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Sonia Grobério: a primeira mulher a comandar um batalhão da PM no ES

Apesar da Polícia Militar ser uma instituição de 185 anos, foi só em 2010 que uma mulher assumiu um cargo de comando na corporação

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 08/03/2020 às 06h00
Atualizado em 20/10/2020 às 12h33
Coronel Sonia assumiu o comando do 4º Batalhão em 2010. Crédito: PMES
Coronel Sonia assumiu o comando do 4º Batalhão em 2010. Crédito: PMES

No dia 6 de agosto de 1983, um grupo de 67 mulheres marcaria a história da Polícia Militar do Espírito Santo. Elas faziam parte da primeira turma feminina da Corporação. Naquele dia, além das mulheres conquistarem um novo espaço, elas iniciavam um processo de transformação dentro da Polícia Militar.

Entre as pioneiras da turma estava Sonia do Carmo Grobério, na época com 19 anos. De família humilde e com muitos irmãos, a jovem mineira via na Polícia Militar um caminho para alcançar independência financeira.  "Eu precisava trabalhar. Então aquela era a oportunidade", declarou.

Esta é uma das matérias da série que conta as histórias das mulheres que foram pioneiras no ES em diversas áreas e faz parte das publicações da semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, próximo domingo.

Com o apoio da família, Sonia se formou sargento. Em 1987, ela se inscreveu para o curso de oficiais em Minas Gerais. Na época, o número de mulheres permitidas nestas posições era restrito.

Grupo de mulheres que fazia parte da primeira turma feminina da Polícia Militar no Estado. Crédito: Acervo PMES
Grupo de mulheres que fazia parte da primeira turma feminina da Polícia Militar no Estado. Crédito: Acervo PMES

Sonia foi selecionada, mas tinha 4 milímetros a menos do que a altura exigida pelo edital. Uma liminar na Justiça, porém, deu a ela a vaga no curso de oficiais, que ela concluiu com destaque.

Sonia Grobério

Coronel aposentada da Polícia Militar

"A gente recebia a formação junto, homens e mulheres. Não tinha diferença no treinamento. Eu fiquei em primeiro lugar no curso dos oficiais"

CARGO DE COMANDO

Sonia trabalhou em diversos setores da PM. Durante a carreira, foi subcomandante na companhia da Polícia Rodoviária,  do Batalhão de Trânsito, trabalhou na Corregedoria. 

Mas foi só em 2010 que Sonia conquistou a mais alta patente na Corporação: a de coronel. Ela passou a comandar o 4º Batalhão da Polícia Militar, em Vila Velha. Era a primeira vez que uma mulher assumia um cargo de comando como este dentro da PM.

Sonia Grobério

Coronel aposentada da PM

"Passei três anos e cinco meses no comando. Foi uma experiência muito importante para mim. Eu era muito respeitada e recebi apoio dos policiais, oficiais e praças neste trabalho. A mulher pode atuar em todas as funções da PM. É uma missão que independe de gênero"
Momento em que coronel Sonia assumiu o 4º Batalhão, em 2010. Crédito: Divulgação/PMES
Momento em que coronel Sonia assumiu o 4º Batalhão, em 2010. Crédito: Divulgação/PMES

Sonia se aposentou em 2013, após 30 anos na Polícia Militar. Hoje, ela atua como instrutora de tiro na Academia da Polícia Militar e ministra diversos cursos na Polícia Civil e Guardas Municipais.

PRIMEIRA TURMA DE POLICIAIS MULHERES

Apesar da Polícia Militar do Espírito Santo ser uma instituição de 185 anos, faz pouco tempo que as mulheres passaram a ocupar cargos na Corporação. A presença delas foi possível após a criação da Companhia de Polícia Militar Feminina, em 1983, pelo governador Gerson Camata. 

Primeira turma feminina da Polícia Militar no quartel de Maruípe, em 1983. Crédito: Arquivo/PMES
Primeira turma feminina da Polícia Militar no quartel de Maruípe, em 1983. Crédito: Arquivo/PMES

Inicialmente, elas foram designadas para realizar atividades de patrulhamento em aeroportos e rodoviárias, no trânsito e com crianças, mulheres e idosos. Ada Carniato, hoje capitão aposentada da PM, lembra que a atuação delas ainda era vista como uma forma de trazer mais sensibilidade para a polícia.

Ada Carniato

Capitão da Polícia Militar

"Estávamos no regime militar e a presença feminina era vista como oportunidade de humanização, principalmente nos policiamentos preventivos. Com o tempo fomos conquistando mais espaços e exercendo funções iguais as dos homens"

MACHISMO

Na época em que as pioneiras do ES entraram na PM,  mulheres de outros estados, como São Paulo e Minas Gerais, já tinham conquistado este direito. Ainda assim, a atividade militar ainda era vinculada ao sexo masculino. Ada lembra que elas se sentiam extremamente cobradas.

Ada Carniato

Capitão aposentada

"Ainda tinha muito machismo e a gente tinha que mostrar competência. Tinha uma pressão muito grande em fazer aquilo dar certo e evitar erros, afinal éramos as primeiras. A gente não queria ser criticada por ser mulher"
Coronel Sônia e Capitão Ada foram as pioneiras na Polícia Militar feminina do Espírito Santo. Crédito: Vitor Jubini
Coronel Sônia e Capitão Ada foram as pioneiras na Polícia Militar feminina do Espírito Santo. Crédito: Vitor Jubini

Em 1984, um ano após sua criação, a Companhia Feminina da Polícia Militar foi extinta e as mulheres passaram a ser incorporadas no mesmo quadro dos homens. Aquele era um primeiro passo para a igualdade de direitos entre homens e mulheres na Corporação. 

Hoje, ser policial militar mulher já não é visto mais com surpresa. Atualmente, de um quadro de 8.475 militares, 1.137 são mulheres. Apesar delas ainda serem minoria dentro da PM, não há como negar os avanços femininos dentro da corporação. Algo que foi conquistado pelas pioneiras, como Ada e Sonia, e outras 65 mulheres. 

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