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Decisão judicial

Modelo atropelada: investigada não pode ir a bares nem sair da Grande Vitória

O juiz José Leão Ferreira Souto reduziu a fiança para R$ 3 mil, antes arbitrada em R$ 5 mil, e determinou outras cinco medidas restritivas para Adriana Felisberto

Publicado em 18 de Abril de 2022 às 13:01

Vinicius Zagoto

Publicado em 

18 abr 2022 às 13:01
Adriana Felisberto Pereira foi presa. Ela dirigia carro envolvido em acidente com morte de ciclista, em Vitória
Adriana Felisberto Pereira foi presa. Ela dirigia o carro envolvido no acidente que matou a modelo Luísa Lopes, em Vitória Crédito: Archimedes Patricio/TV Gazeta
A corretora Adriana Felisberto Pereira, de 33 anos, investigada pelo atropelamento e morte de uma jovem, na última sexta-feira (15), pagou fiança para deixar o sistema penitenciário e também terá de seguir uma série de determinações da Justiça. Entre as restrições está a proibição de ir a bares e sair da Grande Vitória.
A Polícia Civil nesta segunda-feira (18) informou que Adriana foi autuada em flagrante pelo crime de embriaguez ao volante, como consta no Auto de Constatação de Alcoolemia e em depoimentos anexados.
Baseado nessa autuação, o juiz José Leão Ferreira Souto reduziu a fiança, antes arbitrada pela polícia em R$ 5 mil, para R$ 3 mil — a qual Adriana pagou, deixando o sistema penitenciário na noite de sábado (16) — e determinou outras cinco medidas restritivas.
  1. Não pode deixar a Grande Vitória sem autorização judicial;
  2. Não pode frequentar bares, boates, prostíbulos ou estabelecimentos semelhantes;
  3. Deve ficar em casa das 20h às 6h;
  4. Tem que comparecer na Justiça, em até cinco dias úteis, desde a audiência realizada no sábado (16), portando documentos pessoais;
  5. Deve comparecer a todos os atos do processo e manter o endereço atualizado.
Caso descumprir algumas das condições impostas pela Justiça, Adriana poderá ter a prisão preventiva decretada, como destacou o magistrado na decisão.

OUTRO VEÍCULO ESTARIA ENVOLVIDO

Na decisão que concedeu liberdade a Adriana, o juiz José Leão Ferreira Souto destacou que policias militares teriam recebido informações, no local do atropelamento, que a vítima teria sido atropelada por outro veículo e arremessada contra o automóvel da autuada.
O magistrado destacou ainda que não foram encontrados registros criminais da indiciada nos sistemas judiciais. Considerando então todos os elementos, o juiz evidenciou a ausência dos requisitos que autorizariam a decretação da prisão preventiva de Adriana.
"Os elementos do APFD [Auto de Prisão em Flagrante] e aqueles colhidos por este magistrado, através do contato pessoal oportunizado pela audiência de custódia, indicam que a sua liberdade não oferece risco à ordem econômica, à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, considerando que possui residência fixa e ocupação lícita, bem como é primária. Ademais, considerando que já fora arbitrada fiança em favor da autuada, de forma que ela ainda se encontra recolhida apenas por não ter recolhido o valor arbitrado, verifico, assim, a conveniência de substituir a prisão preventiva da autuada pelas seguintes medidas cautelares", descreveu o juiz.
Luísa Lopes morreu atropelada na Avenida Dante Michelini. Suspeita é de que motorista estava sob efeito de álcool
Luísa Lopes morreu atropelada na avenida Dante Michelini quando atravessava pela faixa de pedestres Crédito: Acervo Pessoal/Montagem

O QUE DIZ A DEFESA

À reportagem da TV Gazeta, o advogado de Adriana, Jamilson Monteiro, informou que as informações que se têm até este momento são as mesmas colhidas na lavratura do flagrante. “Depoimento dos policiais militares e a percepção da perícia da Polícia Civil realizada naquele momento, mas ainda não foi confeccionado o laudo”, disse.
Monteiro ressaltou ainda que não conversou com a cliente sobre os fatos, para preservá-la psicologicamente. “A defesa acredita que a situação dela nos vídeos veiculados na imprensa e nas mídias sociais também é o estado de choque, então ela não respondia claramente por seus atos, e deveria ter sido conduzida para o hospital para ser medicada”.
Sobre a participação de um segundo carro, o advogado informou que a defesa vai buscar informações sobre o modelo, cor e placa do veículo com testemunhas.

O QUE DIZ A DEFESA DA FAMÍLIA DE LUÍSA LOPES

Apesar das informações recebidas por policiais militares de que um outro carro teria participado do acidente que matou Luísa Lopes, de 24 anos, o advogado da família dela diz que não há provas dessa versão. Após ler o inquérito, o advogado Marcos Vinícius Sá afirmou à reportagem de A Gazeta que essa hipótese está, por ora, descartada. Segundo ele, a família espera uma "responsabilização de forma enérgica pelo crime".
"A família de Luísa justamente espera uma investigação séria para reunir todas essas provas possíveis para que, ao final, a Adriana (motorista do carro) seja punida pelo crime. Temos imagens de Adriana gravadas no dia do crime que são estarrecedoras. A família espera uma resposta à altura, que seja dada a ela a responsabilidade pelo crime. A versão [do outro carro] chegou de uma forma que ninguém sabe. O que nos parece é que somente a irmã da motorista é que teria dado essa resposta. Não tem nenhuma prova no inquérito que comprove isso. Li o inquérito todo e não há nada. Por ora, essa hipótese é descartada A família espera uma responsabilização de forma enérgica pelo crime”, finalizou o advogado.

O ATROPELAMENTO

Luísa Lopes, de 24 anos, atravessava na faixa de pedestres com a bicicleta quando foi atingida por um carro. A princípio, os relatos davam conta que o atropelamento havia sido causado pela corretora Adriana Felisberto, mas há, agora, informações que indicam a possibilidade de outro motorista ter atropelado a modelo e universitária. No impacto, ela teria tido o corpo arremessado contra o carro dirigido por Adriana. Ela, inclusive, não foi autuada por homicídio.
Segundo militares que atenderam a ocorrência, a motorista tinha sinais claros de embriaguez, mas se negou a fazer o bafômetro. Ela foi detida e levada à delegacia, onde teve a prisão em flagrante decretada por embriaguez ao volante. Ao final da tarde deste sábado (16), a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) informou que ela havia sido encaminhada ao Centro Prisional Feminino de Cariacica.
Com o forte impacto do corpo de Luísa no carro de Adriana, a ciclista ainda foi arrastada por muitos metros. A bicicleta da modelo ficou destruída após o acidente. O veículo que a atingiu também foi danificado.
Vitória
O carro dirigido pela corretora Adriana Felisberto Pereira atingiu a bicicleta da modelo Luísa Lopes Crédito: Reprodução/TV Gazeta
Policiais militares que atenderam a ocorrência acreditam que o veículo estava em alta velocidade quando atingiu a jovem. Uma segunda mulher, que seria irmã da motorista, também estava no carro, conforme apuração da TV Gazeta.
Elas informaram à Polícia Militar que voltavam de um bar. Adriana negou ter ingerido bebida alcoólica porque, segundo a mesma, usa medicamento para depressão. Entretanto, segundo os militares, havia claros sinais de embriaguez. Foi-lhe oferecido o teste do bafômetro, mas a corretora se recusou a fazer, e atribuiu a fala arrastada e embolada à medicação que faz uso.

INVESTIGAÇÕES

Em nota enviada à reportagem de A Gazeta, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (Semsu), de Vitória, informou que a Polícia Civil fez a solicitação das imagens de videomonitoramento do local na manhã desta segunda-feira (18) e o material foi separado para ser entregue e contribuir com a investigação. “A perícia já esteve na Central Integrada de Operações e Monitoramento para ter acesso a todas as imagens que colaborem com o trabalho de apuração”, informou.
Polícia Civil, por sua vez, destacou que o caso seguiu para investigação da Delegacia de Delitos de Trânsito (DDT), que realiza diligências para apurar todos os fatos atrelados ao acidente e, inclusive, na manhã desta segunda-feira (18), "solicitou o circuito de videomonitoramento da região para a Prefeitura Municipal de Vitória, com objetivo de identificar se houve a captura da imagem, ou não", destacou. 
Modelo atropelada - investigada não pode ir a bares nem sair da Grande Vitória

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