> >
Operação no ES e em mais 10 estados mira venda de armas feitas em impressoras 3D

Operação no ES e em mais 10 estados mira venda de armas feitas em impressoras 3D

Investigação aponta rede que produzia e comercializava “ghost guns”, armas sem numeração de série fabricadas com impressoras 3D e vendidas pela internet

Publicado em 12 de março de 2026 às 08:17

Algumas das armas produzidas em impressoras 3D
Algumas das armas produzidas em impressoras 3D Crédito: Divulgação

Uma operação integrada de forças de segurança cumpriu mandados contra um grupo investigado por desenvolver, produzir e comercializar armas fabricadas com impressoras 3D, conhecidas internacionalmente como “ghost guns”. A ação, chamada Operação Shadowgun, foi realizada em 11 estados, incluindo o Espírito Santo.

Ao todo, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, tendo como alvo 30 investigados. A investigação foi conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do CyberGAECO, com apoio de polícias civis de vários estados, entre eles Espírito Santo, Bahia, Goiás, Santa Catarina, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe e Minas Gerais.

Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a operação reforça a importância da atuação conjunta entre instituições. “A atuação coordenada entre as polícias civis, o Ministério Público e os órgãos de inteligência permite identificar e interromper estruturas criminosas que utilizam o ambiente digital para ampliar sua atuação”, afirmou.

Rede utilizava internet para disseminar armas

Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios
Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios Crédito: Divulgação

De acordo com as investigações, a organização utilizava a internet para desenvolver, divulgar e comercializar projetos digitais de armas de fogo e acessórios produzidos por impressão 3D, além de itens de alto poder destrutivo, como carregadores de grande capacidade.

Os integrantes compartilhavam arquivos digitais, manuais de montagem e orientações técnicas em plataformas online, permitindo que outras pessoas reproduzissem o armamento de forma clandestina. Esse tipo de armamento é conhecido como “arma fantasma” porque não possui numeração de série e pode ser produzido com equipamentos acessíveis no mercado, o que dificulta a rastreabilidade e representa risco relevante à segurança pública.

Estrutura digital e pagamentos anônimos

Segundo os investigadores, a organização também utilizava sistemas de pagamento digitais com alto grau de anonimização, dificultando a identificação das transações financeiras. Os recursos obtidos eram usados para comprar equipamentos, manter a infraestrutura digital e financiar as atividades do grupo, incluindo a divulgação dos projetos e a produção de peças para armamento.

Venda de peças e envio pelos Correios

Apesar de se apresentarem publicamente como defensores de projetos de “código aberto”, integrantes da rede também produziam e comercializavam fisicamente componentes de armas fabricadas por impressão 3D. Os produtos eram anunciados em plataformas de comércio eletrônico e enviados pelos Correios para compradores em diferentes estados. O cruzamento de dados da investigação indicou que parte dos destinatários possuía antecedentes criminais, incluindo possíveis vínculos com milícias e organizações ligadas ao tráfico de drogas.

Denúncia e medidas judiciais

Com base nas provas reunidas, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou integrantes da organização pelos crimes de organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de capitais. Entre os pedidos apresentados está a condenação solidária dos investigados ao pagamento de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos, devido à ameaça representada pela produção e disseminação de armamentos ilegais de difícil rastreamento.

A operação também contou com cooperação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da agência norte-americana Homeland Security Investigations (HSI) e do Centro Integrado de Segurança Pública e Proteção Ambiental de Foz do Iguaçu (CISPPA-FIG).

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

Tópicos Relacionados

crime Investigações

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais