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Tecnologia inédita promete encurtar angústia de famílias de desaparecidos no ES

Através de material genético coletado de uma pessoa encontrada morta em 2015, em Vila Velha, Polícia Civil conseguiu localizar um familiar da vítima em Minas Gerais. Este avanço pode significar um importante passo para solucionar casos de  desaparecidos

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 12/08/2021 às 13h11
Polícia Civil
Pela primeira vez o Departamento Forense da PC capixaba conseguiu identificar um corpo por meio do banco de dados coletado no Estado com material genético proveniente de outro. Crédito: Divulgação/Polícia Civil

A angústia de famílias capixabas por parentes desaparecidos pode ser encurtada mais rapidamente com um importante avanço alcançado pelo laboratório forense da Polícia Civil do Espírito Santo. Inédito até então no Estado, foi confirmada primeira identificação humana por meio do Banco de Perfis Genéticos do Espírito Santo (BPG-ES), após o início da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O corpo de um homem de 57 anos, encontrado em julho de 2015, no bairro Jockey de Itaparica, em Vila Velha, e encaminhado para o Departamento Médico Legal de Vitória, teve o perfil genético analisado pelo Laboratório de DNA Forense e inserido no Banco de Perfis Genéticos do Espírito Santo como cadáver não-identificado. No último dia 28 de julho, houve a confirmação da compatibilidade dos materiais genéticos entre o corpo e uma familiar mineira.

Este resultado foi muito comemorado e celebrado pela Polícia Civil do ES, pois desta forma poderá agilizar a identificação de mais pessoas enterradas até mesmo como indigentes, visto a falta de informação sobre origem e famílias das mesmas. A perita criminal Carolina Viera explicou como o processo foi agilizado.

"A primeira identificação no ES foi possível depois da indicação pelo banco nacional de perfis genéticos da compatibilidade entre uma amostra que foi inserida aqui de um cadáver de 2015, que não foi identificada. Esta amostra foi analisada pelo laboratório forense da Polícia Civil do Espírito Santo e confrontada com outra de uma familiar que tinha um ente desaparecido em Minas Gerais. O laboratório mineiro inseriu o perfil genético dela (familiar) e houve esta compatibilidade", explicou.

BASE DE DADOS

Segundo o chefe do Departamento de Laboratórios Forenses, o perito oficial criminal Fabrício Pelição, este resultado significativo apenas foi alcançado porque houve a coleta e armazenamento de dados. Atualmente, no ES, há coletado informações de 200 corpos não identificados e dados de 85 famílias que possuem pessoas desaparecidas.

Essa iniciativa de formar um banco nacional já existe em diversos países e, de forma geral, quanto mais informações nesses bancos, de famílias, cadáveres e pessoas não identificadas, maiores as chances de sucesso em progressão. Quanto maior a quantidade de informações que possam ser cruzadas, maiores também a chance de uma identificação. Então precisa ter uma base (de dados) mais robusta e as as famílias devem continuar nos procurando para o cadastramento e coleta do material genético.

A COLETA

A perita criminal explica que o procedimento para o cadastramento no banco de dados é simples e rápido. Basta procurar uma delegacia, preferencialmente de desaparecidos, que os estágios seguintes serão explicados detalhadamente.

Polícia Civil
A coleta do material genético dos familiares é feita no DML após agendamento prévio. O procedimento é rápido e indolor. Crédito: Divulgação/Polícia Civil

"Ele (familiar) precisa ter um registro, ou seja, um boletim de ocorrência na Delegacia de Desaparecidos. Aí ele será encaminhado ao DML para agendar a coleta no laboratório de material genético. É completamente indolor, por meio de um swab bucal, gratuito e só será usado como parte de identificação", salientou,

O programa que realiza o cruzamento de dados genéticos existe no país desde 2009, mas no Espírito Santo passou a ser utilizado em 2014. O Banco Nacional de Perfis Genéticos é controlado pela Polícia Federal e cada estado possui um servidor estadual, sendo que estes dados são repassados ao nacional. Periodicamente eles são confrontados e assim ocorrem as compatibilidades.

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