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Caso Amanda: morte de jovem em acidente na Darly Santos completa um ano

Marcando um ano da tragédia, o domingo de Páscoa (17) foi um dia ainda mais triste, já que familiares lembraram do aniversário de Amanda, que faria 21 anos 13 antes, em 4 de abril

Tempo de leitura: 6min
Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 18/04/2022 às 19h29
Jovem de 20 anos. Acidente na Darly Santos
Amanda Marques Pinto morreu após moto em que estava ser arrastada por veículo na Darly Santos. Crédito: Arquivo da família

Cheia de planos e sonhos, aos 20 anos, Amanda Marques teve a vida encerrada há um ano, em 17 de abril de 2021, na rodovia Darly Santos, em Vila Velha. Câmeras de videomonitoramento flagraram o momento do acidente (veja abaixo). Desde então, Wagner Nunes de Paulo, o condutor do veículo Toyota Corolla que atingiu a moto em que estavam ela e o companheiro, permanece preso preventivamente, aguardando julgamento definitivo e a defesa  dele segue tentando a liberdade do acusado. Até o momento não houve definição sobre a ida do caso a júri popular.

A última audiência do caso aconteceu no dia 25 de janeiro deste ano e, atualmente, é aguardada a apresentação das alegações finais da defesa do réu. Em seguida, haverá uma decisão judicial, que encaminhará ou não o acusado para julgamento por crime doloso contra a vida — aquele com intenção do resultado.

O domingo de Páscoa (17) foi um dia ainda mais triste, já que nas lembranças dos familiares fica o aniversário de Amanda, que seria comemorado 13 dias antes da data do acidente, em 4 de abril, quando ela completaria 21 anos.

Em entrevista ao repórter Aurélio de Freitas, da TV Gazeta, a mãe da jovem, Renata Marques, afirmou que a dor só aumenta. “A dor é imensa, não tenho como explicar o tipo de dor que é. Minha filha não está mais aqui. Meu primeiro bom-dia era o dela e o resto do dia passávamos nos falando. Isso foi arrancado de mim. É muito difícil, muito doloroso sentir saudade, não ouvir mais um ‘eu te amo, mãe’, ou um simples ‘mãe’. Dói muito”, iniciou.

Em Vila Velha
Renata e a filha Amanda, vítima de tragédia na rodovia Darly Santos. Crédito: Arquivo da família

Para Renata, o caso foi um claro homicídio e não um mero acidente entre veículos. “Acidente é quando simplesmente acontece, é uma fatalidade. Mas quando você sabe que tem uma pessoa alcoolizada e em alta velocidade, com alto risco de colocar outras pessoas em risco, passa a ser um assassinato”, acrescentou a mãe de Amanda.

Moto Honda XRE envolvida no acidente que matou Amanda Marques na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha
Moto Honda XRE, em que estavam a jovem Amanda Marques na garupa e o companheiro dela, Matheus José Silva. Crédito: Reprodução

O companheiro de Amanda, Matheus José Silva, que ficou ferido no mesmo acidente, conversou com a reportagem. O gesseiro de 24 anos chegou a ficar dias em coma no hospital e até hoje sofre com as consequências físicas e psicológicas.

Matheus José Silva

Companheiro de Amanda Marques

"Não existe um só dia que eu não lembre do acidente ou que Amanda não me faça falta. Fiquei com sequelas na coluna e no ombro, marcas pelo corpo. Minha moto está estragada e nunca ganhei um real por isso. E nem quero dinheiro, só justiça. Amanda teria feito aniversário dias atrás e não esqueço de data nenhuma. Ela foi a mulher da minha vida e acho muito difícil outra pessoa causar a mesma admiração e respeito em mim novamente"

Matheus disse que o momento da colisão não está na memória. “Não lembro de nada do dia, nem sequer de três dias antes. Somente da saída do coma em diante. Hoje continuo trabalhando, mesmo com algumas dificuldades por conta da fratura na coluna e no ombro. Devagarzinho vou tentando levar”, relatou.

O QUE DIZ A ACUSAÇÃO?

O advogado Fábio Marçal — que é assistente de acusação e representante de Renata Aparecida Marques, mãe de Amanda — afirmou que pretende manter Wagner preso até o final do processo. “Mesmo que ele tente recurso, deverá recorrer preso. Os pedidos de liberdade até o momento foram negados. Já estamos na fase final antes da decisão sobre a ida do caso a júri, e ela deve sair nos próximos dias”, esclareceu.

O QUE DIZ A DEFESA DO RÉU

Procurada pela reportagem de A Gazeta, a defesa de Wagner Nunes de Paulo afirmou que agentes públicos constataram que o motorista não apresentava sinais de embriaguez. Informou ainda, por meio do advogado Frederico Pozzatti, que as fotos de Wagner com bebida alcóolica são do dia anterior ao acidente.

"A defesa aguardou serena e pacientemente o transcorrer das audiências para demonstrar a verdade dos fatos. Hoje o processo está em fase de alegações finais, oportunidade em que todas essas questão estão sendo relatadas. A defesa também aguarda a juntada de algumas imagens que o juiz já determinou a juntada. Todas essas questões são importantes para desmistificar uma versão que foi apresentada e que não condiz com a verdade. A defesa de WAGNER aguardará a decisão final confiando que os fatos foram devidamente esclarecidos", diz em nota enviada à reportagem.

RELEMBRE O ACIDENTE

O acidente que tirou a vida de Amanda Marques e mudou drasticamente a de Matheus José da Silva aconteceu na noite de 17 de abril de 2021. O casal estava de moto e voltava da casa da mãe da jovem pela Rodovia Darly Santos, em Vila Velha. Quando passavam pelo bairro Jardim Asteca, eles foram atingidos pelo carro dirigido por Wagner Nunes de Paulo. Era Matheus quem pilotava a moto, modelo Honda XRE 300, no momento em que o Corolla, que seguia no mesmo sentido na pista, atingiu a traseira da motocicleta, segundo a Polícia Militar na ocasião.

Amanda Marques e o namorado Matheus José. A moto em que eles estavam foi atingida por um Tou
Amanda Marques e o namorado Matheus José. A moto em que eles estavam foi atingida por um Tou. Crédito: Instagram

Com o impacto da batida, as vítimas foram arrastadas por cerca de 50 metros até o veículo parar. Amanda morreu ainda no local, enquanto o companheiro foi socorrido em estado grave para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória.

Wagner Nunes de Paulo se recusou a fazer o teste do bafômetro no local do acidente, mas foi detido em flagrante após a batida e autuado inicialmente por homicídio culposo na direção de veículo automotor, crime previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, como informou a Polícia Civil, por nota, na época.

Apesar de detido no local do acidente, Wagner Nunes de Paulo teria tentado arrancar com o carro para fugir, mas foi impedido por testemunhas, que também afirmaram que o motorista estava embriagado e dirigindo em alta velocidade. Na ocasião, um policial civil amigo da família teria tentado retirá-lo da cena e ameaçado as pessoas.

Wagner Nunes de Paulo, de 28 anos, dirigia o veículo acima da velocidade permitida na Rodovia Darly Santos
Wagner Nunes de Paulo, de 28 anos, dirigia o veículo acima da velocidade permitida na Rodovia Darly Santos. Crédito: Montagem | A Gazeta

Ele foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana no dia 18 de abril, onde passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva, a pedido do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), prisão que ainda está mantida.

Após as investigações, a Delegacia de Delitos de Trânsito concluiu que o condutor havia ingerido bebida alcoólica durante uma festa com amigos. Indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil, Wagner Nunes de Paulo está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória de Viana II, segundo a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus).

Segundo o relatório do caso obtido pela TV Gazeta, o procedimento adotado no atendimento ao acidente teve várias falhas, incluindo a ausência de teste toxicológico (diante da recusa do bafômetro). Por isso, as condutas deveriam ser apuradas. A Polícia Civil e a Polícia Militar já afirmaram que vão investigar as atitudes.

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