Publicado em 22 de agosto de 2025 às 09:27
A primeira audiência de instrução do caso Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, morto após ser arremessado da Segunda Ponte na madrugada de 18 de fevereiro deste ano, aconteceu na quarta-feira (21). Três policiais militares — o cabo Franklin Castão Pereira e os soldados Luan Eduardo Pompermaier Silva e Leonardo Gonçalves Machado — são réus no processo que apura o crime.>
Segundo a advogada da família da vítima, Elaine Belo, cerca de 15 pessoas foram ouvidas, e uma nova audiência será marcada para que outras três testemunhas também prestem depoimento.>
De acordo com a advogada, durante a audiência a defesa dos militares tentou sustentar a versão de que Kaylan teria se jogado da ponte.>
“Não foi dado como finalizado ainda porque algumas testemunhas não puderam comparecer. Será marcada uma nova data, possivelmente para setembro, para ouvir essas pessoas e, a partir daí, definir se o caso avançará para o Tribunal do Júri. A gente entende que está andando no caminho certo e que a justiça será feita pelo Kaylan”, afirmou Elaine Belo.>
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Nesta audiência, a mãe do adolescente, Leicester Ladário, ficou frente a frente, pela primeira vez, com os policiais acusados da morte do filho.>
Leicester Ladário
MãeA nova audiência deve ser marcada nos próximos dias. A reportagem tenta contato a defesa dos militares e o espaço segue aberto para manifestações. >
Na madrugada de 18 de fevereiro, Kaylan foi abordado pelos PMs no bairro Aparecida, em Cariacica, devido a um mandado de busca apreensão por um assalto em 2023, e levado para o plantão da Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito Com a Lei (Deacle), em Vitória. Ao chegarem ao local, os militares foram informados pela Polícia Civil que o documento estava vencido e que, por isso, ele não poderia ser apreendido.>
De acordo com as investigações, os policiais, então, teriam colocado Kaylan novamente na viatura e informado que iriam levá-la até a sua casa. A denúncia do Ministério Público (MPES) aponta, no entanto, que os PMs teriam parado na Segunda Ponte e arremessado o adolescente de lá. O corpo do jovem foi encontrado por um pescador no dia seguinte, boiando na orla de Cariacica.>
Um vídeo anexado ao processo que apura a morte de Kaylan Ladário dos Santos, mostra o momento em que os três policiais militares estão sobre a Segunda Ponte. As imagens, obtidas pela reportagem a TV Gazeta, também mostram o adolescente na água, antes de se afogar no mar.>
De acordo com a denúncia oferecida pelo MPES e aceita pela Justiça, os militares teriam jogado Kaylan de uma altura de 14 metros. >
Nas imagens feitas por câmera de videomonitoramento, os militares aparecem com a viatura parada sobre a ponte. Logo no início, um objeto é lançado na água. Em seguida, o carro dos policiais é visto deixando o local, enquanto há movimentação na água — que, segundo a denúncia, seria Kaylan se debatendo na água.>
Os três policiais militares são réus em um processo que apura homicídio qualificado, em razão da impossibilidade de defesa da vítima. Também pesa contra os PMs, de acordo com a denúncia aceita pela Justiça, a acusação de o crime ter sido cometido "com abuso de poder ou violação de dever inerente ao cargo", segundo o Artigo 61 do Código de Processo Penal.>
A vítima "foi surpreendida com a conduta dos acusados, que estavam em maior número, o que dificultou as chances de esboçar qualquer reação de defesa", diz o juiz na decisão que determinou a prisão preventiva dos réus. >
"Observa-se que aqueles que possuem o dever, em síntese, de garantir a segurança pública e a ordem social, a prevenção de crimes, a manutenção da ordem e o cumprimento da lei, teriam praticado o crime de homicídio consumado ora em análise, de modo que os acusados não agiram com respeito aos direitos humanos e à dignidade humana", diz outro trecho.>
A Polícia Civil informou que o Inquérito Policial foi presidido pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cariacica, com o indiciamento dos militares por homicídio qualificado, em razão da impossibilidade de defesa da vítima. O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) ofereceu denúncia nos mesmos termos.>
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