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PM usava abordagens para aliciar adolescentes para furtos de motos na Serra

PM usava abordagens para aliciar adolescentes para furtos de motos na Serra

Segundo a polícia, o soldado Marcelo Ramos Araújo usava a farda para recrutar menores para cometerem os furtos em esquema de revenda de veículos adulterados na internet

Publicado em 5 de março de 2026 às 11:27

Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, é investigado na Operação Mácula
Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, é investigado na Operação Mácula Crédito: Reprodução e Divulgação

O soldado da Polícia Militar Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, é investigado por aproveitar abordagens a menores de idade durante o serviço para aliciar adolescentes a furtar motocicletas. Os crimes fariam parte de um esquema de revenda de veículos adulterados. As informações são da Operação Mácula, deflagrada nesta quinta-feira (5), que cumpriu seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao militar e a outros suspeitos. 

Segundo o delegado Luiz Gustavo Ximenes, titular da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), o policial utilizava a farda para facilitar o aliciamento. 

“Ele usava a farda da Polícia Militar para ter mais facilidade em induzir as pessoas a cometerem os furtos. Durante abordagens a adolescentes ou até mesmo a adultos envolvidos em crimes, ele acabava incentivando essas pessoas a praticar a subtração de motocicletas. Estamos investigando o uso da função policial para a prática de corrupção de menores”, afirmou o delegado.

De acordo com as investigações, após os furtos — sempre no município da Serra — os adolescentes repassavam as motos ao policial militar. “Depois disso, Marcelo adulterava os veículos e os colocava novamente no mercado. As vendas eram feitas por meio de anúncios em sites e também no Facebook”, completou o delegado.

Já estava preso por agredir esposa

Um vídeo mostra o momento que o soldado da PM Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, resistè prisão e agride um policial militar na noite de sábado (21), em Jardim Camburi, Vitória.

Marcelo já está preso, desde o último dia 21, após agredir a esposa dele, também policial militar, e outros agentes em Jardim CamburiVitória. Na ocasião, ele foi autuado em flagrante por lesão corporal, injúria e ameaça, todas na forma da Lei Maria da Penha, e ameaça, resistência e desacato.

A colunista Vilmara Fernandes, de A Gazeta, apurou que, após o episódio, a Corregedoria da Polícia Militar havia pedido uma nova prisão preventiva para o soldado Marcelo, apontando que ele teria cometido crimes militares como violência contra superior, recusa de obediência, resistência mediante ameaça ou violência, e desacato a superior hierárquico. 

Operação Mácula

Operação “Mácula”: investigação mira organização criminosa especializada em furtos e roubos de motocicletas por Divulgação | Polícia Civil

Policiais foram às ruas na manhã desta quinta-feira (5) para cumprir mandados de busca e apreensão contra uma organização criminosa suspeita de atuar no furto de motocicletas na Serra, na Grande Vitória. Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo seria chefiado pelo soldado da Polícia Militar Marcelo Ramos Araújo.

A ação foi batizada de Operação Mácula e resultou no cumprimento de seis mandados de busca e apreensão nos bairros Barcelona, Porto Canoa, Enseada de Jacaraípe, Laranjeiras e Praia de Capuba, todos no município da Serra.

As investigações tiveram início em 2024, após a prisão em flagrante de um jovem de 18 anos suspeito de receptação. A partir da análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos, os investigadores identificaram que ele faria parte de uma organização criminosa voltada ao furto de motocicletas no município.

O nome da operação faz referência ao termo “mácula”, que significa mancha ou desonra, simbolizando a conduta de agentes que, ao se envolverem em práticas criminosas, acabam manchando a farda e a imagem das instituições de Segurança Pública.

Em nota, a Polícia Militar informou que "a Corregedoria está adotando todas as medidas cabíveis para apuração dos fatos. A investigação segue em curso, sendo que as informações são sigilosas e não podem ser divulgadas para não comprometer o processo investigatório. O referido policial segue detido no presídio militar".

A reportagem de A Gazeta tenta contato com a defesa de Marcelo. O espaço segue aberto para manifestações. 

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