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Coronavírus no ES: pelo menos 5 peritos da Polícia Civil estão infectados

Representante da classe afirma que serviço pode vir a ser prejudicado se o número de contaminados aumentar. Sindicato de Peritos Criminais e Superintendência de Polícia Técnico Científica divergem sobre quantidade de infectados

Publicado em 04/05/2020 às 17h01
Atualizado em 04/05/2020 às 20h07
Perícia em Cariacica
Peritos estão presentes nos mais diversos locais de crime para buscar provas. Crédito: A Gazeta

Indispensáveis em locais de crime no recolhimento de provas materiais e na análise de dados coletados, os peritos integram os grupos profissionais que não podem parar de trabalhar durante a pandemia do novo coronavírus. Atualmente, no Espírito Santo seis peritos testaram positivo para a Covid-19, segundo dados do Sindicato de Peritos Criminais do Estado. 

Outros quatro peritos apresentaram sintomas da doença e aguardam o resultado de exames. A situação preocupa os representantes da categoria devido à alta exposição dos profissionais sem equipamentos que colaborem com a proteção deles. 

"Estamos pedindo desde o início da pandemia, tanto para adquirir equipamento de proteção individual (EPIs) quanto para termos máscaras adequadas. Recebemos alguns kits, que não foram repostos, e que não tinham máscara apropriada, por isso os peritos tiveram que comprar com o dinheiro do próprio bolso", informa Antônio Tadeu Nicoleti, diretor do Sindicado de Peritos Criminais do Espírito Santo. 

Antônio Tadeu acredita que não há uma ação efetiva para proteção. "Temos contato com outros na mesma viatura e em local de crime de qualquer tipo. Após os casos confirmados, não houve assepsia em viaturas ou salas de alojamento e de plantão.  Precisamos que todos os peritos sejam testados, em especial os colegas desses que positivaram para o coronavírus", pede.  

O diretor do sindicato dos peritos disse que deve fazer uma reunião nesta segunda-feira (04) com outros peritos para levar as reclamações à chefia da Polícia Civil, em especial pela preocupação dos peritos que cobrem horários de plantão para atender locais de homicídio, acidentes de trânsito com morte e  crimes patrimoniais.  "Os plantonistas estão preocupados em levar para a família. Se houver uma contaminação maior, pode levar a uma paralisação do setor ou até mesmo disseminar a doença a outros setores", descreveu Nicoleti. 

O relato de peritos e auxiliares de perícia são semelhantes de Norte a Sul do Estado. Em Cachoeiro, há peritos reutilizando máscaras por não ter outras para trocar durante o dia. 

POSICIONAMENTO DA POLÍCIA CIVIL

Por meio de nota, a Superintendência de Polícia Técnico Científica (SPTC) da Polícia Civil afirmou que mantém um estoque de equipamentos de proteção individual (EPIs) dentro das necessidades, negando que exista falta de equipamentos de proteção individual para os profissionais.

Na nota, a Superintendência informou que entregou aos peritos máscaras dos tipos cirúrgicas, N-95 e protetora de face, luvas, toucas e macacões descartáveis.  Apesar da dificuldade da aquisição desses equipamentos, devido à grande procura, a Polícia Civil,  está adquirindo maiores quantidades desses EPIs.

Quanto às equipes plantonistas, de atendimento a locais de crime, a Polícia Civil alega que tomou medidas de separação dos distintos núcleos (morte violenta e patrimônio), evitando ao máximo a aglomeração de peritos nos alojamentos.

Sobre os testes para os servidores, a corporação informou que  recebeu um lote de 240 kits para testar policiais de todas as áreas que apresentam sintomas há pelo menos oito dias, de forma a tornar mais eficiente a triagem. Sobre os números de infectados entre peritos, a Polícia Civil diz que o número é de cinco e não de seis peritos com Covid-19, que foram imediatamente afastados de suas atividades e estão recebendo todo o suporte necessário da instituição.

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