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Golpe do bilhete premiado acaba em prisões em Jardim da Penha

Golpe do bilhete premiado acaba em prisões em Jardim da Penha

Grupo investigado por estelionatos contra idosos é natural do Rio Grande do Sul e vinha ao Espírito Santo para cometer os crimes; investigação continua para identificar outros integrantes e novas vítimas

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 17:29

Grupo investigado por estelionatos contra idosos é natural do Rio Grande do Sul e vinha ao Espírito Santo para aplicar os golpes

A atuação de uma organização criminosa especializada no chamado "golpe do bilhete premiado" terminou com a prisão de três suspeitos no bairro Jardim da Penha, em Vitória, no dia 12 de janeiro. O grupo é investigado por causar um prejuízo de R$ 202 mil a pelo menos três vítimas idosas em novembro do ano passado.

Os envolvidos são naturais do Rio Grande do Sul e foram detidos quando retornaram ao Espírito Santo para tentar aplicar novos golpes. Os detalhes da investigação foram apresentados em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (29).

Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram após o registro de três boletins de ocorrência envolvendo vítimas com idades entre 73 e 84 anos, abordadas em bairros de Vitória e Vila Velha. A partir das informações repassadas pelas pessoas lesadas, como características dos suspeitos, do veículo utilizado e da forma de atuação, os investigadores conseguiram identificar parte do grupo.

Luis Fernando do Carmo, de 36 anos; Daniela Bottega Oliveira do Carmo, de 37 anos e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão, de 24 anos
Luis Fernando do Carmo, de 36 anos; Daniela Bottega Oliveira do Carmo, de 37 anos e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão, de 24 anos estão presos Crédito: Divulgação | Polícia Civil

As apurações apontaram que cinco pessoas integravam a organização, atuando em sistema de rodízio. Três delas foram presas quando retornaram ao Estado. Outras seguem investigadas para posterior identificação.

Como o golpe funcionava

De acordo com o delegado adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), Jonathan Lana, o golpe seguia um roteiro bem definido e explorava o sentimento de solidariedade das vítimas.

A abordagem inicial geralmente era feita por uma mulher jovem, que se apresentava como uma pessoa simples, do interior, e dizia precisar de ajuda para localizar um advogado ou escritório de advocacia. Em seguida, um comparsa se aproximava e se oferecia para ajudar, passando a impressão de ser alguém de confiança, como um médico.

Ainda conforme a investigação, esse segundo suspeito fazia uma ligação em viva-voz, simulando contato com um suposto funcionário da Caixa Econômica Federal, que confirmava falsamente que um bilhete apresentado estaria premiado em cerca de R$ 3 milhões. Para receber o valor, porém, seriam necessárias testemunhas. “Esse suposto funcionário confirma que aquele bilhete está premiado”, explicou o delegado.

Com o passar da conversa, os criminosos convenciam a vítima a entrar no veículo e, já dentro do carro, iniciavam a fase de convencimento financeiro. As vítimas eram induzidas a entregar dinheiro como uma suposta “garantia”, sob o argumento de que poderiam desaparecer com o prêmio. “Aí que fica o golpe. Eles pedem uma garantia para que a pessoa não suma com o valor”, disse Jonathan Lana.

Em um dos casos, a vítima chegou a ser levada até a própria casa para buscar o cartão bancário e realizar transferências. Em outro, os suspeitos usaram distrações para fugir após obter o dinheiro. 

Vítimas e prejuízo

As três vítimas identificadas até o momento são pessoas com mais idade. A primeira, de 81 anos, perdeu cerca de R$ 3 mil, além de valores gastos em compras. A segunda, de 84 anos, teve um prejuízo de R$ 70 mil, já a terceira, de 73 anos, perdeu R$ 129 mil. 

Segundo o delegado, há indícios de que o número de vítimas possa ser maior, já que muitas pessoas deixam de registrar ocorrência por vergonha. “Geralmente, a vítima fica muito envergonhada de cair nesse tipo de golpe, especialmente porque são vítimas idosas”, afirmou Jonathan Lana.

Prisões e continuidade das investigações

Os suspeitos presos são naturais de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e não possuíam antecedentes registrados no Espírito Santo. No entanto, segundo a Polícia Civil, eles já têm condenações por crimes semelhantes em outros Estados. Durante a abordagem, os policiais localizaram documentos falsos e aparelhos telefônicos utilizados na prática dos golpes. O trio foi preso por organização criminosa, e as investigações seguem para identificar outros envolvidos e possíveis novas vítimas.

A Polícia Civil reforça que pessoas que acreditam ter sido vítimas do golpe do bilhete premiado devem procurar uma delegacia para registrar ocorrência. O espaço segue aberto para uma manifestação das defesas dos três detidos.

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