Repórter / [email protected]
Repórter / [email protected]
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 11:50
Há exatamente um ano, uma cena chamou a atenção no Espírito Santo: um adolescente de 17 anos foi jogado da Segunda Ponte e morreu afogado. Três policiais militares envolvidos no caso foram presos e indiciados por homicídio qualificado. À espera do julgamento deles, a mãe de Kaylan Ladário dos Santos, Leicester Ladário, definiu esses meses com uma palavra: "Angustiante". >
"Espero ansiosa para ver o julgamento, que ainda vai ter a data marcada, e para que eles sejam de fato condenados. O júri é composto por várias pessoas, fica difícil saber o que vai acontecer, o que eles vão entender, se vão de fato condenar eles", declarou Leicester.>
Leicester Ladário
Mãe de KaylanSegundo a Polícia Militar (PM), o cabo Franklin Castão Pereira e os soldados Luan Eduardo Pompermaier Silva e Leonardo Gonçalves Machado continuam presos no presídio militar do Quartel do Comando-Geral da corporação.>
No dia 18 de fevereiro de 2025, Kaylan foi abordado no bairro Aparecida, em Cariacica, devido a um mandado de apreensão em aberto por envolvimento em um assalto ocorrido em 2023. Ele foi encaminhado à Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle), onde foi constatado que o documento já estava vencido. O delegado orientou os policiais a levarem o adolescente de volta para casa. No trajeto, eles teriam desviado do caminho e, conforme investigação da Polícia Civil, Kaylan foi jogado da Segunda Ponte.>
>
Imagens de uma câmera de segurança mostram a viatura parada na Segunda Ponte e um objeto sendo jogado no mar (veja acima). Na sequência, a câmera gira e, quando volta, a viatura já está saindo e algo se mexe na água. A movimentação seria Kaylan, que não sabia nadar, tentando se salvar. Os três policiais militares foram indiciados por homicídio qualificado, em razão da impossibilidade de defesa da vítima. >
No dia 14 de outubro, os três policiais prestaram depoimento sobre o caso. O cabo Castão descreveu a sequência dos fatos dizendo que a vítima se jogou da ponte. Ele alegou que só parou para colocar o jovem na parte traseira da viatura:>
“Quando a viatura parou, o Kaylan abriu a maçaneta e desceu para a parte de trás da viatura. Foi nesse momento que eu desci. O primeiro militar que desce sou eu. Eu desci e fechei a porta dele. Como eu pisei em uma pedra, eu peguei a pedra e joguei fora. E é até o momento em que a mídia pega esse vídeo, diz que é uma pessoa sendo jogada, circula em vermelho. E isso foi uma pedra. Pedi calma a ele”, disse Castão.>
Sobre Kaylan ter parado no mar, ele disse que o adolescente teria pulado: “Antes de tomar uma atitude mais drástica relacionada ao desespero dele no parapeito, ele pulou, foi isso o que aconteceu. Nesse momento, fui até o parapeito da ponte, olhei, me certifiquei que estava andando até a margem. Vi que estava em uma distância próxima à margem. Não acionei (o socorro) porque vi que ele estava nadando. Foi uma reação que tive, como vi ele nadando, para mim ele sairia dali”.>
Os outros dois policiais falaram que Castão relatou, no dia do ocorrido, que Kaylan havia fugido, e não pulado. Luan ainda afirmou que o cabo, posteriormente , pediu para ele e Machado também falarem que o menino pulou para "dar mais coerência à versão dele". Porém, o soldado disse que os dois decidiram contar o que vivenciaram de fato. No dia, Leonardo chegou a descer da viatura para verificar por qual motivo o cabo estaria demorando a voltar para o carro após o veículo ser estacionado. >
“Assim que cheguei e percebi o comportamento do Kaylan, o cabo Castão mandou eu me afastar e voltar para a viatura, que ele estaria verbalizando com o Kaylan. Voltei para a viatura e informei ao Pompermaier, logo depois o cabo Castão entrou na viatura e falou para tocar para o batalhão porque o Kaylan tinha fugido. Perguntei se iriam atrás dele, mas ele disse que não, porque Kaylan não devia nada e não queria entrar na viatura. Fomos questionando se não íamos voltar para procurar ele. Não ouvi nada (da conversa do cabo e do jovem) porque na ponte estava ventando muito e tinha uma obra por perto", descreveu Machado.>
Já Luan, que dirigia o veículo, disse que entendeu que o pedido de parada era somente para colocar o jovem na parte traseira do automóvel. “Nesse momento eu estava passando pela Segunda Ponte e o cabo Castão mandou eu parar a viatura. Nesse contexto eu entendi que ele havia mandado eu parar a viatura para colocar ele no cofre. O Kaylan só estava um pouco agitado, tanto é que ele em momento nenhum desobedeceu.”>
O cabo já respondeu por dois crimes ocorridos durante o trabalho e ainda responde a um outro processo, que está em andamento na Justiça.>
A reportagem de A Gazeta tenta localizar a defesa dos envolvidos e disponibiliza este espaço para um posicionamento.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta