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Publicado em 22 de outubro de 2025 às 21:02
Os três policiais militares suspeitos de envolvimento na morte do adolescente Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, jogado da Segunda Ponte, prestaram depoimento no Fórum de Cariacica. A TV Gazeta teve acesso às gravações nesta quarta-feira (22). Franklin Castão Pereira e os soldados Luan Eduardo Pompermaier Silva e Leonardo Gonçalves Machado se encontram presos preventivamente no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar desde junho. Confira, no vídeo acima, o que eles disseram.>
O caso aconteceu na madrugada de 18 de fevereiro. A gravação de videomonitoramento do local mostra a viatura parada na Segunda Ponte e um objeto sendo jogado no mar. Na sequência, a câmera gira e, quando volta, a viatura já está saindo e algo se mexe na água. A movimentação seria Kaylan, que não sabia nadar, tentando se salvar. Os militares detalharam esse momento em depoimento no dia 14 de outubro. >
O cabo Castão descreveu a sequência dos fatos dizendo que a vítima se jogou da ponte. Ele alegou que só parou para colocar o jovem na parte traseira da viatura:>
“Quando a viatura parou, o Kaylan abriu a maçaneta e desceu para a parte de trás da viatura. Foi nesse momento que eu desci. O primeiro militar que desce sou eu. Eu desci e fechei a porta dele. Como eu pisei em uma pedra, eu peguei a pedra e joguei fora. E é até o momento em que a mídia pega esse vídeo, diz que é uma pessoa sendo jogada, circula em vermelho. E isso foi uma pedra. Pedi calma a ele”, disse Castão. >
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Sobre Kaylan ter parado no mar, ele disse que o adolescente teria pulado: “Antes de tomar uma atitude mais drástica relacionada ao desespero dele no parapeito, ele pulou, foi isso o que aconteceu. Nesse momento, fui até o parapeito da ponte, olhei, me certifiquei que estava andando até a margem. Vi que estava em uma distância próxima à margem. Não acionei (o socorro) porque vi que ele estava nadando. Foi uma reação que tive, como vi ele nadando, para mim ele sairia dali”.>
Os outros dois policiais falaram que Castão relatou, no dia do ocorrido, que Kaylan havia fugido, e não pulado. Luan ainda afirmou, que o cabo, posteriormente , pediu para ele e Machado também falarem que o menino pulou para "dar mais coerência à versão dele". Porém, o soldado disse que os dois decidiram contar o que vivenciaram de fato. No dia, Leonardo chegou a descer da viatura para verificar por qual motivo o cabo estaria demorando a voltar para o carro após o veículo ser estacionado.>
“Assim que cheguei e percebi o comportamento do Kaylan, o cabo Castão mandou eu me afastar e voltar para a viatura, que ele estaria verbalizando com o Kaylan. Voltei para a viatura e informei ao Pompermaier, logo depois o cabo Castão entrou na viatura e falou para tocar para o batalhão porque o Kaylan tinha fugido. Perguntei se iriam atrás dele, mas ele disse que não, porque Kaylan não devia nada e não queria entrar na viatura. Fomos questionando se não íamos voltar para procurar ele. Não ouvi nada (da conversa do cabo e do jovem) porque na ponte estava ventando muito e tinha uma obra por perto", descreveu Machado. >
Já Luan, que dirigia o veículo, disse que entendeu que o pedido de parada era somente para colocar o jovem na parte traseira do automóvel. “Nesse momento eu estava passando pela Segunda Ponte e o cabo Castão mandou eu parar a viatura. Nesse contexto eu entendi que ele havia mandado eu parar a viatura para colocar ele no cofre. O Kaylan só estava um pouco agitado, tanto é que ele em momento nenhum desobedeceu.”>
O cabo já respondeu por dois crimes ocorridos durante o trabalho e ainda responde a um outro processo, que está em andamento na Justiça. Todos os três foram indiciados por homicídio qualificado pela impossibilidade de defesa da vítima. >
Leicester Ladário, mãe de Kaylan, em entrevista ao repórter Vinicius Colini, da TV Gazeta, desabafou sobre os dias após a morte do filho. Para ela, tudo foi uma sequência de erros.>
"A cada dia, a cada momento em que tem essas audiências, esses fatos, é como se eu morresse mais um pouco, porque dói. Eu só queria que tudo acabasse, que eles falassem logo a verdade, que fossem condenados e que acabasse. Sei que não vai trazer o meu filho de volta, mas vai trazer sensação de justiça, que não estamos tendo no momento", frisou Ladário.>
A reportagem tenta contato com a defesa dos envolvidos. O espaço segue aberto para manifestações.>
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