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Diretoras de hospital em Vitória são ameaçadas de morte e vão à polícia

Mulheres receberam mensagens idênticas via SMS; caso é investigado pela polícia

Publicado em 01/10/2020 às 17h29
Atualizado em 01/10/2020 às 23h29
Novo setor de oncologia do Hospital Infantil de Vitória funcionará anexo ao Hospital da Polícia Militar (HPM), em Bento Ferreira
Hospital Infantil de Vitória funciona anexo ao Hospital da Polícia Militar (HPM), em Bento Ferreira. Crédito: Caique Verli

Duas diretoras do Hospital Infantil de Vitória, Thaís Regado e Graziella Salarolli, receberam ameaças de morte via mensagens de celular e, imediatamente, procuraram a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência. 

As duas mulheres receberam mensagens idênticas. Segue:

Diretoras de hospital no ES recebem ameaça de morte
Diretoras de hospital no ES recebem ameaça de morte. Crédito: Reprodução | Celular da vítima

A reportagem de A Gazeta conversou com Thaís Regado, diretora geral do hospital, que relatou o que aconteceu. "Nós recebemos uma ameaça por SMS, em duas mensagens, uma complementando a outra. A primeira falava que o rapaz há 3 meses tinha sido contratado para nos matar, e ele se negou a me matar porque a filha dele tinha o mesmo nome que eu e ela morreu. Ele desistiu e outra pessoa de Pedro Canário viria hoje para fazer o serviço. Eu fiz contato com o secretário de Saúde, que entrou em contato com o secretário de Segurança e com o governador. O delegado Arruda designou então o Eduardo Passamani para nos dar o primeiro apoio. Ele esteve no hospital junto aos policiais civis, fizeram ronda e coletaram informações. Nós fizemos BO e o caso está sendo tratado pela Draco", contou.

Para ela, as ameaças não são inesperadas. "Estou com medo. Mas já imaginava que algo assim poderia acontecer porque temos feito alguns enfrentamentos com fornecedores e isso tem causado um certo desconforto. Mas nunca tinha recebido ameaça formal. Eu não tenho como comprovar, mas uma pessoa conhecida disse, em agosto, que um terceiro falou que deveríamos ficar atentas porque algum dos fornecedores nos daria um susto. Até passamos a fazer horários alternativos no trabalho, caminhos diferentes, mudar de carro. Mas hoje veio a prova", explicou.

A diretora administrativa do centro hospitalar, Graziella Salarolli, também relatou à reportagem que não esperava receber algo tão grave. "Na verdade a gente não espera esse tipo de coisa. A gente está fazendo um trabalho e não espera esse tipo de abordagem por fazer o que tem que ser feito. Gera um desconforto muito grande, nos coloca em condição de vulnerabilidade. De fato viemos enfrentando fornecedores, como  relatou minha colega. Mas não temos mais o que dizer agora, apenas aguardar, já que a polícia está atuando", concluiu.

Acionada, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou que está ciente das ameaças destinadas às diretoras do Hospital Infantil de Vitória.

"A Sesa repudia ameaças tão graves e absolutamente inaceitáveis e esclarece que todas as medidas necessárias sobre o fato já estão sendo adotadas pelas autoridades de segurança pública, a partir da emissão dos boletins de ocorrência. As servidoras atuam no HINSG desde fevereiro deste ano, modernizando a gestão da unidade e avançando nas medidas de transparência e enfrentamento a possíveis inconformidades. A Sesa se solidariza com as profissionais, que têm prestado um importante serviço à saúde das crianças capixabas".

Demandada à tarde pela reportagem, a Polícia Civil respondeu, por meio de nota às 18h51, que as vítimas foram atendidas, inicialmente, na Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (DECON), que adotou as primeiras providências relacionadas ao fato. "O caso foi encaminhado para apuração da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). Diligências estão em andamento e outras informações não serão divulgadas, por enquanto, para preservar as investigações".

"SUPÕE-SE QUE AS AMEAÇAS TENHAM CORRESPONDÊNCIA COM A FUNÇÃO PÚBLICA DELAS", DIZ SECRETÁRIO 

Em entrevista ao repórter Roger Santana, da TV Gazeta, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, comentou as ameaças de morte. "Tratam-se de ameaças feitas a duas gestoras públicas, que conduzem a gestão do Hospital Infantil. No mesmo momento que elas receberam a mensagem, contactamos a Polícia Civil e o secretário de Segurança Pública do Estado, fizemos o registro da ocorrência, e as duas gestoras estão protegidas pela polícia. Está agora a cargo do departamento de investigação do crime organizado a investigação do caso", iniciou.

De acordo com Nésio, as duas gestoras conduzem o hospital de forma exemplar. "Supõe-se que as ameaças tenham correspondência com a função pública que elas exercem. São duas gestoras excelentes, que estão conduzindo um processo de modernização do Hospital Nossa Senhora da Glória e estão revendo os contratos, ampliando a nossa capacidade de identificar incorreções que possam ter ocorrido em contratos anteriores. E nesse processo nós acreditamos, e as investigações poderão esclarecer isso, que possa ter surgido alguma motivação para esta ameaça. Então nós aguardamos as investigações da polícia para confirmar ou não as suspeitas. Acreditamos sim que tenha relação com as funções públicas delas, e com possíveis medidas que tenham tomado recentemente com relação a alguns prestadores de serviço ou a algum interesse que elas possam ter enfrentado", afirmou.

Sobre a proteção das vítimas, o secretário esclareceu que elas estão acompanhadas pela Polícia Civil, por policiais à paisana, que as acompanhará nas atividades dos próximos dias, rondando o hospital. "Há toda uma operação da polícia que aguardamos os resultados para esclarecer os fatos", finalizou.

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