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Adolescente de 13 anos planejava cometer atentado em escola do ES

O caso foi descoberto a partir de uma investigação internacional; o adolescente tinha como referência os ataques ocorridos em Suzano (SP) e Realengo (RJ)

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 02/12/2021 às 12h48

Um adolescente de 13 anos, morador de Cariacica, na Grande Vitória, planejava cometer um atentado em uma escola do Espírito Santo. As investigações se iniciaram no Serviço Secreto dos Estados Unidos e na Homeland Security Investigations (HSI), contou com a participação da Polícia Civil capixaba e teve o resultado divulgado na manhã desta quinta-feira (2).

As investigações mostram que, após descontentamento pessoal com a queda das notas na escola, o adolescente começou a pensar em cometer o atentado. Segundo a Polícia Civil, em outubro, o garoto passou a conversar com um outro adolescente, de 15 anos, morador de Minas Gerais, que também planejava um ataque no próprio Estado.

O titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade, explicou que ficou constatado que o adolescente tem um transtorno psicológico e que falava em suicídio e em cometer o ataque.

"Não se tratava de uma brincadeira. Ele afirmou que possuía essa vontade e que, se não matassem alguém, iria se matar. Notamos que se tratava de um transtorno psicológico. A vida dele era aparentemente normal, mas tinha esse pensamento suicida e homicida. Os pais nos agradeceram e disseram que não sabiam, falaram apenas que ele ficava muito no celular", explica o delegado.

Andrade evidenciou ainda que o adolescente tinha uma vida social normal, era um bom estudante e que, apesar da pouca idade, sabia navegar muito bem na internet. O adolescente não foi apreendido e será acompanhado pela Vara da Infância e da Juventude de Cariacica.

A polícia capixaba questionou o adolescente sobre em qual escola ele cometeria o atentado, mas ele não explicou. Os policiais confirmaram apenas que seria um ataque a tiros em alguma unidade educacional.

Residência do adolescente alvo da operação policial . Crédito: Polícia Civil 
Residência do adolescente alvo da operação policial . Crédito: Polícia Civil 

PLANEJAVA COMPRAR ARMA

Após ser acionada por Brasília, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Polícia Civil do Espírito Santo iniciou os trabalhos de investigação em solo capixaba. Na manhã desta quinta-feira (2) deflagram a operação e conseguiram localizar o adolescente através de um mandado de busca e apreensão.

Em um telefone apreendido foi encontrada uma conversa na qual o adolescente planejava comprar uma arma. A mensagem enviada dizia: "Tô querendo um revólver .38, porém, com bala e tudo dá uns 7 mil a 9 mil, aí acho que vou ter que usar um .32, vou ver ainda".

Na residência ainda foi apreendido um simulacro de arma de fogo feito com madeira e fita isolante.

Conversa do adolescente no celular mostra o interesse em comprar arma. Crédito: Polícia Civil
Conversa do adolescente no celular mostra o interesse em comprar arma. Crédito: Polícia Civil

SE INSPIRAVA EM OUTROS ATENTADOS

A Polícia Civil afirmou que, desde outubro procurando informações e contatos sobre como realizar o atentado, o adolescente capixaba pesquisava na internet outros atentados realizados no Brasil, o de Realengo (RJ), em 2011, e o de Suzano (SP), em 2019, onde escolas foram invadidas por atiradores que mataram diversas pessoas.

"Ele procurava na internet pessoas ligadas a atentados, até que achou esse de Minas Gerais e começaram a planejar", afirma Brenno Andrade. 

Simulacro de arma de fogo apreendido na casa do adolescente. Crédito: Polícia Civil 
Simulacro de arma de fogo apreendido na casa do adolescente. Crédito: Polícia Civil 

OPERAÇÃO ESCOLA SEGURA

A Operação Escola Segura, que o adolescente foi alvo, foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (2) no Espírito Santo, em Minas Gerais e no Pará. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nos três Estados. Todos os suspeitos confessaram a intenção de cometer os atentados.

O adolescente capixaba e o de Minas Gerais planejavam juntos o ataque. Segundo o delegado Brenno Andrade, a expectativa deles era colocar em prática no prazo de dois anos. Uma mulher de 21 anos, do Pará, também foi alvo, mas não tinha ligação direta com os dois adolescentes. Após serem ouvidos pelas polícias, todos foram liberados.

Os investigadores tiveram conhecimento das ocorrências a partir do trabalho coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria de Operações Integradas (Seopi) e do Laboratório de Operações Cibernéticas, que contou com o compartilhamento de informações e a colaboração da Agência de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations – HSI) e do Serviço Secreto, ambos da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, como parte de cooperação policial entre autoridades norte-americanas e brasileiras.

As investigações foram lideradas pelo Laboratório de Inteligência Cibernética do Pará (CIBERLAB-NIP-PCPA), Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos do Pará (DECCC-PCPA); Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Espírito Santo (DRCC-PCES); Divisão Especializada de Investigação aos Crimes Cibernéticos de Minas Gerais e Delegacia de Carmo do Rio Claro em Minas Gerais (PCMG).

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