Os três policiais militares acusados de arremessar o adolescente Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, da Segunda Ponte, deram uma versão do caso antes de um vídeo ser anexado ao processo como prova da ação. O repórter Diony Silva, da TV Gazeta, apurou com o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, delegado Leonardo Damasceno, que os agentes disseram que pararam na ponte a pedido do jovem, que, segundo eles, queria ser deixado ali mesmo.
Segundo o secretário Leonardo Damasceno, quando as gravações foram incluídas no inquérito, o cabo Franklin Castão Pereira e os soldados Luan Eduardo Pompermaier Silva e Leonardo Gonçalves Machado foram chamados novamente para depor. Desta vez, no entanto, eles preferiram ficar em silêncio.
O vídeo deixa claro primeiro o momento em que foram jogados os pertences do rapaz, na sequência a câmera gira e, quando volta, aparece a viatura saindo e o rapaz se debatendo (na água)
Kaylan foi abordado no bairro Aparecida, em Cariacica, no dia 18 de fevereiro, e levado para a delegacia porque estava com um mandado de apreensão em aberto. Acontece que, chegando lá, o delegado viu que o mandado já estava vencido e, por isso, não poderia receber o adolescente ali. Os agentes tentaram contato com a mãe dele, para buscá-lo, sem sucesso. De madrugada, os policiais então saíram da unidade, dizendo que iriam levá-lo para casa, mas, segundo as investigações, pararam na Segunda Ponte e o arremessaram de lá. O rapaz, que não sabia nadar, morreu afogado.
Luan, Franklin e Leonardo foram presos no último dia 28, indiciados por homicídio qualificado. Eles já foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
"Não tem justificativa", diz secretário
"Não tem justificativa nenhuma para aquele comportamento, mesmo que em qualquer hipótese eles alegassem outra história, além de jogar o rapaz na água, eles teriam também o dever de socorro daquele rapaz que estava se debatendo na água. De uma maneira ou de outra, o caso tem uma prova muito robusta", declarou o secretário, nesta segunda-feira (9), referindo-se ao vídeo que flagrou a viatura na Segunda Ponte (confira acima).
Policiais podem ser expulsos
A Corregedoria da Polícia Militar apura o caso. "A gente espera agora da Corregedoria um empenho muito grande para que esses policiais, se comprovado em âmbito desse inquérito militar o desvio de conduta, que eles sejam excluídos da instituição", comentou o secretário.
Família desolada
A família de Kaylan soube que o adolescente havia sido levado para a delegacia só horas depois. Quando a mãe dele, Leicester Ladário, foi atrás de informações, o rapaz não estava mais lá. O corpo foi encontrado na tarde do dia seguinte.
Meses depois da morte do filho, a auxiliar administrativa teve acesso às imagens do momento em que o adolescente é jogado da Segunda Ponte. "Eu vi eles jogando o meu filho. Meu filho estava vivo! Eles pararam o carro em cima da Segunda Ponte e jogaram o meu filho lá de cima. Viram ele se debatendo e, mesmo assim, simplesmente entraram no carro e foram embora. Meu filho não sabia nadar. Eles viram o desespero dele", desabafou Leicester.