Publicado em 12 de março de 2026 às 19:36
Natural do Espírito Santo, o engenheiro Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, de 26 anos, é suspeito de desenvolver, divulgar e comercializar armas feitas em impressora 3D, em um esquema que foi alvo de operação das forças de segurança em 11 Estados. Ele foi preso na manhã desta quinta-feira (12), em Rio das Pedras, no interior de São Paulo. >
Esse tipo de armamento é conhecido como “arma fantasma” porque não possui numeração de série e pode ser produzido com equipamentos acessíveis no mercado, o que dificulta a rastreabilidade e representa risco relevante à segurança pública. Segundo apuração do jornal O Globo, as peças teriam sido vendidas para ao menos 11 estados entre 2021 e 2022.>
Nas redes sociais, o capixaba se identificava como Zé Carioca ou Joseph The Parrot, autor do design da arma Urutau, lançado em um comercial em seu perfil no X em 2024. >
Ainda de acordo com O Globo, o vídeo intercalava o slogan “Testado nos EUA, projetado no Brasil e feito na sua casa” com imagens do armamento em ação. Sem expor sua identidade, ele já teria concedido até entrevistas para canais americanos e brasileiros sobre o desenvolvimento da arma.>
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No arquivo do projeto, feito em colaboração com outro desenvolvedor, há uma carta em que é citada sua “ profunda convicção que o direito ilimitado de possuir e portar armas é um direito humano fundamental.”>
Em razão da criação da Urutau, o engenheiro, que tem passagens por instituições federais no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, foi citado no ano passado em uma matéria do jornal norte-americano The Guardian sobre a impressão de armas 3D e a responsabilidade por extremistas que utilizam seus projetos para fabricar armamentos.>
“Quer dizer, eu não os apoio, mas, se eles fabricarem uma arma, não posso fazer nada a respeito”, disse. “Se você está incomodado com um supremacista branco construindo um Urutau, pode construir um você mesmo para se contrapor a ele”, reproduz a reportagem, conforme relembrado por O Globo.>
Engenheiro, a trajetória acadêmica do investigado, nascido em 2000, inclui passagens pelo curso de Engenharia Eletrônica do Cefet/RJ, aprovações no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde, segundo o jornal O Globo, cursou Engenharia Elétrica.>
A Operação Shadowgun, que levou à prisão de Queiroz, cumpriu mandados em 11 estados, incluindo o Espírito Santo. Segundo o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPES), um mandado de busca e apreensão foi cumprido na Serra. Durante o cumprimento do mandado no Espírito Santo, a equipe do GAECO/MPES localizou uma impressora 3D, confirmando suspeitas levantadas no curso da investigação. >
Ao todo, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, tendo como alvo 30 investigados.>
A investigação foi conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do CyberGAECO, com apoio de polícias civis de vários estados, entre eles Espírito Santo, Bahia, Goiás, Santa Catarina, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe e Minas Gerais.>
Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a operação reforça a importância da atuação conjunta entre instituições. “A atuação coordenada entre as polícias civis, o Ministério Público e os órgãos de inteligência permite identificar e interromper estruturas criminosas que utilizam o ambiente digital para ampliar sua atuação”, afirmou.>
De acordo com as investigações, a organização utilizava a internet para desenvolver, divulgar e comercializar projetos digitais de armas de fogo e acessórios produzidos por impressão 3D, além de itens de alto poder destrutivo, como carregadores de grande capacidade.>
Os integrantes compartilhavam arquivos digitais, manuais de montagem e orientações técnicas em plataformas online, permitindo que outras pessoas reproduzissem o armamento de forma clandestina. >
Segundo os investigadores, a organização também utilizava sistemas de pagamento digitais com alto grau de anonimização, dificultando a identificação das transações financeiras. Os recursos obtidos eram usados para comprar equipamentos, manter a infraestrutura digital e financiar as atividades do grupo, incluindo a divulgação dos projetos e a produção de peças para armamento.>
Apesar de se apresentarem publicamente como defensores de projetos de “código aberto”, integrantes da rede também produziam e comercializavam fisicamente componentes de armas fabricadas por impressão 3D. Os produtos eram anunciados em plataformas de comércio eletrônico e enviados pelos Correios para compradores em diferentes estados. O cruzamento de dados da investigação indicou que parte dos destinatários possuía antecedentes criminais, incluindo possíveis vínculos com milícias e organizações ligadas ao tráfico de drogas.>
Com base nas provas reunidas, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou integrantes da organização pelos crimes de organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de capitais. Entre os pedidos apresentados está a condenação solidária dos investigados ao pagamento de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos, devido à ameaça representada pela produção e disseminação de armamentos ilegais de difícil rastreamento.>
A operação também contou com cooperação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da agência norte-americana Homeland Security Investigations (HSI) e do Centro Integrado de Segurança Pública e Proteção Ambiental de Foz do Iguaçu (CISPPA-FIG).>
A reportagem tenta localizar a defesa e o espaço segue aberto para um posicionamento.>
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