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Crime

Adolescente é mantida em cárcere privado por dois anos em Guaçuí

Autista e com deficiência intelectual, menina de 14 anos fazia necessidades em balde dentro do quarto onde vivia trancada

Publicado em 10 de Junho de 2021 às 20:13

Beatriz Caliman

Publicado em 

10 jun 2021 às 20:13
Menina era mantida em quarto com tranca por fora
Menina era mantida trancada em quarto Crédito: Divulgação | Conselho Tutelar
Uma adolescente de 14 anos que vivia trancada em um quarto de uma casa  em Guaçuí, na Região do Caparaó capixaba, foi resgatada na tarde da última segunda-feira (7) pela Polícia Militar e pelo Conselho Tutelar do município. A menina fazia necessidades em um balde e bebia água de uma garrafa deixada no cômodo.
A coordenadora do Conselho Tutelar de Guaçuí, Maria Emília Costa, diz que a menina foi encontrada nutrida, mas em condições precárias de higiene e isolada de convívio.  “A menina é autista e possui deficiência intelectual. A comida era servida na beira da porta e depois o quarto era trancado. A mãe contou que não entendia aquilo como maus-tratos. Disse que não tinha controle sobre a menina e que a adolescente era mantida presa há pelo menos dois anos”, contou a conselheira.
Adolescente é mantida em cárcere privado por dois anos em Guaçuí
Ainda de acordo com o Conselho Tutelar, no quarto havia uma cama com um colchão sujo, um balde com urina e fezes e uma garrafa de água. O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e a Polícia Militar também foram acionados. A menina não apresentava sinais de agressões físicas, mas foi encaminhada para exame de lesão corporal.
Durante a abordagem, estavam na casa a mãe da adolescente com uma criança de apenas três meses, o enteado de 12 anos e uma menina de três. O menino também confirmou à Polícia Militar que a vítima não saía do quarto e quem levava alimentação durante o dia era a  madrasta dele, mãe da adolescente. O pai não foi encontrado. Já a mulher foi encaminhada para a Delegacia Regional de Alegre.
A adolescente está sob os cuidados da família paterna, em outro município. Os conselhos tutelares das duas cidades estão em cooperação para cuidar do caso.
"As pessoas têm que confiar e denunciar casos assim, pois o sigilo é mantido. Não podemos fechar os olhos, nossos ouvidos e deixar crianças sofrerem. Denunciem ao conselho, à polícia"
Maria Emília Costa - Coordenadora do Conselho Tutelar de Guaçuí
Em nota, a Polícia Civil informou que a mulher foi encaminhada à 6ª Delegacia Regional de Alegre, onde foi ouvida e liberada após o autoridade policial entender que não havia elementos suficientes para lavrar um auto de prisão em flagrante naquele momento. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Guaçuí para uma melhor apuração dos fatos.
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