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Incêndio na Praia do Canto: fiação desgastada causou o fogo, diz laudo

A corporação afirmou que o mais provável é que as chamas tenham começado no ventilador de teto, mas também há a possibilidade de que o início do fogo tenha ocorrido no ar-condicionado do quarto dos pais

Vitória
Publicado em 28/12/2020 às 15h25
Atualizado em 28/12/2020 às 16h36
Corpo de Bombeiros faz vistoria no prédio, na Praia do Canto, onde aconteceu um incêndio
Laudo pericial do Corpo de Bombeiros em apartamento onde aconteceu um incêndio na Praia do Canto, em Vitória, saiu essa semana. Crédito: Vitor Jubini

Mais de 2 meses após o incêndio que atingiu um apartamento na Praia do Canto, em Vitória, o laudo pericial foi concluído pelo Corpo de Bombeiros esta semana. De acordo com a corporação, acionada pela reportagem de A Gazeta nesta segunda-feira (28), foi identificada uma degradação na fiação do circuito elétrico do quarto identificado como zona de origem das chamas, o que causou o incêndio que aconteceu no início da noite de 19 de outubro deste ano. "A causa mais provável de início do fogo teria sido uma anomalia ocorrida após defeito no funcionamento do ventilador de teto", disse em nota.

O Corpo de Bombeiros explica ainda que o laudo apontou que o fogo pode ter começado a partir de um travamento do eixo do ventilador de teto que, ao continuar tentando manter o funcionamento do motor, foi gerado um calor pelo circuito que ocasionou o foco inicial do incêndio que, na sequência, passou a consumir os materiais combustíveis existentes no cômodo. 

No entanto, a corporação afirmou que também há uma possibilidade de que o incêndio tenha começado no ar-condicionado do quarto. "Como o equipamento caiu pela janela do cômodo, pode ter dado ignição à cortina ou outro material. Fato constatado é que a fiação do circuito elétrico do local estava degradada e teria gerado as chamas iniciais em um dos dois equipamentos, após sobrecarga", finalizou. A conclusão da primeira perícia do Corpo de Bombeiros, realizada no local um dia depois, já apontava que o incêndio começou no quarto do casal.

Polícia Civil também foi acionada, e disse que o caso segue sob investigação por meio do 3º Distrito de Polícia de Vitória, localizado na Praia do Canto. Equipes estão realizando diligências e aguardando o resultado de laudo pericial para relatar o procedimento à Justiça. "Para que a apuração seja preservada, nenhuma outra informação será repassada" disse em nota.

RELEMBRE O CASO

Moradores do Edifício Pintor Fanzeres afirmaram que o incêndio teve início por volta das 20h naquele 19 de outubro. Inicialmente, até a chegada dos Bombeiros, as chamas foram combatidas por vizinhos de outros prédios próximos.

Uma moradora de um prédio vizinho informou que estava assistindo televisão quando começou a ouvir os gritos de "socorro" e "fogo". Ela abriu a janela para ver o que estava acontecendo e viu o fogo da janela do prédio logo em frente.

Por volta das 21h, o fogo já estava controlado. As equipes do Corpo de Bombeiros, porém, ainda estavam no apartamento à procura de possíveis vítimas. A Avenida Rio Branco, no sentido Reta da Penha, foi totalmente interditada em frente ao prédio.

Corpo de Bombeiros faz vistoria no prédio, na Praia do Canto, onde aconteceu um incêndio
Corpo de Bombeiros fez vistoria no prédio, na Praia do Canto, onde aconteceu um incêndio. Crédito: Vitor Jubini

Seis pessoas estavam no local na hora: mãe, pai, avó, dois meninos (um de 4 anos e outro de 6 anos) e a babá. O menino de 4 anos - identificado como Pablo Sandes Filho - estava no quarto ao lado do foco das chamas e morreu.

Equipes da Guarda Municipal também estiveram no local para auxiliar no controle do trânsito. O prédio foi interditado para a realização da perícia, que teve a primeira parte concluída durante a madrugada de 21 de outubro, segundo o Corpo de Bombeiros.

VÍDEO MOSTRA COMO FICOU APARTAMENTO

Imagens obtidas pela TV Gazeta mostram a destruição no apartamento que pegou fogo no Edifício Pintor Fanzeres, na Praia do Canto, em Vitória. Veja.

A DINÂMICA DO INCÊNDIO

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a partir do momento em que a família ouviu "fogo", o pai das crianças pediu para que todos saíssem do apartamento. A babá pegou o menino de 6 anos, que estava na sala, e saiu do local. A mãe foi até o "quarto 1" para pegar a avó e o pai saiu para pegar o extintor no corredor. Devido às chamas, a mãe não conseguiu sair com a avó e ficou presa no "quarto 1". A babá conseguiu descer com a criança de 6 anos, mas nem ela, nem o pai conseguiram voltar para pegar o menino de 4 anos que estava no "quarto 2".

Quase meia hora depois do início do incêndio, equipes do Corpo de Bombeiros que chegaram ao local foram fazer o resgate da mãe e da avó. Uma das equipes tentava retirá-las do local pela janela do edifício e outra por dentro do prédio. Quando as mulheres saíram do local com a ajuda dos bombeiros, elas avisaram que tinha mais uma criança no apartamento: o menino de 4 anos. Enquanto a equipe de contenção continuava controlar as chamas no local, um dos bombeiros, que estava de pronto atendimento na porta do apartamento, entrou e resgatou o menino.

A criança foi levada desacordada para uma ambulância na porta do prédio. Os socorristas tentaram reanimá-lo por quase duas horas, mas não conseguiram. Moradores chegaram a fazer uma corrente de oração ao redor da ambulância enquanto a criança recebia o atendimento. Por volta das 23h40, ele foi declarado morto.

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