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Alvo da Operação Mácula

PM que agrediu mulher é suspeito de chefiar esquema de furto de motos na Serra

Mandados foram cumpridos em cinco bairros; investigação aponta que soldado da PM liderava organização criminosa

Publicado em 05 de Março de 2026 às 08:13

Júlia Afonso

Publicado em 

05 mar 2026 às 08:13
Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, agrediu a mulher, também soldado, e outros policiais
Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, agrediu a mulher, também soldado, e outros policiais Crédito: Reprodução
Policiais foram às ruas na manhã desta quinta-feira (5) para cumprir mandados de busca e apreensão contra uma organização criminosa suspeita de atuar no furto de motocicletas na Serra, na Grande Vitória. Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo seria chefiado pelo soldado da Polícia Militar Marcelo Ramos Araújo, que já está preso após agredir a esposa, também da corporação, durante o Carnaval deste ano
A ação foi batizada de Operação Mácula e resultou no cumprimento de seis mandados de busca e apreensão nos bairros Barcelona, Porto Canoa, Enseada de Jacaraípe, Laranjeiras e Praia de Capuba, todos no município da Serra.
As investigações tiveram início em 2024, após a prisão em flagrante de um jovem de 18 anos suspeito de receptação. A partir da análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos, os investigadores identificaram que ele fazia parte de uma organização criminosa voltada ao furto de motocicletas no município.

PM usava abordagens para aliciar menores

De acordo com o delegado Luiz Gustavo Ximenes, titular da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), o policial usava a farda para aliciar menores de idade a cometer furtos de motocicletas para ele. “Durante uma abordagem a adolescentes ou adultos praticando crimes, ele induzia essas pessoas a praticarem furtos. Segundo as investigações, o suspeito se aproveitava da própria função policial para cometer corrupção de menores”, explicou o delegado.
Depois que o adolescente furtava a motocicleta, o veículo era adulterado. “Após a subtração, esses indivíduos encaminhavam as motos para Marcelo, que fazia a adulteração e as colocava novamente no mercado. Ele vendia os veículos em sites de anúncios, inclusive no Facebook”, detalhou o delegado.
O nome da operação faz referência ao termo “mácula”, que significa mancha ou desonra, simbolizando a conduta de agentes que, ao se envolverem em práticas criminosas, acabam manchando a farda e a imagem das instituições de segurança pública.

Preso por agredir mulher e outros PMs

Marcelo, de 32 anos, agrediu a mulher, também soldado, e outros policiais durante uma confusão no estacionamento de um atacarejo no bairro Jardim Camburi, em Vitória, no último dia 21. A vítima, de 26 anos, estava dentro de um carro, de onde foi retirada à força pelas pernas e caiu de costas no chão. Depois, ainda levou um tapa no rosto até que outras pessoas chegassem para conter o agressor. 
"Ao tentar intervir na situação, foi dada ordem de parada ao soldado Marcelo, que se encontrava extremamente alterado, demonstrando elevado desrespeito para com a guarnição de serviço, empurrando os militares na tentativa de continuar agredindo a soldado", detalhava um trecho do boletim de ocorrência da Polícia Militar.
Como o PM não continha a agressividade, foi usado bastão e spray de pimenta contra ele. Nesse momento, ainda segundo a ocorrência, Marcelo xingou os militares de serviço e os ameaçou de morte. Então, foi dada voz de prisão ao soldado.
"Ao ser novamente cientificado da ordem de prisão e durante a tentativa de algemação, o soldado Marcelo desferiu um soco no rosto de um sargento, quebrando os óculos do graduado. Foi necessário o emprego de técnicas de imobilização para cessar nova injusta agressão, sendo o militar contido por quatro policiais. Em razão da contenção, o soldado Marcelo apresentou escoriações no rosto e no corpo, por estar sem camisa", descreveu a PM, no boletim de ocorrência.

PM pode ter novas prisões por crimes militares

A colunista de A Gazeta Vilmara Fernandes adiantou, no dia 25 de fevereiro, que a Corregedoria da Polícia Militar havia pedido uma nova prisão preventiva para o soldado Marcelo, apontando que ele teria cometido crimes militares — além de agredir a esposa.
De acordo com o órgão corregedor, além de agressões físicas, o soldado teria feito ameaças contra os militares que atendiam a ocorrência, um deles seu superior hierárquico, declarando: “Vocês vão se f*der, seus recrutas, eu vou matar vocês".
“Ao ser cientificado da voz de prisão, desferiu um soco no rosto do CPU (sargento), quebrando seus óculos, sendo necessária a contenção por quatro policiais militares, com uso progressivo da força”, informa representação encaminhada à Justiça Militar. O documento cita que houve a prática de violência e ameaça praticada contra militares em serviço. Entre os crimes identificados estão:
  • Violência contra superior 
  • Recusa de obediência 
  • Resistência mediante ameaça ou violência 
  • Desacato a superior hierárquico
Em nota, a Polícia Militar informou que "a Corregedoria está adotando todas as medidas cabíveis para apuração dos fatos. A investigação segue em curso, sendo que as informações são sigilosas e não podem ser divulgadas para não comprometer o processo investigatório. O referido policial segue detido no presídio militar".
A reportagem de A Gazeta tenta contato com a defesa de Marcelo. O espaço segue aberto para manifestações.
PM que agrediu mulher é suspeito de chefiar esquema de furto de motos na Serra

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