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Delegado conta como foi roubado e agredido por travestis em Vila Velha

O delegado Marcelo Nolasco relatou que estava caminhando na orla de Itaparica, quando parou para fazer imagens com o celular e foi abordado por duas travestis. Veja vídeo

Publicado em 10/10/2020 às 21h18
2ª Delegacia Regional de Vila Velha
As detidas foram encaminhadas para a 2ª Delegacia Regional de Vila Velha. Crédito: Marcos Fernandez /Arquivo/A Gazeta

O delegado Marcelo Nolasco, de 54 anos, registrou uma ocorrência na manhã deste sábado (10), afirmando ter sido vítima de assalto e agressão por duas travestis, no final da Praia de Itaparica, em Vila Velha. De acordo com Nolasco, as suspeitas fizeram ameaças e exigiram pertences dele enquanto ele caminhava e fazia imagens com o celular. As acusadas acabaram detidas pela polícia logo depois. A agressão foi registrada por câmeras de videomonitoramento da região. 

VEJA O VÍDEO:

O delegado conta que ele estava caminhando na orla de Itaparica, quando parou para fazer um vídeo com o celular e foi abordado por uma travesti.

"Caminhei hoje, como faço todos os dias. Cheguei no fim do calçadão por volta das 10 horas e conversei com o vendedor de água de coco que fica ali. Eu vi as duas travestis, sei que ali é normal ponto de prostituição. Mas na hora pensei: elas estão fazendo programa, não são assaltantes. Pois como essa população atua nos mesmos pontos, acreditei que não seriam capazes de assaltar com o risco de serem logo localizadas. Foi quando peguei o celular e fiz uma filmagem selfie. Ao iniciar a caminhada de volta, uma travesti me abordou e mandou que eu apagasse a filmagem que ela imaginava que eu teria feito dela", lembra. 

O delegado conta que respondeu que não filmou a suspeita. Mas como ela insistiu, Nolasco afirma que mostrou o vídeo que havia acabado de fazer para provar que não a filmou. 

"Mostrei, sem maldade. Nesse momento, ela agarrou o meu celular e tentou subtraí-lo (roubá-lo). Falei que era policial e que se ela roubasse o meu celular, eu iria atrás dela depois. Mas ela não acreditou e me xingou. Foi quando a segunda travesti chegou com uma garrafa de cerveja vazia na mãos, mandando eu entregar o celular ou iria quebrar a garrafa em minha cabeça e me cortar. Eu não soltei o celular e resisti ao assalto. Então, me derrubaram, me jogaram na restinga, me agrediram e roubaram o pouco dinheiro que eu carregava", contou.

O delegado disse que as suspeitas exigiram o valor de R$ 50. Imobilizado no chão, ele afirma que conseguiu tirar a capa do celular e entregar R$ 5 que havia guardado para comprar água de coco. Além da quantia em dinheiro, elas levaram também a capa do aparelho.

Delegado Marcelo Nolasco foi roubado e agredido por travestis na Orla de Itaparica, em Vila Velha
Delegado Marcelo Nolasco foi roubado e agredido por travestis na Orla de Itaparica, em Vila Velha. Crédito: Videomonitoramento Vila Velha/Reprodução

Nesse momento, Nolasco conta que um motorista viu a cena, parou o carro e gritou com as assaltantes para soltarem a vítima. Foi quando, aproveitando a distração das suspeitas, o delegado conseguiu correr até o calçadão. Ele viu uma viatura da Polícia Militar e pediu ajuda. 

"Os policiais da viatura conseguiram prender uma e a outra fugiu.  Mas assim que cheguei com a ocorrência na 2ª Delegacia Regional de Vila Velha, os policiais civis empreenderam diligências e conseguiram prender a segunda (acusada) logo depois. As assaltantes foram autuadas em flagrante por roubo qualificado por agressão e uso de arma branca.  Elas serão encaminhadas ao sistema prisional. Tudo foi integralmente filmado pelo videomonitoramento da prefeitura e temos as imagens. Além disso, há uma testemunha que presenciou tudo", conta. 

As duas detidas foram encaminhadas para a 2ª Delegacia Regional de Vila Velha — mesma delegacia onde o delegado atua como chefe. Marcelo Nolasco afirma que a travesti que o abordou primeiro, conhecida como Carolina Moreno, de 37 anos, possui uma passagem por homicídio na Serra. Já a outra, de 39 anos, que não teve nome revelado, possui quatro passagens por roubo.

"Inicialmente, eu não queria divulgar essa história. Mas depois percebi que o caso começou a ser compartilhado em grupos de forma muito pejorativa. Foi quando decidi explicar tudo. Quem me conhece sabe que durante três anos fui secretário Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid) de Vitória e fiz várias ações pelos direitos da população travesti. Sei que elas fazem parte de um povo sofrido que se prostitui para sobreviver. Mas essas duas são criminosas. Eu estou machucado pela restinga, onde elas me empurraram. É uma situação muito chata, até porque sou policial. Mas eu sequer estava armado. Estava caminhando, de bermuda e camisa, como sempre faço", lamenta. 

Procurada, a Polícia Civil confirmou a dinâmica da ocorrência contada pelo delegado, além da autuação e passagens das acusadas. De acordo com a PC, houve luta corporal entre o delegado e as travestis no momento do roubo. 

"Todos os pertences foram restituídos ao delegado, que, em seguida, realizou exame de corpo de delito e se encontra bem. As suspeitas, de 37 anos e 39 anos, foram autuadas em flagrante por roubo e serão encaminhadas para o Centro de Triagem de Viana. Ambas possuem passagem pela polícia. A suspeita de 37 anos possui passagem por homicídio e a segunda possui quatro prisões por assaltos", informou a nota. 

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