusive Kennedy. A partir disso, iniciou-se uma discussão entre os dois.

“Os ânimos foram se exaltando. Foi uma discussão superior a um minuto, com xingamentos e palavras de baixo calão de ambas as partes”, disse o delegado adjunto da DHPP de Vila Velha.

De acordo com o delegado, Kennedy pegou um cano de PVC com base de concreto, correu por trás do veículo e desferiu o primeiro golpe contra a vítima, que tentou se defender segurando o braço do agressor. Em seguida, o agressor efetuou um segundo golpe, que atingiu o policial na região da cabeça.

Após ser atingido, o PM passou a perder muito sangue no local do ferimento. O irmão dele, que retornava do banheiro, partiu em direção ao agressor e o atingiu na cabeça com um copo. “O autor ainda continuava com esse cano de PVC na mão. Nesse momento, a companheira de Mariusom pegou a arma de fogo que estava no banco de trás, dentro de uma bolsa, e apontou no intuito de afastar o agressor”, explicou Cleudes Júnior.

O delegado disse que as imagens das câmeras de segurança do posto de combustíveis mostram que, em nenhum momento, o policial esboça qualquer tipo de reação. Mesmo após sofrer o primeiro golpe, ele não parte para cima do agressor nem faz menção de levar a mão à cintura em busca de uma arma.

O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPES) na última segunda-feira (5). O órgão informou que aguarda o recebimento do inquérito para análise e adoção das medidas cabíveis.

Em nota, o advogado Anderson Buke, responsável pela defesa de Kennedy, afirmou que, até o momento, não teve acesso à conclusão do inquérito policial e, por isso, não pode se manifestar sobre os fundamentos que embasaram o entendimento da autoridade policial. Ainda assim, destacou que respeita a posição adotada, reconhecendo a seriedade e a importância do trabalho realizado durante a investigação.

A defesa reiterou o posicionamento, sustentando que os fatos ocorreram conforme a versão apresentada por Kennedy desde o início, de forma firme, coerente e consistente. O advogado informou que, assim que tiver acesso integral à conclusão do inquérito, fará a análise técnica do conteúdo e adotará as medidas jurídicas cabíveis. O texto também manifesta respeito à memória da vítima, solidariedade aos familiares e consideração à Polícia Militar e a seus integrantes.

Defesa de Kennedy | Nota na íntegra

"Até o presente momento, não tivemos acesso à conclusão elaborada pela autoridade policial no âmbito do inquérito policial, razão pela qual não podemos nos manifestar sobre os fundamentos específicos que embasaram tal conclusão.

Ainda assim, independentemente da posição eventualmente adotada pela autoridade policial — ainda que dela possamos divergir sob o ponto de vista da análise fática e técnico-jurídica —, respeitamos o entendimento por ela firmado, reconhecendo a seriedade e a importância do trabalho institucional desenvolvido ao longo da investigação.

Sem prejuízo disso, ratificamos integralmente o posicionamento já tornado público, reiterando que os fatos ocorreram exatamente conforme narrado por Kennedy, versão que sempre foi apresentada de forma firme, coerente e consistente, amparada em prova técnica de conteúdo audiovisual regularmente anexada ao inquérito policial, a qual corrobora a sua narrativa e evidencia a verdade dos acontecimentos. 

Tão logo seja franqueado o acesso à conclusão e ao seu respectivo conteúdo, faremos a análise técnica e adotaremos as medidas jurídicas cabíveis para colaborar com a correta apuração dos fatos e adequada interpretação jurídica do caso concreto. 

Por fim, manifestamos profundo respeito à memória da vítima, solidarizando-nos com seus familiares e com todos aqueles afetados por esse fato, bem como expressamos nosso respeito à Polícia Militar e aos seus integrantes, que diariamente se dedicam à proteção da sociedade."

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